Gravações interceptadas pela Polícia Federal (PF) com autorização da Justiça mostram o bicheiro Carlinhos Cachoeira discutindo com o vereador de Goiânia Santana Gomes (PMDB) a candidatura do senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO) à prefeitura de Goiânia. Na conversa, eles dizem que precisam de alguém com “poder na mão”. Até o início deste ano, Demóstenes era um dos pré-candidatos mais cotados à prefeitura da capital goiana. Mas desistiu publicamente da disputa.
O estouro do escândalo envolvendo Cachoeira sepultou as esperanças de quem ainda via no parlamentar um potencial candidato. Demóstenes Torres é considerado a ponte de Cachoeira com o mundo político em Brasília.
— Deixa eu te contar uma coisa: o Demóstenes vai ser nosso prefeito, não vai? Nós temos que ter alguém com o poder na mão, chefe — disse Santana Gomes, em telefonema feito no dia 13 de março do ano passado.
— Exatamente, exatamente — responde Cachoeira.
Os dois conversaram pelo telefone inicialmente para falar de Jorcelino Braga, secretário estadual da Fazenda na gestão anterior, do ex-governador Alcides Rodrigues (PP), de 2006 a 2010.
Alcides, que era vice do atual governador tucano Marconi Perillo (GO), assumiu o governo quando o titular renunciou ao mandato para disputar o Senado, em 2006. Mas eles terminaram por se afastar e Braga se desentendeu com Marconi Perillo, que em 2011 voltou a ser governador de Goiás.
Planos para o governo em 2018
O bicheiro diz acreditar que Jorcelino Braga quer uma aproximação com o grupo. Santana Gomes — que inicialmente fica com medo de entrar em contato com o ex-secretário e “se queimar” com o atual governador — concorda em fazer a aproximação e sugere que isso vai ajudar a fazer Demóstenes Torres prefeito de Goiânia.
— Então tá bom. Vamos tomar um café amanhã pra gente bater umas ideias e montar uma estratégia beleza pra gente começar. Eu vou começar. Eu já sei que cê tá pensando. O Demóstenes vai ser prefeito. É isso que cê tá querendo dizer, né? — indaga Santana.
Pouco depois, Cachoeira diz:
— Traz ele (Braga) pro nosso lado. Tenta trazer.
Santana então rasga elogios ao chefe:
— Você é certo demais, você é forte demais. Não, você fez perfeito. Com esse trem na mão, nós estamos bem na foto, né, amigo. Nós vamos fazer nosso prefeito, né?
— Ele tá com o c... na mão, rapaz. Traz o Braga pro lado. Tá bom? Procura ele amanhã (sic). Não tem problema, não. Não queima, não. Tem nada que queimar com Marconi — responde Cachoeira.
As pretensões políticas iam além. A Juventude do DEM chegou a lançar Demóstenes candidato a presidente para 2014, na sucessão de Dilma Rousseff. Os mesmos jovens, após o surgimento das denúncias e o envolvimento com Cachoeira, defenderam a expulsão do senador do partido.
Em um outro diálogo, captado pela Polícia Federal no dia 16 de maio de 2011, o próprio Demóstenes Torres diz ao bicheiro Carlinhos Cachoeira que o governador Marconi Perillo o queria não apenas para prefeito este ano, mas para governador em 2018.
Demóstenes não é o único parlamentar goiano cotado para a prefeitura da capital a ser exposto no escândalo por suas relações com Cachoeira. O grupo inclui ainda os deputados federais Jovair Arantes (PTB), Sandes Júnior (PP) e Leonardo Vilela (PSDB).
Ao ser questionado se a saída da Delta Construções — empreiteira envolvida no escândalo de Carlinhos Cachoeira — de projetos de grande envergadura do governo federal atrasaria as obras, o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, respondeu que o governo está atento ao problema:
— Nós vamos fazer de tudo, naturalmente, para que não haja essa solução de (des)continuidade. O investimento público é um dos fatores fundamentais para continuar essa dinâmica de crescimento (do país) — disse Gilberto Carvalho.
Para o ministro, obras do PAC da Copa, por exemplo, não podem sofrer descontinuidade, razão pela qual o Ministério do Planejamento está preparado para substituir a Delta Construções sempre que ela abandonar uma ou outra obra:
—Tecnicamente, temos de ver agora como se dá quando essa empresa sair dessa e de outra obra, como fazer a substituição. O Ministério do Planejamento está preparado para fazer o mais rápido possível um processo para que as obras sejam retomadas o quanto antes.Informações de O Globo.
