DISTRITO FEDERAL Bons e velhos tempos
Enviado por Da redação (61) 9384-2015 em 14/05/2012 08:26:38
O jornalista Lívio di Araújo (AlO Brasília) informa que o ex-governador Rogério Rosso (PSD) costuma reunir seus principais ex-secretários para discutir e avaliar a situação política do DF. Faz isso constantemente. Na semana passada, em um famoso restaurante da cidade, estava com alguns deles em mais um desses encontros. Entre os ex-secretários, Leonardo Teshima (atual diretor de uma agência de publicidade), Luiz Fernando Costa Couto e Anna Karolina Bezerra (atual chefe da comunicação da Câmara Legislativa), entre outros. A reunião foi regada a muita bebida e muita, muita risada.
Pimenta: Aliás, pela alegria na mesa, acho que, de repente, este encontro nem deveria estar avaliando a situação política do DF, né? Não estamos em momentos de risadas, gente...
Comentário - Apesar de ter sido eleito para um mandato tampão no GDF, o ex-governador Rogério Rosso não agradou os brasilienses. Uma pesquisa da Datafolha divulgada no final do seu mandato mostrou que ele teve a pior avaliação entre os chefes Executivo de oito estados e do DF. Rosso recebeu a menor nota entre os avaliados, com média de 4,9, em uma escala de zero a dez. O índice de aprovação do então governador também foi baixo: apenas 29% dos entrevistados pelo instituto de pesquisas considerou a gestão boa ou ótima.
Para quem não se lembra, Rogério Rosso chegou ao Palácio do Buriti após a crise política instalada pelo escândalo da Caixa de Pandora. Na época Rosso era do PMDB e teve total apoio do presidente regional do partido, o hoje vice-governador Tadeu Filippelli. Só que rompeu com Filippelli por defender uma candidatura própria ao GDF e não a aliança com o PT. Resultado: Filippelli levou a melhor.
A queda dos juros bancários para o financiamento de carros não trouxe nenhum reflexo às vendas do setor , pelo menos até o final de abril, de acordo com comunicado da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), tanto que as vendas de automóveis caíram 13,82% no mês passado, em relação a março, e 12,27% comparado a abril de 2011. A queda de juros também não refletiu em uma maior flexibilidade na concessão de crédito bancário para o financiamento de veículos.
De janeiro a abril houve retração de 3,4% nas vendas e os pátios das montadoras e das revendas contavam 366,5 mil carros no último dia de abril. Reflexo da rigidez bancária na concessão de crédito, o que deprime o nível de compras, segundo a Anfavea. Principalmente quando se considera que aproximadamente 60% das vendas de automóveis são realizadas mediante financiamento, acrescenta o comunicado.
Parte da redução de crédito pode ser atribuída ao aumento da inadimplência, o que deixa os bancos mais cautelosos, segundo o presidente da Serasa Experian, Ricardo Loureiro. Ele diz que muita gente se empolgou com a oferta recente de crédito e perdeu o controle dos gastos e grande quantidade de consumidores já atingiu o limite.
Pelos seus cálculos, os brasileiros apresentam hoje um comprometimento de renda de 22% – bem acima, por exemplo, dos 16% dos americanos, o que significa que o crédito está mais barato, mas quem gastou mais do que devia não pode agora se beneficiar. Estatística da Serasa revela que 90 milhões de brasileiros foram consultados, em 2011, para a realização de 350 milhões de negócios e 22,4 milhões de pessoas entraram na base de inadimplentes.
Isso explica em parte a constatação do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, de que o crédito no país tem crescido em ritmo mais lento do que o esperado. Em seminário esta semana, no Rio de Janeiro, sobre metas de inflação, ele manifestou que as instituições estão “excessivamente severas” no processo de concessão de crédito, mas confia em que a melhoria do cenário econômico, a partir de agora, possibilite uma evolução do crédito, neste ano, em torno de 15%.
Sobre as preocupações do setor automobilístico, especificamente, Tombini enfatizou que a concessão de crédito para financiamento de veículos deve voltar a crescer no futuro, uma vez que a inadimplência, que tem limitado o crédito para vendas do setor, tende a se estabilizar com o maior crescimento da economia, no meio do ano, e recuar nos meses seguintes. Ele até usou um jargão do setor ao dizer que a economia vai “pegar tração” ao longo do ano. Informações da Agência Brasil.
O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve decidir nesta segunda-feira, 14, um pedido da defesa do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, para que ele seja dispensado de prestar o depoimento marcado para a terça-feira na CPI do Cachoeira. Na ação protocolada no STF na semana passada, os advogados alegam que Cachoeira não deve comparecer à CPI antes de conhecer os documentos que servirão de base para as indagações dos parlamentares.
Para tentar convencer o Supremo, a defesa citou decisões anteriores do tribunal que dispensaram pessoas de prestar depoimentos a CPIs. Os advogados afirmam que Cachoeira será ouvido na condição de investigado e que, portanto, é necessário que conheça todas as provas que servirão de base para as perguntas dos integrantes da CPI.
Antes de protocolar o pedido de habeas corpus no STF, a defesa de Cachoeira, que está a cargo do ex-ministro da Justiça Márcio Thomas Bastos, tinha solicitado ao presidente da CPI, senador Vital do Rego (PMDB-PB), que fornecesse as informações. No entanto, o requerimento foi negado. Segundo os advogados, Cachoeira está "impedido de conhecer com inteireza o que pesa contra ele".
A defesa sustenta que para decidir se vai falar ou se vai silenciar na CPI o bicheiro precisa conhecer o material. "De toda sorte, para decidir se fala ou se cala, ele precisa antes saber o que há a seu respeito", afirmam. Os advogados pedem que o STF conceda uma liminar para adiar o depoimento para que Cachoeira "não seja compelido, antes de ter ciência das provas a ele vinculadas, a permanecer em silêncio contra seus legítimos interesses, ou a apresentar versão sobre fatos e provas que não conhece apropriadamente". Informações do Estadão.
OPERAÇÃO MONTE CARLO O pior não passou
Da redação em 14/05/2012 02:52:00
Fabiana Pulcineli, O Popular
Até o início da semana passada, o grupo responsável pelo gerenciamento da crise provocada pelo caso Cachoeira no governo estadual vinha repetindo: “O pior já passou”. Julgavam que, nas gravações a que tiveram acesso, nada mais havia de indícios que pesassem contra o governador Marconi Perillo (PSDB) e que era hora de investir nas estratégias para mostrar serviço e superar o mau momento.
