No mano a mano, PT e PMDB
Da redação em 31/07/2011 08:48:55

A. C. Scartezini, Jornal Opção
Nos últimos oito anos, a aliança PT-PMDB se tornou o cerne ou hard
core, como está na moda, do presidencialismo de coalizão, mas neste
momento se torna perceptível a configuração de um quadro onde os dois
partidos podem evoluir para um confronto de forças, uma queda de braço
no mano a mano que pode testar a governabilidade na era Dilma Rousseff e
redefinir a hegemonia entre os dois partidos.
A faxina da presidente Dilma na Esplanada dos Ministérios chegou ao
PMDB com a demissão, na quarta-feira, do diretor financeiro da Companhia
Nacional de Abastecimento (Conab), subordinada ao Ministério da
Agricultura. O ex-diretor atende por Oscar Jucá Neto e vem a ser o irmão
caçula do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB). Oscar é
acusado de pagar irregularmente a empresa onde teve um primo como sócio.
A demissão do caçula vale mais pelo que nela pode-se ler do que
propriamente pelo escrito. O ministro da Agricultura, Wagner Rossi,
sentiu-se desautorizado pelo pagamento de R$ 8 milhões à armazenadora
Renascença. Por isso pediu a demissão do caçula do senador. Então o
ministro, da cota do PMDB, desejou a faxina em seu próprio ministério,
em seu partido? É o que está implícito.
A leitura política, porém, é que o cerco chegou ao PMDB, cujo
enfraquecimento interessa à hegemonia do PT, o que coincide com um
momento em que o ex-presidente Lula iniciou pelos Estados a campanha
municipal e a costura de alianças em torno do partido. Como na última
eleição presidencial, o ex precipita o processo. Sai na frente antes de
ser aberta a temporada usual. Busca selecionar e começar a impor seus
candidatos a prefeito em 2012.
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