Carregando...
 

 
Brasília-DF, 21 de Maio de 2012. Ano 8
Hoje
MAIO/2012
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30 31
Total de  notícias
Irregularidade emperra obras de infraestrutura em lotes ocupados há 30 anos
DISTRITO FEDERAL
Irregularidade emperra obras de infraestrutura em lotes ocupados há 30 anos
Da redação em 02/01/2012 09:52:26

Helena Mader, Correio Braziliense

A irregularidade fundiária das terras do Distrito Federal é um transtorno para as famílias que vivem sem a escritura dos lotes, ocupados há mais de três décadas. Mas a falta da documentação não é o único problema dos moradores de condomínios e loteamentos ilegais. Como os terrenos não são registrados em cartório, essas áreas ficam privadas de investimentos do GDF e da União. No caso dos repasses do governo federal para a construção de creches ou centros de saúde, por exemplo, a regularidade do terreno é uma das exigências. Assim, regiões carentes, como Mestre d’Armas e Arapoanga, em Planaltina, e bairros de classe média, como o Jardim Botânico, sofrem com a falta de infraestrutura básica e de equipamentos públicos.

Há cerca de 500 condomínios irregulares em todas as cidades do Distrito Federal e pelo menos 600 mil brasilienses vivem em lotes sem registro em cartório. Os processos de legalização avançam devagar e poucas áreas já conseguiram a escritura definitiva dos terrenos. Em algumas cidades do DF, a falta de terras regulares para a construção de infraestrutura prejudica os moradores, que precisam percorrer grandes distâncias em busca de serviços públicos.

Planaltina é um exemplo dos impactos negativos dos problemas fundiários. A cidade tem extensas áreas irregulares, com bairros inteiros que foram construídos sem a aprovação prévia do poder público. Arapoanga, por exemplo, já deixou de receber uma unidade de pronto atendimento (UPA) e sete creches. Os ministérios da Saúde e da Educação repassam recursos para a edificação dos prédios, mas a condição é que a área esteja regular.

O administrador regional de Planaltina, Nilvan Vasconcelos, acredita que a falta de regularização compromete o desenvolvimento da região. “A legalização é hoje, sem dúvida, nosso maior desafio. A irregularidade dificulta a instalação de serviços, como as UPAs. O governo tentou trazer para cá uma unidade de pronto atendimento, mas o recurso sai do governo federal e eles exigiram que a terra tivesse matrícula e escritura”, acrescenta Nilvan Vasconcelos. Com relação às creches, estava prevista a construção de onze unidades em Planaltina. Só que não havia terrenos regulares suficientes. Com isso, apenas quatro poderão sair do papel.

Na Estrutural, como os terrenos pertencem ao GDF, o governo conseguiu instalar a infraestrutura básica antes mesmo da regularização. O governo local fez esgoto e rede de água. Mas em outras regiões, cujas terras irregulares são particulares, como Planaltina, Gama e Santa Maria, é impossível autorizar a construção de benfeitorias sem o aval do proprietário do lote. “Nesses casos, a Caixa Econômica Federal não empresta e não repassa recursos se a área não tiver legalizada. Quando as terras têm demandas judiciais, aí fica ainda mais difícil conseguir investir em melhorias”, afirma a presidente da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), Ivelise Longhi.

No Setor Jardim Botânico, que tem uma das rendas per capita mais altas do Distrito Federal, o luxo das casas contrasta com a falta de infraestrutura. Menos de 10% das residências têm sistema de água e esgoto e a rede de drenagem pluvial ainda não foi construída. O asfalto é ruim na maioria do bairro e a iluminação pública saiu do bolso da comunidade.

O presidente da Associação de Moradores do Jardim Botânico, Luiz Carlos Dantas, diz que é preciso avançar mais rapidamente com os processos de regularização, para que a infraestrutura chegue à região. “Conseguimos muito pouco até agora. Falta tudo no Jardim Botânico e isso é revoltante porque gastamos muito dinheiro com impostos”, reclama Luiz Carlos.

Alguns dos recursos federais que a cidade perde por conta das irregularidades fundiárias são os provenientes do Programa Nacional de Aquisição de Equipamentos para a Educação Infantil, o ProInfância. O governo federal repassa o dinheiro para a construção de creches, que depois são administradas pelos municípios e pelo Distrito Federal. Em Brasília, esses investimentos seriam muito bem-vindos, já que o DF é a unidade da Federação com menor percentual de pessoas atendidas em creches. De acordo com o censo do IBGE, apenas 16% das crianças estão na escola.

O subsecretário de Educação Integral do DF, Francisco José da Silva, conta que o governo local identificou 111 terrenos para abrigar creches, mas apenas 50 lotes estão de acordo com as regras da União. “ Infelizmente, temos o grande empecilho de muitos terrenos estarem irregulares”, comenta Francisco. Se já é difícil encontrar áreas legalizadas para abrigar creches, é ainda mais complexo identificar terrenos destinados a escolas técnicas federais. A União exige a oferta de lotes de 12 mil metros quadrados e é uma missão árdua encontrar imóveis regulares com essa dimensão.

Em Vicente Pires, área que é de propriedade da União, foi preciso fazer um acordo com o Ministério Público Federal e com o Ibama para a construção parcial do sistema de abastecimento de água. Mas boa parte da infraestrutura só vai chegar ao bairro depois da regularização definitiva, prevista para o segundo semestre deste ano. Até lá, os moradores vão conviver com o asfalto esburacado e com a falta de esgoto e de iluminação adequada.



DEIXE SEU COMENTÁRIO

 

Sem frase

Sem enquetes no momento.

Sem broncas

Enviar bronca
MP3 Player


Iniciar sessao