A semana, porém, foi de sucessivos reveses para o governo. Não só apareceram fatos novos sobre a relação de Marconi com Cachoeira – no caso da negociação da casa no Alphaville –, como ganharam força os efeitos políticos do desgaste gerado pela Operação Monte Carlo no governo. Distanciamento e falta de apoio de aliados de peso, cobranças, ameaças e dificuldades na troca de secretários servem de alerta para o risco de isolamento político de Marconi, que pode ser intensificado nas próximas semanas, a depender das reações do governo e dos desdobramentos do caso no Congresso.
A começar por Brasília, onde o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), declarou que o comparecimento de Marconi à CPI é necessário e inevitável – “ele mesmo pediu para ser ouvido”, alegou –, o governador tem visto poucas vozes em sua defesa. Na quinta-feira, quando foi um dos principais alvos de parlamentares durante o depoimento do delegado da Polícia Federal Matheus Mella à CPI, o governador ligou para um deputado do PTB do Pernambuco para agradecê-lo pelo pedido de cautela em relação à cobrança pela convocação urgente do tucano. Do seu partido, ninguém ousou bater boca com os parlamentares mais enfáticos contra o tucano.
Em Goiás, Marconi estaria tranquilo com uma CPI formada por maioria governista. Estaria, não fosse o “minimovimento” deflagrado semana passada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Jardel Sebba, e pelo líder do Governo, Helder Valin, ambos tucanos, em ataques a parte do secretariado do governo. Ambos prometem apresentar projeto de lei que impõe que, para assumir alguns cargos de primeiro e segundo escalões, auxiliares do governo tenham no currículo uma disputa eleitoral.
Por mais que Jardel diga que Marconi atende bem os aliados e não é alvo de chantagem, o levante contra os auxiliares desgasta apenas o governador. Reforça a ideia de que não há comando e de que o governo está inerte, paralisado, com a crise.
Essa imagem se fortalece também nas discussões internas sobre mudanças no secretariado. Marconi parece engessado. Preso a compromissos políticos e ao delicado momento, em que busca manter firme sua base de sustentação, mostra-se vacilante nas definições. Passa a impressão de não ter forças para alterar o que não funciona bem nem para colocar fim a divergências internas. Por outro lado, alguns auxiliares manifestam desejo de deixar o governo diante do horizonte de dificuldades políticas e de gestão.
Os reflexos das denúncias também atingem em cheio o processo eleitoral deste ano. O governador sofreu grande queda da popularidade em Goiânia, como mostrou a pesquisa Serpes/O POPULAR na terça-feira, e os efeitos já se alastram, ainda que em menor velocidade, para o interior, segundo relatos de aliados.
Fragilizado pelos desgastes e ainda travado nos investimentos e realizações, o governo começa a sofrer perdas de aliados no interior. Candidaturas estão sendo abortadas e há mudanças no quadro eleitoral.
E as cobranças não surgem apenas no meio político. Há queixas entre empresários, sindicalistas e servidores públicos, diminuídas no caso destes últimos com reposições salariais. É como um organismo em período de baixa imunidade: ou é medicado e se recupera logo ou torna-se porta aberta para outras doenças. Sinal de que o pior ainda pode estar por vir.
Não bate
Marconi disse ao Jornal Nacional na sexta-feira que não leu o emitente dos cheques em valor total de R$ 1,4 milhão, mas que não haveria problemas em vender a casa no Condomínio Alphaville para Cachoeira. Completou que a negociação foi legal, declarada à Receita. Está certo. Ele tem mesmo o direito de vender bens particulares para quem quiser. O problema no caso são as informações desencontradas, mal explicadas e as evidências (apresentadas na semana passada pelo delegado da Polícia Federal) de que a venda foi de fato para Cachoeira. Se confirmado, o governador teria escondido a informação. A troco de quê?
O diretor Kirk Jones precisou repreender diversas vezes Jennifer Lopez, 42 anos, durante as filmagens do filme "O Que Esperar Quando Você Está Esperando". De acordo com o site "Wenn", a atriz não parava de agarrar o brasileiro Rodrigo Santoro, 36.
"Todo o elenco estava com inveja de mim", afirmou Jennifer. "Nós éramos um casal afetuoso e nosso diretor muito britânico ficava mandando a gente parar”.
Acho que ele ficou desconfortável com as demonstrações públicas de afeto", comentou. "Ele dizia: ‘Acho que vocês não precisam se abraçar e beijar tanto!‘. A gente falava: ‘Não, somos latinos e muito afetuosos”.
Segundo o site F5, da Folha de S. Paulo, Jennifer disse ainda que o diretor pediu para eles baixarem o tom. "A instrução dele para a gente era parar de nos agarrarmos!", brincou. A comédia romântica deve estrear em 3 de agosto no Brasil.
No depoimento que prestou à CPI do Cachoeira, o delegado Matheus Mela Rodrigues afirmou que o grupo do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, usava mais de 60 rádios Nextel, um tipo de telefone supostamente à prova de grampos, para manter conversas secretas. Segundo o delegado, a criação do chamado Clube Nextel, com aparelhos habilitados nos Estados Unidos, foi um erro crasso da organização. A falha nesse prosaico detalhe permitiu à Polícia Federal avançar nas operações Vegas e Monte Carlo, duas das mais devastadoras investigações criminais realizadas nos últimos anos.
— Foi um erro grosseiro (o uso do Nextel) — afirmou Rodrigues.
Sem saber que as conversas poderiam ser interceptadas, os integrantes do clube foram flagrados falando sobre fraudes em licitações, corrupção de agentes públicos, sequestro de desafeto, manobras políticas escusas e até de tráfico de influência no Superior Tribunal de Justiça (STJ). As investigações já resultaram na criação da CPI do Cachoeira e podem levar à cassação dos mandatos do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e dos deputados Carlos Leréia (PSDB-GO) e João Sandes Júnior (PP-GO).
As duas operações também já resultaram no afastamento de diretores da Delta Construções que, com a imagem arranhada por suposto envolvimento no escândalo, foi posta à venda. O delegado falou sobre os erros do Clube Nextel ao responder perguntas do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) sobre o assunto.
— Acho até que os vínculos com o Clube Nextel já deviam ser suficientes para indiciamento — sugeriu o deputado.
Entre os mais ilustres membros do clube estão Demóstenes e Leréia. O uso do aparelho era um sinal de distinção na organização. Numa das conversas interceptadas, um dos suspeitos deixa claro que a perda da confiança num determinado integrante da organização implicaria o confisco do telefone especial. Cachoeira e seus cúmplices acreditavam que os aparelhos Nextel não poderiam ser grampeados porque as linhas eram habilitadas nos Estados Unidos. Um pedido de interceptação poderia demorar mais de um ano para chegar às autoridades americanas.
