GOIÁS
Marconi trabalha para tirar o atraso
Da redação em 28/02/2011 07:47:52
Marconi trabalha para tirar o atraso
Da redação em 28/02/2011 07:47:52

Afonso Lopes, jornal Opção
Chorar pelo leite não fervido sim, mas fazendo logo uma fogueira para
voltar a ganhar fervura. Essa é a imagem que se pode ter deste início de
terceiro mandato do governador Marconi Perillo (PSDB): diante das
inúmeras dificuldades econômico-financeiras, o jeito é pedalar pra não
cair no marasmo. Em dois meses, Marconi já esteve em São Paulo e
Brasília várias vezes. Foi ver de perto como estão os ânimos dos
empreendedores paulistas e sentir a temperatura política do governo da
presidente Dilma Roussef (PT). Ao mesmo tempo, escancarou de vez as
portas então semifechadas do Palácio das Esmeraldas para empresários
goianos, prefeitos e lideranças políticas governistas e oposicionistas.
Enumerar cada ação do governador nesse curto espaço de tempo é
complicado. A agenda oficial, antes tão vazia, agora vive cheia.
Há problemas? Claro que sim. As coisas simplesmente não andam como se
esperava que deveriam andar. É como se fosse um carro com o freio de mão
puxado e os quatro pneus furados: se não empurrar, só embala na
descida. O problema é que o carro está na subida
É mais uma das muitas heranças que o governo recebeu. Durante quase
cinco anos, o Estado viveu praticamente sem qualquer esforço para se
exteriorizar. O resultado é que Goiás saiu da pauta de investimentos
nacionais e internacionais. Num período de vacas gordíssimas, em que a
economia crescia aos saltos e estabelecia recordes a cada mês, Goiás não
conquistou nenhuma empresa multinacional nem viu grandes investimentos
nacionais.
Retomar o caminho para o Brasil e para o exterior não é fácil, e nem
deve se esperar por resultados imediatos. As grandes empresas
preparam-se durante anos para investir em novas plantas. Nada é feito do
dia para a noite. Isso significa que, apesar de algumas boas notícias
aqui e ali, como a possibilidade de instalação de uma fábrica holandesa
de aviões a jato em Goiás, a normalização do fluxo de competitividade do
Estado deve evoluir em ritmo menos intenso em relação àquele que se via
antes de 2006.
Política
Se a situação econômico-financeira está complicada, o jeito é
compensar politicamente. O governador tem feito o possível para atingir
esse objetivo, seja em Brasília, junto ao governo federal, seja em
Goiás, a partir do Palácio das Esmeraldas.
Tanto lá como cá o que se vê é a mesma coisa. Em Brasília, Marconi tem
se esforçado nos elogios à postura da presidente Dilma, e tem
conversado bastante com ministros. A todos, sinaliza com nítidas
intenções de estabelecer parcerias administrativas que sejam positivas
para as duas esferas de governo, estadual e federal. No Palácio das
Esmeraldas, o governador repete esse mesmíssimo discurso aos prefeitos,
inclusive do PMDB, partido que em tese seria oposicionista.
É óbvio que, na paróquia, muitos aliados estaduais vejam nas atitudes
dos prefeitos peemedebistas uma forte conotação adesista. É uma tremenda
bobagem, da mesma forma como não se pode dizer que Marconi está prestes
a aderir ao PT por defender uma boa relação administrativa com o
governo da presidente Dilma. A grande diferença é que já se sabe a
intensidade da abertura do governo Marconi aos prefeitos de outros
partidos, mas até agora o governo Dilma ainda não passou de pequenos
acenos aos governantes de partidos oposicionistas.
No eixo meramente administrativo, a equipe do atual governo de Goiás
apresenta altos desempenhos de alguns e uma turma que ainda não sabe
como fazer. É natural que seja assim. Quando falta dinheiro pra quase
tudo, inclusive para quitar salários dentro do mês trabalhado, e sobram
encrencas nos cofres, há quem consiga superar a crise e deslanchar. Para
ficar em alguns exemplos, basta citar o que tem sido feito pelo diretor
do Centro Cultural Oscar Niemeyer, Nasr Chaul, pelo secretário que
cuida das questões metropolitanas, deputado Jânio Darrot, o secretário
de Gestão e Planejamento, Giuseppe Vecci, ou o secretário de Indústria e
Comércio, Alexandre Baldy. Mesmo sem dinheiro, há intensa movimentação
em suas áreas.
Paralelamente ao desempenho dos secretários e presidentes de agências e
empresas, o governador também tem trabalhado para ampliar as
possibilidades de viabilização de projetos, como a ferrovia entre
Goiânia e Brasília. Em solenidade no Palácio, Marconi ouviu do
presidente da Valec, estatal federal que cuida da construção do sistema
ferroviário, Francisco das Neves, o Juquinha, que a nova estrada entre
as duas capitais poderá ser feita no atual governo.
O setor de transporte de passageiros poderá dar uma boa guinada caso
os planos do presidente da Metrobus, Carlos Maranhão, saiam do papel.
Maranhão quer renovar a velhíssima frota do eixo Anhanguera e modernizar
o sistema como um todo, inclusive com sua ampliação até Senador Canedo e
Trindade. Mas, antes, ele precisa que a concessão já vencida há um ano
seja renovada por mais 20 anos. O presidente da Metrobus está animado.
Ele diz que há dinheiro para fazer isso em Brasília, no chamado PAC da
mobilidade.
Na Agetop, uma operação de emergência foi desencadeada para corrigir
problemas gravíssimos em inúmeros trechos de rodovias estaduais. Já se
sabe, porém, que isso é apenas um paliativo. O presidente Jayme Rincon
diz que vai viabilizar recursos para reforçar o combalido caixa estadual
e dar sustentabilidade para reformar as estradas.
Enfim, há grande movimentação em inúmeros setores do governo Marconi. A
questão é saber quando sobrará algum dinheiro para investimentos. Por
enquanto, administrar as folhas de pagamento dos servidores tem
consumido boa parte das preocupações do secretário da Fazenda, Simão
Cirineu. Em Minas Gerais, no primeiro mandato do hoje senador Aécio
Neves, Simão encontrou uma situação bem pior e conseguiu dar conta do
recado. Foram quatro anos de controle total. O problema dele é que Goiás
voltou a ter pressa.
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