Vestidas como ninfas, integrantes da Ordem do Sol participam do ritual da elipse no Vale do Amanhecer, em Planaltina. O Vale é uma comunidade espiritual formada em 1959 por uma médium conhecida como Tia Neiva. Para a comunidade, o dia 1º de Maio é o ‘Dia do Doutrinador‘, ocasião em que o Vale recebe novas projeções de forças cósmicas e extra-cósmicas. Informações do G1. (Foto: Eraldo Peres / AP)
O deputado distrital Agaciel Maia (PTC-DF) negou hoje que tenha participado de qualquer esquema para aprovação de emenda contra o projeto de autoria do deputado distrital Chico Vigilante (PT), que previa a instalação de postos de abastecimentos, lavagem e lubrificação nos estacionamentos de supermercado, hipermercados, shoppings centers e similares no DF.
Em nota distribuída hoje, Agaciel Maia (foto) lembra que como relator da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças apresentou parecer rejeitando todas as emendas. A explicação remete ao parecer publicado no Diário da Câmara Legislativa, de 5 de julho de 2011, páginas 172 a 174.
Em outro trecho o parlamentar explica que se absteve de votar a emenda 08 objeto das matérias jornalísticas. Ele lembra também que a sua posição está registrada no Diário da Câmara Legislativa nº 123, de 05/07/2011, em sua página 201.
Leia nota do deputado Agaciel Maia
Senhoras e senhores eleitores:
Tendo em vista as notícias veiculadas pela mídia dando conta de que o deputado distrital Agaciel Maia (PTC) teria participação em um esquema do grupo do empresário Carlos Cachoeira, gostaríamos de prestar aos cidadãos do Distrito Federal, os seguintes esclarecimentos:
- Em Sessão Plenária Ordinária, realizada em 15 de junho de 2011, foi posta em discussão e votação em 1º turno, o Projeto de Lei Complementar nº 1, de 2011, de autoria do Deputado Chico Vigilante, sendo referido projeto, o item 17 daquela Sessão (DCL 123, de 05/07/2011, página 167) que “Dispõe sobre a instalação de postos de abastecimento, lavagem e lubrificação nos estacionamentos de supermercados, hipermercados, shoppings centers e similares no Distrito Federal.”
- A matéria foi aprovada pelas Comissões de Assuntos Fundiários, Economia, Orçamento e Finanças e Constituição e Justiça.
- O Relator da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças foi o Deputado Agaciel Maia, também seu presidente, que apresentou parecer REJEITANDO TODAS AS EMENDAS APRESENTADAS, proferindo assim, parecer FAVORÁVEL AO PROJETO do Deputado Chico Vigilante. (DCL 123, de 05/07/2011, páginas 172, 173 e 174).
- Ressalte-se que o Deputado Chico vigilante, autor da proposição, em sua fala assim se pronunciou: “ O Deputado Agaciel Maia tem razão. A minha vontade era que o projeto fosse aprovado aqui do jeito que ele veio da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças ... Mas eu tive de me subordinar à vontade da maioria dos Parlamentares que apresentaram as emendas...”(DCL 123, de 05/07/2011, página 174).
- Após os debates, o Projeto de Lei Complementar 01/2011 de autoria do Deputado Chico Vigilante foi posto em votação, tendo recebido voto favorável à sua aprovação por parte do Deputado Agaciel Maia, conforme consta da Relação Nominal das Proposições em Plenário, publicada no DCL 123, de 05/07/2011, em sua página 182.
- Com relação à Emenda 08 objeto das matérias jornalísticas, após receber relatório desfavorável à sua aprovação, o Deputado Agaciel Maia ser absteve de votá-la, conforme atesta o Diário da Câmara Legislativa nº 123, de 05/07/2011, em sua página 201.
Assim sendo, esvaem-se as acusações levianas feitas com relação ao procedimento e comportamento do Deputado Agaciel Maia que, busca pura e tão somente, uma melhor qualidade de vida aos cidadãos do Distrito Federal.
DISTRITO FEDERAL Sem festa
Da redação em 01/05/2012 21:57:19
Em função da atual onda de denúncias e ao contrário do governo passado, o GDF não fez qualquer comemoração oficial pelo 1º de maio, Dia do Trabalhador. Um ex-secretário lembra que no governo anterior, o vice-governador e secretário do Desenvolvimento Econômico e Turismo, Paulo Octávio, reuniu no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, durante três anos seguidos trabalhadores, empresários e governo para comemorar o aumento do emprego. Foram mais de 20 mil empregos em três anos.