Mas, ao invés de pedir a instalação dos grampos no escritório da companhia telefônica nos Estados Unidos, a polícia decidiu interceptar as ligações a partir das torres de retransmissão brasileiras. Com a estratégia, a PF pôde captar, com relativa tranquilidade, as conversas de Cachoeira entre 2008 e 2009; depois, em 2011; e também no início deste ano. Foram mais de 60 mil ligações telefônicas gravadas na Vegas, e 259.949 na Monte Carlo. Pela análise da polícia, em 16.679 delas o grupo de Cachoeira fala de jogo e corrupção.
O uso do Nextel teria sido sugerido pelo sargento da reserva da Aeronáutica Idalberto Matias, o Dadá, considerado, até recentemente, um dos mais preparados agentes dos serviços de informação oficiais do país.Informações de O Globo.
A oposição apresentará na reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira de terça-feira, requerimento para que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF) compartilhe as quebras de sigilos bancário e fiscal do empresário goiano, Carlinhos Cachoeira, e da Delta Construções. O empresário é investigado pelo Ministério Público de comandar um suposto esquema de corrupção e exploração de jogos ilícitos.
A pedido do Ministério Público, o TJDF decretou a quebra dos sigilos no fim da semana passada. O requerimento é uma decorrência da análise dos documentos encaminhados pela Polícia Federal a partir da Operação Saint-Michel que investigou a atuação do empresário e da Delta na disputa de um contrato de bilhetagem eletrônica do transporte público no Distrito Federal.
"Essa decisão fortalece o requerimento já apresentado na CPMI de quebras dos sigilos de Carlinhos Cachoeira e da Delta que ainda não foram deliberados", disse o líder do PSDB à Agência Brasil. Amanhã (12), às 17h, PSDB, DEM e PSOL devem se reunir para "afinar o discurso e a linha de ação nos trabalhos da comissão", acrescentou Dias.
O advogado Márcio Thomaz Bastos, representante legal de Carlos Augusto Ramos, Carlinhos Cachoeira, disse que seu cliente invocará o direito constitucional de permanecer em silêncio, durante o depoimento marcado para terça-feira, na comissão de inquérito. Essa medida será tomada, caso o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, indefira o pedido de adiamento dessa audiência pública.
O pedido de habeas corpus para seu cliente foi impetrado na sexta-feira (11), STF. Bastos requer, no habeas corpus, liminar à Suprema Corte para que o presidente da CPMI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), suspenda a oitiva de Carlos Cachoeira até o julgamento do mérito da solicitação. "Se ele não tiver acesso a toda documentação vai invocar o direito constitucional de não responder aos questionamentos dos parlamentares", disse o advogado à Agência Brasil.
O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), considerou "positiva" a iniciativa de se requerer as quebras de sigilos de Cachoeira e da Delta, decretadas pelo TJDF. "Tudo que for feito para o esclarecimento dos fatos é positivo". Informações do Terra.
Na base da raça e da recuperação, após um primeiro tempo irreconhecível, o Internacional derrotou o Caxias por 2 a 1, de virada, no Beira-Rio, e sagrou-se campeão gaúcho de 2012. Sandro Silva e Leandro Damião deram o título estadual ao Colorado, com gols no segundo tempo, depois de Michel abrir o marcador para os visitantes na etapa inicial. Na primeira partida da decisão, em Caxias do Sul, no domingo passado, os dois times tinham empatado em 1 a 1.
No Paraná, quem festeja é a torcida do Coritiba, tricampeão estadual. A vitória foi dramática, nos pênaltis, após empate em 0 a 0 com o Altético-PR. Guerrón, destaque da equipe rubro-negra e artilheiro do campeonato, desperdiçou sua cobrança e o Coxa ficou com o título.
Em Santa Catarina, o dono do troféu é o Avaí, que no primeiro jogo já derrotara o Figueirense por 3 a 0 e construíra enorme vantagem para a segunda partida. No Estádio Orlando Scarpelli, casa do adversário, o Avaí venceu novamente, desta vez por 2 a 1, e se tornou o maior vencedor do estado, com 16 títulos contra 15 do rival alvinegro.
Do Sul para o Nordeste. O empate emocionante em 3 a 3 deu ao Bahia o título baiano em cima do Vitória. Foi o fim de um jejum de dez anos sem ganhar o Estadual. Os gols no Estádio da Pituaçu, em Salvador, foram marcados por Neto Baiano, aos 4 minutos, para o Vitória, e Fahel, aos 8, e Gabriel, aos 46, para o Bahia, no primeiro tempo. Na segunda etapa, Neto Baiano empatou aos 7 e Dinei virou para o rubr-negro em seguida, aos 9. Diones devolveu a igualdade no placar e ganratiu a conquista tricolor aos 26.
Em Pernambuco, o Santa Cruz estragou a festa do Sport no dia do aniversário de 107 anos do clube rubro-negro. Após 0 a 0 no Arruda, no domingo passado, o tricolor venceu por 3 a 2,na Ilha do Retiro, e se tornou bicampeão, para somar agora 26 títulos estaduais. Os gols do jogo: Branquinho, 12‘/1ºT (0-1); Moacir, 13/1ºT (1-1); Dênis Marques, 39‘/2ºT (1-2); Luciano Henrique, 29‘/2ºT (1-3); Edcarlos, 35‘/2ºT (2-3). Informações de O Globo.
O anúncio de medidas em benefício de mulheres e crianças deu o tom do pronunciamento à nação feito pela presidente Dilma Rousseff neste domingo (13), Dia das Mães. Ela destacou que o plano, lançado em ano eleitoral, dará maior atenção às regiões Norte e Nordeste, onde se concentram a maior parte das famílias em extrema pobreza.
"78% das crianças brasileiras em situação de pobreza absoluta vivem nessas duas regiões, e 60% delas estão no Nordeste. Ou seja, regiões mais pobres, crianças mais desprotegidas, mães e pais entregues historicamente à sua própria sorte", afirmou a presidente em mensagem transmitida em rede nacional de televisão e rádio.
Chamado de "Brasil Carinhoso", o programa é dividido em três eixos e prevê, por exemplo, a garantia de uma renda mínima de R$ 70 a cada membro das famílias extremamente pobres com pelo menos um filho de até seis anos. "É uma ampliação e um reforço muito importante ao Bolsa Família", justificou a presidente.
A intenção é que governos federal, estaduais e municipais se empenhem na missão de erradicar a miséria no país - segundo Dilma, essa é a "principal bandeira" de seu governo.
