No centro de escândalo, presidente alemão diz que não renuncia
Da redação em 04/01/2012 18:44:24
Mesmo após ser bombardeado por críticas, o presidente da Alemanha, Christtian Wulff, não se mostrou disposto a abrir mão do cargo. Ele teria chantageado por telefone o editor do tabloide mais importante do país para evitar que uma matéria negativa sobre ele fosse publicada. Durante uma entrevista a canais da televisão pública alemã nesta quarta-feira, Wulff disse que a ligação foi “um erro sério” pelo qual “está arrependido”. Entretanto, quando foi questionado se estava considerando deixar a presidência, respondeu que não.
Wulff disse honrar “orgulhosamente” a responsabilidade do cargo e quando foi perguntado se pensava em renunciar por causa do escândalo, ele respondeu negativamente:
- Não. Eu não violei nenhuma lei, nem agora como presidente nem antes.
Wulff, um aliado-chave da chanceler Angela Merkel e um cristão democrata como ela, teria aceitado 500 mil euros de uma mulher de um importante executivo do país, com os quais teria comprado uma casa em 2008. Em uma mensagem de voz datada de dezembro passado, Wulff aparece dizendo ao editor Kai Diekmann que haveria "guerra" se ele não desistisse de publicar o artigo sobre suas contas financeiras. Na época, Wulff não era presidente, papel que só passou a gerir em 2010, mas opositores dizem que o político não tem o carácter necessário para exercer a função.
Enfurecida com a ameaça, a imprensa alemã se uniu contra o presidente e pede em coro sua renúncia. Wulff demorou duas semanas para se manifestar sobre as acusações, o que só piorou a crise. Ainda segundo testemunhas, o presidente teria ligado para o jornalista, que estaria de férias. Sem conseguir falar com o editor, deixou o recado cheio de ameaças em sua secretária eletrônica, afirmando que a reportagem teria "consequências judiciais". Dois dias depois, no entanto, o presidente teria ligado para Diekmann para se desculpar.
Na entrevista desta quarta-feira, Wulff disse ter conhecimento de que agora vai precisar “reordenar” sua relação com a mídia, mas insistiu que não tentou evitar a circulação da reportagem.
- Eu pedi para que fosse adiada em um dia para que nós pudéssemos conversar sobre sobre isso, para que pudesse ser correto - disse.
A oposição parece não estar disposta a dar trégua. Hubertus Heil, do Partido Social Democrata, afirmou após as declarações de Wulff que “o debate ainda não acabou” e que o presidente não esclareceu os fatos.- Nenhum presidente alemão está acima da lei. Isso se aplica à liberdade de expressão também. É totalmente inapropriado que um presidente tente impedir a publicação de uma reportagem - argumentou Thomas Oppermann, um dos líderes do Social Democrata, antes da entrevista de Wulff na TV.
A Presidência é um cargo representativo na Alemanha, sem responsabilidades de governo. Uma função parecida com a dos reis em uma monarquia parlamentar. Um dos pontos mais importantes para exercer o cargo é ter um comportamento exemplar. Para muitos alemães, o escândalo do empréstimo e as ameaças contra o "Bild" fizeram de Wulff inapto para o cargo. Sua saída, entretanto, poderia complicar as coisas para Merkel, que até agora não se pronunciou sobre o caso.Informações de O Globo com agências internacionais.
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