O quadro atual não é para se comemorar. O índice de desemprego no Distrito Federal aumentou de 11,5%, em janeiro, para 12,4%, em fevereiro de 2012. O número de desempregados subiu em 13 mil, alcançando a marca de 176 mil pessoas sem emprego. Os dados são da Pesquisa de Emprego e Desemprego do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Enfim, um sinal de avanço no processo do mensalão: está na pauta do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) desta quarta-feira uma questão de ordem sobre o maior escândalo de corrupção do país. A pedido de Joaquim Barbosa, os ministros decidirão os procedimentos a serem adotados durante o julgamento, que pode ocorrer no próximo mês.
A corte precisa determinar, por exemplo, o tempo de duração de cada sessão. O presidente do STF, ministro Carlos Ayres Britto, espera que o julgamento dure entre quinze e vinte dias. Se a previsão se confirmar, o desfecho do caso – que perdura há sete anos – será mais rápido do que se imaginava. Informações de Luciana Marques, Veja.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, nacionalizou nesta terça-feira, 1º, a Transportadora de Electricidad SA (TDE), distribuidora de energia controlada pela espanhola Red Eléctrica Internacional. Morales ordenou a ocupação da empresa pelas Forças Armadas. "Hoje, como nós homenageamos aos trabalhadores e aos cidadãos da Bolívia que lutaram para a recuperação dos recursos naturais e serviços básicos, nós estamos nacionalizando a provedora de transmissão de energia elétrica", disse Morales.
O anúncio foi realizado em solenidade do Dia do Trabalho no Palácio de Quemado, em La Paz. A TDE foi fundada em 1997 e é responsável por 73% das linhas de transmissão do sistema elétrico da Bolívia. De acordo com o site da TDE, 99,94% de seu capital pertence à Red Eléctrica Internacional, enquanto a outra fatia (0,06%) é de propriedade dos trabalhadores da empresa.
A medida é uma resposta aos pedidos dos trabalhadores, que exigem reajustes salariais maiores. Desde que chegou ao poder, Morales já nacionalizou outras empresas no Dia do Trabalho, em setores como o de petróleo e eletricidade.
Uma porta-voz do governo espanhol procurada pela agência Dow Jones disse que a Espanha está analisando a situação de perto e poderá divulgar um comunicado ainda hoje. Em abril, a Argentina anunciou a expropriação de outra companhia espanhola, a petrolífera YPF, de propriedade da Repsol.(Com informações da AFP, Dow Jones e Efe)
O prazo final para definição de candidaturas a prefeito e vereador e também para alianças é daqui dois meses, quando todos os partidos devem ter realizado suas convenções. Mas a base do governo de Marconi Perillo (PSDB) está imobilizada há exatamente dois meses, desde que a Operação Monte Carlo da Polícia Federal prendeu o empresário Carlos Cachoeira, o ex-vereador Wladir Garcêz e outros envolvidos na máfia dos jogos ilegais em Goiás. O vazamento dos grampos telefônicos da operação revelou suposto envolvimento de políticos e agentes públicos com a máfia comandada por Cachoeira. Desde então, a base aliada vive num clima de suspense e quase total imobilização diante das eleições municipais, principalmente em Goiânia.
“As articulações realmente foram prejudicadas em Goiânia. Todos aguardam desdobramentos”, afirma o deputado federal Vilmar Rocha (PSD), hoje secretário estadual da Casa Civil. Pré-candidato da base, o deputado federal Leonardo Vilela (PSDB) admite dificuldades. “Os partidos querem deixar para falar de alianças em junho. Ninguém quer se comprometer agora”, diz o tucano, que teve seu nome envolvido por conta de gravação telefônica em que pede cargo para filha em uma das empresas de Cachoeira, mas sua pré-candidatura está mantida pelo PSDB. “Temos de retomar as articulações no início de maio. Muitas vezes, se ganha ou se perde uma eleição na pré-campanha. Se passarmos de maio para definirmos alianças e candidaturas, o prejuízo será maior”, afirma Vilmar Rocha.