"O ‘Brasil Carinhoso‘ faz parte do grande programa Brasil sem miséria, que estamos desenvolvendo com sucesso em todo o território nacional, e será a mais importante ação de combate à pobreza absoluta na primeira infância já lançada no nosso país", disse a presidente.
O plano quer também ampliar a cobertura de programas de saúde para crianças de até seis anos, aumentando o controle de doenças como anemia e deficiência de vitamina A nessa faixa etária, e garantindo remédio gratuito contra asma em unidades de farmácia popular.
A presidente afirmou ainda que o governo vai ampliar o acesso das crianças mais pobres a creches - a construção de novas unidades foi uma bandeira de sua campanha.
Segundo dados de 2010, apenas 23,6% das crianças entre 0 e 3 anos estão matriculadas em creches. Por meio do programa Proinfância, a intenção do governo é construir 6.427 unidades até 2014. De acordo com dados do Ministério da Educação, desse total, 411 unidades foram concluídas
O pacote de benefícios vai ser detalhado amanhã em cerimônia no Palácio do Planalto.
1º DE MAIO
O último pronunciamento nacional da presidente ocorreu no Dia do Trabalho, há duas semanas, quando Dilma elevou o tom e cobrou dos bancos privados uma redução mais expressiva das taxas de juros.
"Os bancos não podem continuar cobrando os mesmos juros para empresas e para o consumidor, enquanto a taxa básica Selic cai, a economia se mantém estável e a maioria esmagadora dos brasileiros honra, com presteza e honestidade, os seus compromissos. O setor financeiro, portanto, não tem como explicar essa lógica perversa aos brasileiros", afirmou na ocasião.Informações da Folha.com
Neymar e Santos não estiveram num dia inspirado, mas fizeram o suficiente para garantir o título do Campeonato Paulista. A Joia esteve bem marcada, mas ainda assim fez dois gols na vitória do Peixe sobre o valente Guarani, por 4 a 2, no Morumbi, que garantiu o terceiro troféu seguido do Estadual.
A partida no Morumbi começou a todo vapor. Logo no primeiro minuto, Neymar fez bela jogada e lançou Elano, que cruzou rasteiro para Alan Kardec se jogar e colocar a bola nas redes: Peixe 1 a 0. O Guarani, porém, não se intimidou e empatou em seguida. Danilo Sacramento recebeu ótimo lançamento de Domingos e chutou cruzado. O goleiro Rafael não conseguiu segurar e Fabinho, no rebote, igualou o placar.
Desta vez, foi o Santos que não se abalou. Logo na saída, Juan invadiu a área pela esquerda e cruzou para área, mas a bola bateu na mão de Fábio Bahia. Na cobrança do pênalti, Neymar bateu com extrema categoria para colocar o Santos na frente. Mas o Bugre de Vadão seguia indo para cima, e conseguiu a igualdade em outro vacilo da defesa santista. Fabinho cruzou rasteiro, Durval furou e a bola sobrou para Bruno Mendes bater para o gol: 2 a 2, com apenas 16 minutos de partida.
Neymar venceu o duelo com Domingos e conquistou o Paulistão | Foto: Alan Morici / Agência O Dia
A partir daí, o Guarani passou a se impor e dominar as ações do jogo. A equipe de Campinas abafava a saída de bola do Santos e impedia que Neymar recebesse em condições de perigo. Com um ritmo rápido, os bugrinos criavam boas chances, mas Rafael conseguiu duas ótimas intervenções, primeiro numa cabeçada de Bruno Mendes, e depois ao cortar um cruzamento de Medina, e garantiu o empate no primeiro tempo.
O Santos, por outro lado, não conseguia diminuir o ritmo da partida. Ganso estava apagado e Neymar passou a se irritar com a dificuldade encontrada. O craque recebeu cartão amarelo por uma entrada dura em Bruno Peres. Depois, ainda se estranhou com Domingos ao ser desarmado.
Na segunda etapa, porém, o Peixe voltou mais ligado na partida e voltou a equilibrar o confronto. Ganso assustou com um chute na entrada da área, logo aos quatro minutos, para mostrar que a história seria diferente.
Entretanto, o Guarani seguia abusando da velocidade para ameaçar o gol santista. Fabinho criava boas jogadas, mas o Bugre já não tinha o mesmo domínio territorial da primeira etapa.
Além disso, o Santos tinha Neymar, e quem tem a Joia sempre está mais perto da vitória. Aos 26 minutos, Juan fez bela jogada pela esquerda e cruzou para o camisa 11, que chutou forte, sem chance para Emerson: 3 a 2 para o Peixe.
A partir daí, o Santos diminuiu de vez o ritmo e passou a administrar a vitória. O Guarani continuava tentando e chegou a assustar com Fabinho e Danilo Sacramento, mas, no fim, em contra-ataque, Alan Kardec recebeu livre, fez 4 a 2 e iniciou de vez a festa do Tricampeonato Paulista do Peixe. Informações de O Dia.
Procurador-geral da República, Roberto Gurgel: identificando pressão petista
A. C. Scartezini, Jornal Opção
Não deu outra. Às vésperas do início do julgamento do mensalão, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, aguçou o seu contencioso com o PT ao atribuir a mensaleiros a pressão pela sua presença na CPI do Cachoeira. “O que nós temos são críticas de pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão”, afirmou Gurgel aos jornais, como se não temesse a pressão do PT, que considera represália.
O desafio de Gurgel foi aceito pela turma petista de José Dirceu, a mais interessada em chamar o procurador à CPI para um acerto de contas. No confronto, de um lado, o procurador que classificou Dirceu como “chefe da quadrilha” do mensalão ao entregar ao Supremo Tribunal Federal, a denúncia da Procuradoria-geral sobre os mensaleiros, no início de julho do ano passado.
No outro canto do ringue, os petistas vingadores ligados a Dirceu. Fora do Congresso, corre o presidente do PT, Rui Falcão, a exigir a convocação do depoimento de Gurgel porque “nenhuma pessoa deve estar acima da lei.” Na CPI, destacam-se no ataque ao procurador mais dois paulistas, deputados Paulo Teixeira e Cândido Vaccarezza — o segundo, líder do governo na Câmara afastado pela presidente Dilma Rousseff há dois meses.
A destituição de Vaccarezza reduziu o poder de fogo de Zé Dirceu, o que o ex-líder tenta compensar com a agressividade de sua metralhadora verbal, como ao reconhecer, agora, que são um recado ao PT as declarações de Gurgel para justificar sua resistência a ir à CPI:
— Ele não tem autoridade para mandar recado ao PT, tem que deixar de ser arrogante.