Adversário da base aliada em Goiânia, o prefeito Paulo Garcia (PT) já conta com 12 partidos na coligação para sua reeleição, incluindo o PMDB. A expectativa do Paço é chegar nos 15 até junho. Para blindar sua pré-candidatura do escândalo Cachoeira, o prefeito afastou os primeiros auxiliares que tiveram os nomes envolvidos com o empresário de alguma forma, entre eles, Cairo de Freitas (ex-chefe de Gabinete) e Andrey Azeredo (ex-Secom). Uma dúvida é a permanência na Prefeitura do vereador Juarez Lopes (PTN), que abriu vaga na Câmara de Goiânia para Cida Garcêz, irmã do ex-vereador preso pela PF, e teve nome citado nos grampos realizados nos telefones de Cachoeira. Oficialmente, o Paço afirma que o vereador será mantido.
O fato é que o prefeito Paulo Garcia (PT) não tem hoje adversário à vista para a disputa eleitoral. Por conta disto, como informa hoje o Giro do POPULAR, procura antecipar ao máximo as inaugurações das maiores obras na capital, principalmente a primeira etapa do novo Parque Mutirama, para capitalizar eleitoralmente. Mas o núcleo político do prefeito sabe que este cenário cenário positivo, hoje, não é certeza de vitória em outubro. Ainda não foi divulgado todo o conteúdo da Operação Monte Carlo, existem duas CPIs em curso (no Congresso e na Assembleia) e não subestima a capacidade de recuperação política do governardor Marconi Perillo. Outro fator é que, quando os prováveis adversários conhecidos estão engessados nas articulações, se abre espaço para o imponderável. Como o surgimento de novos nomes. Informações de O Popular.
Novos trechos de escutas telefônicas realizadas com autorização da Justiça e anexadas ao inquérito da Operação Monte Carlo – que desarticulou a máfia dos caça-níqueis, que seria liderada por Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira – mostram que o empresário articulou com o senador Demóstenes Torres (sem partido) um encontro entre vereadores de Goiânia e seu irmão, o procurador-geral de Justiça, Benedito Torres Neto. Esta é a segunda vez, desde o início das investigações, em que o nome do procurador é citado em conversas entre o senador e Cachoeira.
Na primeira vez, Demóstenes apareceu prometendo ingerência no órgão ministerial comandado por seu irmão com o objetivo de atender interesses do empresário. Depois de divulgado o diálogo, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) iniciou procedimento para apurar os fatos. O caso gerou uma das maiores crises do Ministério Público estadual em Goiás, com membros defendendo a exclusão de Demóstenes dos quadros do MP – ele é procurador de Justiça licenciado – e o afastamento temporário de Benedito Torres Neto do comando da instituição.
O diálogo entre Demóstenes e Carlinhos Cachoeira acertando o encontro com os vereadores foi gravado pela Polícia Federal em 5 de junho do ano passado (veja quadro). Na conversa, o senador consulta o empresário sobre possível data e hora para agendar um café da manhã com vereadores e seu irmão. Os vereadores seriam, segundo conversas que se seguem entre Carlinhos e Santana Gomes (PSD), Elias Vaz (PSOL), Geovani Antônio (PSDB), além do próprio Santana. O empresário confirma que no dia seguinte, às 8 horas, estaria com eles. “Tá marcado então. Oito horas eu tô aí”, afirma Carlinhos Cachoeira a Demóstenes.
Procurador foi
Ouvido pelo POPULAR, o vereador Santana se contradisse afirmando, primeiro, que a única vez que teria se encontrado com o procurador Benedito Torres foi na sede do MP. Depois, disse não ter certeza se “em um ou dois cafés” em que esteve na casa do senador Demóstenes o procurador de Justiça também estava. “Não me lembro de dizer ‘bom dia, procurador’”, disse o vereador à reportagem.
Mas o próprio procurador-geral de Justiça, Benedito Torres Neto, confirmou ao POPULAR ter atendido convite do irmão senador para café da manhã em seu apartamento. Em nota, o procurador afirmou, entretanto, que “não sabia que haveria vereadores participando do mesmo café da manhã e, se soubesse, provavelmente não teria comparecido ao saber disso ou por não saber o assunto que seria tratado.” E acrescenta: “De lembrança, acredito que estivessem presentes os vereadores Elias Vaz, Santana e outro que não me recordo”.
Conforme Benedito Torres, o referido evento “foi rápido, e me recordo que informalmente foi discutido um assunto que vinha sendo noticiado pela mídia, referente às suspeitas de irregularidades em uma área envolvendo uma concessionária de veículos de Goiânia e o município. Me restringi a dizer que este assunto deveria ser tratado no Ministério Público, afinal, era assunto institucional.” Segundo Benedito Torres, o caso foi passado por ele à promotoria de Execução da área de patrimônio para análise.
“Naquele dia, ao final do café, chamei a atenção do senador para que não mais aproveitasse um café da manhã para tratar de questões de possível interesse do MP, o que de fato não mais ocorreu. Por fim, quero destacar que, como todo o resto do País, eu também desconhecia possíveis outras intenções ou interesses por parte do senador, mesmo sendo meu irmão. E qualquer outro esclarecimento deve ser feito por ele próprio”, afirmou o procurador em nota enviada à redação do POPULAR.
O assunto a que se refere o procurador de Justiça diz respeito a supostas irregularidades envolvendo a venda de uma área aproveitada pelo Grupo Belcar para construção de uma de suas lojas, nas proximidades do Paço Municipal, no Jardim Goiás. Após denúncia feita pelos vereadores Elias Vaz e Geovani Antônio, a Justiça chegou a embargar a construção, medida que foi revertida pela defesa do grupo posteriormente. O objetivo dos parlamentares era conseguir a anulação do contrato de venda da área. O terreno era fruto de uma permuta realizada entre a Prefeitura e uma entidade filantrópica, que posteriormente a vendeu para o grupo empresarial.
O vereador Elias Vaz confirmou, também, o encontro, e disse que seu objetivo era solicitar do procurador de Justiça empenho seu em denúncias realizadas por ele no MP. E negou que Carlinhos Cachoeira estivesse presente. O vereador Geovani Antônio disse que “não se recorda” do encontro.
A assessoria de imprensa do CNMP informou que o procurador de Justiça Benedito Torres tem até o dia 7 de maio para apresentar sua defesa na reclamação instaurada pela Corregedoria do órgão.
O governador Agnelo Queiroz (PT) declarou ontem por meio do porta-voz do Governo do DF, Ugo Braga, que tem “obrigação institucional” de não acreditar na participação do vice-governador, Tadeu Filippelli (PMDB), em suposta tentativa de prejudicá-lo. Numa das interceptações telefônicas da Polícia Federal na Operação Monte Carlo, o araponga Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, insinua em conversa com Marcello de Oliveira Lopes, conhecido como Marcellão — policial civil que trabalhou com o ex-chefe de gabinete da governadoria Cláudio Monteiro —, que o vice-governador pagava jornalistas para manter uma campanha ostensiva de ataques a Agnelo.
Por conta da divulgação nos últimos dias no noticiário pela internet desse trecho das escutas do inquérito, o porta-voz do GDF fez um pronunciamento: “Sobre as informações publicadas a respeito de uma suposta articulação do vice-governador Tadeu Filipelli com jornalistas, com o intuito de prejudicá-lo, o governador Agnelo Queiroz afirma que, caso algo desse nível tenha de fato acontecido, considera inaceitável”.
E acrescentou: “Porém, (Agnelo) afirma ter obrigação institucional de não acreditar em algo assim”. De acordo com Ugo Braga, o governador considera que Filippelli é leal. “O vice-governador tem demonstrado lealdade e comprometimento com o Governo do Distrito Federal, o que contradiz as conversas de terceiros interceptadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Monte Carlo”, afirmou o porta-voz. Informações do Correio Braziliense.
Há 36 anos em Brasília, quando chegou de Uruçuí (PI), Luiz Siqueira Campos ocupa pela primeira vez uma das cadeiras da Câmara Legislativa e pretende trazer para a política a eficiência da gestão do tempo e da excelência nas ações políticas. Siqueira Campos iniciou sua vida em Brasília trabalhando como terceirizado na Imprensa Nacional. Depois foi para o setor privado trabalhar em uma loja de sapatos na 304 Sul e não saiu mais do setor privado. Hoje, empresário na área de pneus, quer fazer valer os sete mil votos que conquistou na última eleição, mostrando que a política pode ser tratada como uma coisa séria e que em situações de alta pressão como a atual, em meio a tantas denúncias, todas as pessoas envolvidas, correligionários ou adversários políticos devem ser investigados, punidos se tiverem culpa comprovada e inocentados se não tiverem envolvimento com os escândalos.
Brasília Agora – Deputado, o senhor vem do setor privado. Quais são as principais contribuições que o senhor quer trazer para a Câmara Legislativa?