Também petista, mas não exatamente ligado a Dirceu, entrou no ringue o deputado gaúcho Marco Maia. Com a autoridade de presidente da Câmara, Maia comprou a briga com Gurgel. “Atribuo as declarações do procurador ao calor e emoção do debate”, simulou Maia compreensão, mas, brabo, em seguida desafiou Gurgel a comparecer à CPI:
— Nenhum cidadão está acima da lei e tem que dar explicações de seus atos. Principalmente quem exerce função pública, esteja na procuradoria ou em qualquer outro cargo.
Na CPI, o partido se confronta até consigo mesmo
Na realidade, há dois PTs presentes na CPI com seus representantes. Um deles, o de Dirceu. O outro, ligado ao Planalto, é mais moderado. O líder do PT no Senado, baiano Walter Pinheiro, não tem pressa na discussão sobre a convocação ou não do procurador:
— Desde o início, acertamos com o relator Odair Cunha o relatório de depoimentos. A decisão do que fazer será depois. Haverá um ajustamento.
Na mesma posição, o senador pernambucano Humberto Costa (PT), relator do caso Demóstenes Torres no Conselho de Ética do Senado, recomenda que a CPI, ao contrário do que deseja Dirceu, não coloque o seu foco no procurador Gurgel, e sim em Carlinhos Cachoeira:
— A reação dele (Gurgel) foi totalmente destemperada, mas não há elementos nem existem razões que justifiquem a vinda dele à CPI e ao Conselho de Ética.
Como relator da CPI, o deputado mineiro Odair Cunha (PT) joga numa posição intermediária. Aceita que o procurador se manifeste por escrito ao grupo, sem estar presente:
— Tratamos de questões substantivas, questões adjetivas não nos interessam. O procurador pode escolher a forma como explicar porque não pediu a abertura de inquérito em 2009, quando recebeu da Polícia Federal o resultado da Operação Vegas.
O procurador explicou, mas alguns não entenderam
A verdade é que Gurgel explicou antes a repórteres porque não pediu a abertura de inquérito naquela época, ao receber gravações telefônicas que comprovavam a relação íntima de negócios entre Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira. Se ele abrisse o inquérito, chamaria a atenção de outros políticos também envolvidos no esquema. Por isso, preferiu esperar pelo resultado da Operação Monte Carlo, que veio a seguir.
Em março do ano passado, a polícia obteve a quebra de sigilo telefônico de outros políticos da trama. Daí, em fevereiro último a polícia possuía elementos para iniciar a prisão de envolvidos, a começar por Cachoeira no dia 29. Então, pode agora instaurar o inquérito com o envolvimento de mais pessoas, sem o risco de fuga de alguém até agora mencionado. Enfim, para ganhar tempo, não precisava mais alegar que não dispunha de provas suficientes.
Por tudo isso, a mulher e colega de trabalho de Gurgel, subprocuradora Cláudia Sampaio, esteve com o delegado Raul Alexandre Marques Souza e informou que a procuradoria não dispunha de elementos para dar continuidade ao caso. Era outubro de 2009. Agora, na terça o delegado foi o primeiro a depor na CPI. Disse que Gurgel não tocou as investigações depois de receber o relatório da Vegas, que envolvia Demóstenes e os mais dois deputados federais goianos. Estava mal informado.
Nas declarações a jornalistas, Gurgel não foi tão claro como está aqui. Nem poderia, por razões técnicas, não políticas. A mesma razão técnica o impede de ir à CPI: por lei, não pode se manifestar sobre inquéritos em torno dos quais se pronunciará mais tarde como procurador. Além disso, o sucesso da continuidade das operações Veja e Monte Carlos atestam a eficácia da lógica do comportamento de Gurgel.
Política como catarse de tragédia grega
Se o PT de Zé Dirceu não aceita a lógica porque deseja manipular a CPI para tentar anular o julgamento do mensalão, a oportunidade abre espaço à oposição no bom combate. Se o confronto é inevitável, a oposição, que não desejava a CPI, pode se valer da comissão para desgastar os governistas. A prazo mais curto do que médio, oposicionistas podem sair no lucro já nas eleições de prefeitos e vereadores em outubro.
Ao se despirem de máscaras no palco da CPI e se exporem em confrontos reais, os atores políticos purificam a si e aos espectadores na medida em que a catarse coletiva desnuda a simulação teatral e introduz em cena a vida como ela é. À oposição, em minoria, a radicalização pode ser um bom combate na arena contra a maioria governista — esmagadora, mas vulnerável por ser capaz de rachar internamente.
Ao governo, o combate vivo pode não interessar tanto, mas foi o PT de Lula que arregaçou as mangas e foi à luta. Os aliados, ou parceiros, não estavam nem aí para a criação da CPI, mas cederam, mais para não contrariar a liderança do PT sobre a base aliada do que por espírito de corpo. Houve uma coalizão de interesses em tom mais fisiológico do que espontâneo, num processo que pode terminar em mau negócio entre eles.
É possível a um governo poderoso ficar no prejuízo quando se envolve em disputa que, no frigir dos ovos, passa a ocorrer de forma intensa e demorada contra uma minoria. Algo assim como um Vietnam ou Iraque que irrompe na política interna, com conflitos que, apesar de provocados, não deveriam deixar o nível doméstico e se expandir. A perda de estabilidade e sossego em temporada eleitoral pode ser crucial aos aliados de Dilma.
A conta pode sobrar exatamente a quem mais parece se preocupar com a manutenção da estabilidade — ou governabilidade, como ela prefere —, a presidente Dilma, que, como a oposição, não desejou a CPI, que lhe foi imposta durante uma curta ausência do país. Num ambiente ingrato, onde uma palavra de ordem vinda de São Bernardo do Campo é capaz de mudar um projeto de governo, cabe agora a Dilma administrar o problema que não criou.
A solidariedade no Supremo
A visível manobra petista para comprometer a qualidade do julgamento do mensalão chega em cheio ao Supremo, como se o tribunal pudesse ser manipulável por fatos externos. Se o tribunal deverá ser o novo palco do produto que Zé Dirceu tenta embalar na CPI do Cachoeira, a catarse poderá seguir junto e colaborar na purificação dos 11 ministros da casa — onde se desconfia de presenças pouco interessadas em julgar o mensalão.
Começa que as suspeitas que se tecem na CPI e arredores a respeito do comportamento de Roberto Gurgel levantam no Supremo uma rede de solidariedade ao procurador. “Não há porque convocá-lo para explicar atribuições constitucionais”, sentencia o relator do mensalão no tribunal, Joaquim Barbosa. “É um agente que goza do mais alto grau de independência funcional, o titular da ação penal.”
Outro ministro que rompe o comportamento discreto que se espera de juízes e diz alguma coisa a respeito de um processo que julgará é Gilmar Mendes. Quando perguntaram se a ofensiva contra Gurgel tem a ver com o julgamento do mensalão, Mendes respondeu positivamente:
— Eu tenho a impressão de que sim. Há uma expectativa em torno disso e pescadores de águas turvas, pessoas interessadas em misturar excitações, em inibir órgãos que estão funcionando normalmente.
Há a consciência de que o processo conspirativo em desenvolvimento na CPI tem tudo para chegar ao Supremo depois de passar pela procuradoria. Inclusive, a primeira manifestação de Demós-tenes quanto a existência de gravações ocorreu num discurso no Senado há três anos, quando denunciou a captura telefônica de uma conversa entre ele e Gilmar Mendes. Ficou a dúvida: o grampo ocorria no telefone do ministro ou no do senador?
Na época houve uma varredura na central telefônica do tribunal e que não localizou problema no aparelho de Gilmar Mendes. Era a Operação Vega seguindo os passos de Demóstenes. E a conversa entre ele e o ministro? Envolvia a Celg, centrais elétricas de Goiás. Enfim, a convocação do procurador a comparecer é um caso que pode terminar no Supremo, por iniciativa do PT ou do procurador.
A mídia como vítima do mensalão, CPI e eleições
A combinação entre o julgamento do mensalão, o início da trilha da CPI do Cachoeira e o aquecimento da campanha municipal coloca a mídia como vítima do tiroteio de redes sociais simpáticas ao governo de uma forma que provocou uma reação inédita nas relações internas da chamada grande imprensa: o jornal “O Globo” dedicou seu editorial mais nobre de terça-feira à defesa da revista “Veja”.
Editorial com um título sugestivo:”Roberto Civita não é Rupert Murdoch”. Título também inédito ao incluir o nome de pessoas, circunstancialmente dois capitães concorrentes na indústria midiática. Civita, responsável pela Abril, editora da “Veja”. Murdoch, o australiano-americano que enfrenta, na Inglaterra, um paredão por causa da invasão de privacidade alheia por um de seus jornais, o “News of the World”, que o dono fechou face ao escândalo.
A denúncia do editorial tem a ver com noticiário de televisão e jornais governista que, no fim de semana anterior, compararam Civita a Murdoch por causa das trocas de telefonemas captadas pelas escutas da polícia federal entre Cachoeira e a redação da “Veja” na pessoa do jornalista Policarpo Júnior. Noticiários governistas com ampla repercussão de apoio em redes sociais simpáticas ao controle da mídia privada e a candidatos do PT – como em São Paulo.
No entanto, é lícito a jornalista manter contatos com criminosos em a busca de informação. Tome-se a reportagem da “Veja” que exibiu Zé Dirceu fazendo lobby num hotel em Brasília, onde recebia ministros de Dilma para tratativas. As misteriosas fotos a respeito, feitas sem o conhecimento do hotel,l foram gentilmente cedidas à revista por Cachoeira. Nada demais. Se envolvam pessoas públicas, sequer poderiam constituir invasão de privacidade.
PT e Fernando Collor se unem contra a “Veja”
Na última quinta, informa o repórter Ilimar Franco, depunha na CPI do Cachoeira, em sessão secreta, o delegado federal Matheus Mella Rodrigues quando o relator indicado pelo PT, deputado Odair Cunha, interrogou o policial para saber se o repórter Policarpo Júnior “praticou” ou “participou” de crime. Resposta curta e grossa do delegado: “Não!”.
Na terça, o delegado federal Raul Marques Souza, a primeira pessoa a depor ali já dissera ali que as gravações não comprometem nenhum jornalista. A primazia da pergunta coube então ao senador alagoano Fernando Collor (PTB), magoado com a imprensa, em especial a “Veja”, por motivos óbvios. Ele insistiu em ouvir do delegado se Cachoeira encomendava matérias à revista. Souza confirmou a existência de gravações que envolviam Policarpo, mas eu o conteúdo era contatos repórter e fonte.
Tanta é a evidência de Policarpo por conta da troca de uns 200 telefonemas com Cachoeira, mais as fotos de Zé Dirceu no hotel, que, na noite de segunda-feira, o pessoal do PT na CPI se reuniu e discutiu a atuação do repórter. Falou-se em quebra de sigilos bancário e fiscal do jornalista. O Planalto já pediu que o pessoal do PT na CPI, em particular a turma de Zé Dirceu e Lula deixem os jornalistas em sossego.
Os compromissos de um jornalista sem censura
Ter um criminoso ou um governante se como fonte de informação é corriqueiro na atividade de uma redação. Por que um repórter não poderia manter contatos com um ditador sanguinário para obter informações a serem levadas ao público? Esse contato não configura, necessariamente, adesão, troca ou outro compromisso escuso. Haverá problema na relação se envolver troca a de interesses ilícitos.
Enfim, a definição da relação adequada entre um jornalista e suas fontes é algo que compete ao profissional e sua consciência pessoal. Não há lugar decente para a intervenção do tal controle social exercido por quem nunca pisou numa redação, não foi repórter e ignora o que seja sair à rua em busca de informações para levar ao seu público. Se houver transgressão do jornalista, é só chamar a polícia e depois o juiz resolverá a questão.
Há também a questão da relação entre empresas de mídia. Quando “O Globo” dedica um editorial duplamente inédito à concorrente, evidentemente está se autoprotegendo, pois todos os veículos estão sujeito ao patrulhamento que nem sempre se origina do público consumidor habitual do produto de cada um deles. No caso que se examina aqui, a tentativa de controle — ou de ameaça — origina-se de grupos de militantes ou simpatizantes.
É comum as associações de empresas de mídia reagirem em conjunto com notas/manifestos quando se consideram agredidas como pessoa jurídica ou na figura de um de seus empregados. Nada demais, os sindicatos de trabalhadores fazem a mesma coisa. Todos possuem sua flama corporativa, que só não deve se acender em situações ilícitas. Se houver abuso, é chamar a polícia ou o Procon.
Se cassar Demóstenes, Lula terá êxito que Geisel não teve
A unanimidade de 15 votos contra Demóstenes Torres no Conselho de Ética do Senado garantiu a abertura de um processo contra ele, mas se o ex Lula conseguir que esse resultado se transforme na cassação final do mandato do senador, será autor de uma proeza que nem a ditadura conseguiu quando o poderoso general Ernesto Geisel não teve sucesso ao pressionar a casa para cassar o pernambucano Wilson Campos.
Apesar da gravação de uma reunião onde a voz do senador Wilson Campos pedia propina à empresa Moreno para ajudar na liberação de um financiamento junto ao Banco de Desenvolvimento de Pernambuco, o Senado absolveu o colega da Arena na votação secreta no plenário, contra toda a pressão da ditadura do general Geisel, que se viu forçado ele próprio decretar a cassação pelo famigerado AI-5.
A aparência de abertura política com que Geisel procurava operar o poder o levou a recomendar ao partido do governo, a Arena, a cassação do mandato de Campos pelos próprios colegas em 1975. O general sabia pressionar, mas não entendia de manha e corporativismo parlamentar. No momento da votação, ao se defender no processo, Campos se ajoelhou diante dos colegas e jurou pela sua mãe ser inocente. Foi absolvido.
O Senado absolveu e entrou no recesso de meio de ano. Ao começar a folga, em 1º de julho, Geisel assinou a cassação de Campos. A primeira e única vez em que o Senado cassou um dos seus ocorreu com o brasiliense Luiz Estevão (PMDB), acusado na CPI do Judiciário pelo desvio de verbas para sua construtora na obra do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo. Cassado por 52 votos contra 18 e 10 abstenções, em 2000.
Os desígnios de véspera de recesso no Senado
Não foi uma coincidência. Wilson Campos e Luiz Estevão receberem o julgamento final dos colegas nas vésperas do recesso. Hoje, a folga começa em 17 de julho e a tradição de véspera pode se repetir com Demóstenes Torres. É cômodo a senadores realizar votações decisivas no momento em que se iniciam as férias. Votam, saem de circulação e evitam contato direto com as repercussões junto aos insatisfeitos.
“Aqui não é uma casa de amigos”, confia o senador Randolfe Rodrigues (PSOL) que o Senado punirá Demóstenes, desapontado que está com o colega, seu companheiro na resistência ética, mas que, na verdade, estava do outro lado. Em seus 39 anos, ainda é novo no Congresso o senador de primeiro mandato nascido em Pernambuco como Randolph Frederich Rodrigues Alves e eleito no Amapá como Randolfe.
A votação no Conselho de Ética ocorre num ambiente de voto vigiado pela bancada mais de Lula do que do governo, com a participação de 15 senadores, entre eles com presidente e relatores selecionados entre governistas de confiança. No plenário, o voto é secreto, portanto solitário, entre 81 senadores que costumam estar maciçamente presentes porque não convém dar na vista com a ausência.
É um ambiente mais adequado ao voto corporativo do que ao racional. Mesmo que se dispense de ajoelhar e invocar a mãe, como Wilson Campos não dispensou, Demóstenes terá a oportunidade de estar, humildemente, a sós com os ainda colegas com um discurso e posturas ensaiadas para comover. É o teatro dos tribunais e dos parlamentos, que, ali no plenário despojado, confundem-se numa coisa só.
O promotor de Justiça Fernando Krebs acionou o ex-governador de Goiás Alcides Rodrigues e a ex-primeira-dama Raquel Mendes Rodrigues, por ato de improbidade administrativa. A ação se deu por conta da realização de 750 voos particulares nas aeronaves do Estado.
De acordo com Krebs, as viagens irregulares e ilegais, aconteceram entre 2006 e 2010 e foram, principalmente, para as regiões onde o casal possui residência. O promotor relata que teve acesso à agenda de compromissos oficiais do então governador e relatórios detalhados das viagens.
Analisando os documentos, soube-se que foram realizados 1348 voos nas aeronaves oficiais durante a gestão de Alcides, sendo que 750 foram com fins particulares. A primeira-dama, segundo o promotor, teve participação significativa nessas viagens, visto que figura como passageira única em 278 desses voos. Krebs aponta que o destino recorde, com 439 voos, foi Santa Helena, cidade natal do ex-governador e onde Raquel ocupava o cargo de prefeita.
Na ação, o promotor revela que outro município bastante visitado foi Rio Verde, com 11 voos, sendo que Alcides e Raquel detém uma fazenda na região. Para o promotor, as viagens irregulares ferem os princípios administrativos, em especial o da moralidade e da legalidade, bem como causaram lesão aos cofres públicos na ordem de aproximadamente R$ 4 milhões. Informações do jornal Opção.
O escândalo da máfia dos caça-níqueis abalou Mauriti, uma cidade cearense de 45 mil moradores, a quase 500 quilômetros de Fortaleza. Nesse município do sertão do Cariri fica um dos principais canteiros da transposição das águas do Rio São Francisco e da Delta, construtora citada no esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Há três anos, a empresa iniciou a obra de um trecho de 39 quilômetros de canal e passou a dar o ritmo do comércio, da política e até da agricultura local. Quando o escândalo veio à tona, no começo de abril, a construtora demitiu 80% dos seus mil operários no município, encostou os 145 caminhões, escavadeiras e tratores e rompeu contrato com as empresas agregadas, que saíram da cidade sem pagar as contas nas oficinas, lojas de autopeças e imobiliárias familiares.
Por causa do calote, a Delta e suas agregadas estão com nome sujo na feira da praça central, nas farmácias, nas mercearias e no setor mecânico. Vendas para diretores das empresas, só à vista.
Na Autopeças Mauriti, o dono proibiu a entrada dos homens do consórcio. Ericon Gomes de Lima, o proprietário, diz que sofreu um calote de R$ 27,6 mil, o que o teria obrigado a demitir um dos quatro funcionários da casa.
"Não foi uma surpresa ver a Delta envolvida nessa história na TV. Eu já tinha recebido cano no ano passado. Voltei a dar bobeira e negociar. Agora, o consórcio me deu um calote de R$ 27 mil", relata Lima. "Todas as agregadas chegavam para comprar em nome da Delta, que se nega a nos ajudar a receber. É um absurdo porque foi a Delta que trouxe para cá esse comboio de ladrões", diz. "Se meu funcionário rouba, eu sou o culpado."
Tratores. Antes da chegada da Delta a Mauriti, o mecânico João Alberto Rodrigues Silva, o Dedé do Crente, e o filho João viviam do conserto da patrola da prefeitura e de máquinas dos poucos fazendeiros da região. Nos últimos anos, pai e filho passaram a consertar 35 tratores por mês. A oficina São José se estendeu para a rua, para atender à nova demanda.
Desde a interrupção das obras do canteiro do Lote 6, a 20 quilômetros do centro, o serviço na oficina se reduziu. As empresas agregadas deram calote. Dedé e o filho ainda tentaram prender um trator para garantir o pagamento, mas a empresa pressionou e teve de liberar a máquina. "Vou começar tudo de novo", lamenta Dedé. João vive a mesma angústia do pai. "O cabra ficou sem as pernas", diz.
A oficina amarga um prejuízo de R$ 10,3 mil, segundo os donos. João afirma que, na cidade, logo que o escândalo estourou, ninguém lamentou pela Delta. "Pela construtora, a gente não está achando ruim, não. A nossa vontade é que uma outra empresa venha tocar a obra", ressalta.
Há um mês, um diretor do consórcio pediu a João e a Dedé para intermediar o aluguel de cinco casas na cidade. Pai e filho bateram nas portas dos vizinhos, mas, diferentemente de anos anteriores, os moradores só aceitaram contratos com pagamento à vista e de curta temporada. "Eu respondi para os diretores da Delta que a empresa não tem mais nome limpo e só terá aluguel com dinheiro na mão", conta Dedé.
Clima. Com a previsão de chuvas no início deste ano, o consórcio interrompeu os trabalhos nos canteiros. A gerência da Delta em Mauriti limita-se a dizer que a paralisação ocorre pelo problema das chuvas – que não molham o sertão desde dezembro.
A previsão de recomeçar a obra em abril, com nova leva de contratações, não ocorreu. Só ficaram cerca de cem homens para garantir a manutenção e a segurança das instalações do canteiro. Manilhas e peças viraram encosto de bois dos sítios vizinhos que, agora, pastam livremente na área antes movimentada. As máquinas de abrir o canal e quebrar pedras deixaram de fazer barulho. A "crise do britador", como o escândalo da máfia dos caça-níqueis é conhecida em Mauriti, é contabilizada no comércio. Alan Saraiva, dono de uma farmácia, diz que o faturamento com as vendas já caiu 20%. "A gente espera agora o seguro-desemprego para evitar mais prejuízo", afirma.
Em Quixabinha, povoado mais próximo do canteiro da Delta, a queda nas vendas chega a 80%. "Eu faturava R$ 100 por dia, mas agora não tiro R$ 20", afirma Jacinta Dantas, dona de uma pequena mercearia. O agricultor João Barbosa, que vende feijão e milho para a comerciante, diz que três filhos e dois genros perderam o emprego que tinham no canteiro. "Um bocado de filho meu foi cortado. O Chico, o Zilvan e o Erinaldo e os meus genros Valdério e Dodô não trabalham mais." Informações do Estadão.
Cícero Bezerra, Margareth Bicalho e Paulo Octavio com os alunos do curso de
informática
Damião, Carlos Alberto, João Alves, José Luiz, João Neri, Antonio Lopes, José Rodrigues, Cleilson, José Inácio e Rodrigo. Ou então Luiz Gonzaga, Romário, Reginaldo, Antonio Bernardo, Francisco, Marlon, Antonio Nunes, Lucivaldo, Edimilson e Kelson. Não são craques de futebol, mas seus nomes entraram para a história nesta sexta-feira (11 de maio). São trabalhadores das Organizações PaulOOctavio que erguem o JK Shopping & Tower, entre Taguatinga e Ceilândia, e que estão matriculados nas primeiras turmas de operários a aprender informática em um canteiro de obras no País.
A partir de agora, todos vão começar a viver um mundo novo. Ligar um computador não será mais um mistério. Ter um e-mail, navegar na internet e enviar ou receber uma fotografia de um parente distante será parte de suas vidas. O curso de informática básica, ministrado pelo professor Cícero Bezerra, do Senac, vai encurtar a distância que todos tinham do mundo digital. Para isso, eles assistirão 22 horas/aula, duas vezes por semana, das 17h30 às 19h30. Ao final do curso, terão as primeiras luzes do mundo digital.
Essa janela que se abre para a inserção entusiasma José Inácio Dias, o vigia diurno da obra. Em sua casa, os filhos têm computador, mas ele não passava nem perto. “Não era medo, mas indecisão. Queria aprender, mas não tinha tempo, pois chegava em casa cansado. Agora vai ser diferente, graças a esta chance. E a gente ainda pode crescer na obra aprendendo informática”, destaca. Perto dele, outro aluno, o auxiliar de almoxarifado Cleilson Silva Salazar Rezende, já sonha em aposentar o controle por caneta e papel e passar a trabalhar com um computador. “Com certeza, com este curso, vou me aperfeiçoar mais. Eu e meus colegas estamos muito motivados”, conta.
Para Paulo Octavio, presidente das organizações e idealizador do projeto, a ação pioneira é uma rotina nos canteiros de obra. “Há 22 anos, lançamos o primeiro curso de alfabetização nos canteiros, formando mais de 2 mil funcionários. Hoje, somos a primeira empresa a ter um curso para a ‘alfabetização’ digital. Essa nossa atitude terá vários reflexos, e um deles é melhorar a interlocução doméstica de pais e filhos, que hoje, inegavelmente, dominam com maestria esta tecnologia”, avalia PO, desejando que outras empresas do segmento copiem a iniciativa, como ocorreu com a alfabetização dos operários, nos idos de 1990.
O projeto é executado por professores do Senac, contratado pelas Organizações PaulOOctavio para ensinar os operários. Segundo Margareth Bicalho, gerente do Núcleo de Relações Empresariais da entidade, a iniciativa merece destaque. “Seria ótimo se todas as empresas usassem este projeto como exemplo. A qualidade de vida dos empregados será ampliada, pois eles aprenderão mais. Estamos muito felizes de participar deste projeto”, disse.
A iniciativa das Organizações PaulOOctavio mereceu elogios até do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil. Para o vice-presidente da entidade, Raimundo Salvador, a iniciativa é bem-vinda. “É um sinal de valorização do trabalhador. Vem acrescentar muito e vai dar mais visão a todos esta atitude de promover a inclusão no mundo na internet”, acrescenta.
O JK Shopping & Tower
O projeto do ensino de informática no canteiro do JK Shopping & Tower vai dinamizar ainda mais as obras do complexo comercial, que atende a uma antiga reivindicação dos moradores da região por opções de lazer e salas comerciais. Construído pelas Organizações PaulOOctavio, o shopping terá 192 lojas, seis âncoras, cinco cinemas e uma torre com 416 salas e 26 pavimentos, na Avenida Hélio Prates. A previsão de entrega é no final de 2013 e a expectativa de público é de 1 milhão de pessoas/mês.
O público do futuro shopping é formado por 150 mil famílias ou 600 mil consumidores com renda familiar média de 10 salários mínimos. São pessoas que buscam lazer e conforto em um ambiente seguro e confortável. Para isso, vão contar com mais de 121 mil m² e com um centro de compras moderno, com projeto da Eduardo Mondolfo Arquitetos Associados.