Siqueira Campos – A contribuição da gestão pública. Trazemos para o setor a consciência da importância do tempo e da gestão desse tempo, que o tempo custa caro e que o ganho é maior quando se gasta menos tempo para se fazer qualquer coisa. É a gestão da eficiência e da excelência. Isso nós aprendemos no setor privado e queremos levar para o serviço público.
Em que isso pode mudar em termos de política e produtividade?
Com isso queremos mostrar para o setor público e para a sociedade que hoje Brasília não é mais uma cidade de serviço público, e que o Brasil não é mais um país baseado na monocultura. Essa é uma discussão que temos que colocar para a sociedade e para o governo, que precisa desonerar as grandes, médias e pequenas empresas. É preciso modernizar o setor produtivo que é o que pode alavancar este país e gerar riquezas.
Existe uma rejeição social e política aos empresários?
Sim, existe essa rejeição em todos os setores da sociedade. E no setor político a de que a empresa é o inimigo do trabalhador. Enquanto o Brasil tiver este tipo de pensamento, só vamos ter o aumento da violência, do desemprego e de outros pontos negativos.
O senhor é suplente do bloco PMDB/PSB e entrou no lugar do deputado Wellington Luiz. Qual a avaliação que o senhor fazia da Casa antes de conhecê-la e que faz agora que está fazendo parte do grupo de 24 parlamentares?
É uma casa composta por pessoas boas, mas que, às vezes, a voz das pessoas boas cala diante do grito das pessoas que não têm tão boas intenções. Exemplo disso é o PT que sonha que cada trabalhador seja independente, sem o empregador e o empreendedor. Eu tenho um sonho ao contrário: que o empregado não tenha um empregador, e que esse empregado possa evoluir e virar um empreendedor.
Foi instalada a CPI da Arapongagem. O senhor votou contra ou a favor? Por quê?
Eu me abstive a pedido do governo, que sugeriu fazermos uma reflexão, e por estar na Casa há pouco tempo. Naquele momento a CPI acabara de ser instituída e preferi ficar em um momento de reflexão. Mas ela foi instalada e eu fui indicado pelo meu bloco para representá-lo e vou fazê-lo com transparência e seriedade. Pretendo votar com independência e investigar tanto adversários, quanto correligionários, o que na política é muito difícil. Ninguém faz isso até o momento. O senhor foi eleito corregedor da Câmara. Como pretende atuar neste cargo e quais são os processos que o senhor já pretende dar andamento?
Na corregedoria pretendo atuar com imparcialidade, como deve ser. Vim para a política em forma de protesto e quero ver as coisas funcionando com maior eficiência. Quantas pessoas querem ver as coisas melhores e não se candidatam, não se colocam com esse senso de eficiência e retidão. Eu não sou político, eu estou político.
Na eleição o senhor teve quantos votos e qual é a parte da sociedade do DF que o senhor representa na Câmara?
Fui eleito com 7 mil votos e represento todos, principalmente aqueles que não votaram em mim, por que não me conheciam. O setor produtivo, que eu tanto represento, tem uma carga tributária muito alta, acima de 60%, o que posso fazer aqui e externar a minha opinião e ajudar alguns setores, como fiz há pouco tempo com as empresas atacadistas, reduzindo de 12% para 7% na alíquota de entrada de mercadoria. É um absurdo se aplaudir quando o governo aumenta o imposto para as grandes indústrias. Temos uma carga acima de 60% e isso não ajuda em nada. Só quem paga o pato é a sociedade. Pagamos quatro vezes mais caros por um produto por causa de ações como esta. Hoje, com as redes sociais, temos mais acesso a estas informações. Isso leva os Estados Unidos a vender produtos como uma calça jeans a 60 dólares e aqui dentro ela é vendida a 500 reais. A violência que está batendo a nossa porta não é de malfeitores não é de pessoas que estão perdendo seus empregos e agem dessa forma para alimentar suas famílias. São pais de famílias que estão passando necessidade. Qual é a avaliação que o senhor faz do momento político que o Distrito Federal e o Brasil vêm passando com essa enxurrada, para não falar cachoeira de denúncias?
Muitos empresários prestam serviço muito caro para o governo e prestam serviço ruim e esse é o nosso preço. Nossos líderes devem se qualificar mais. Eles têm que entender que a desoneração e o apoio ao setor produtivo é o mais importante para o país. Posso até dar um exemplo: em São Paulo, um grupo de empresários gastou R$ 400 milhões para fazer um shopping e agora, na hora da inauguração, a obra foi embargada por uma juíza porque um viaduto que tinha que ser feito pelo setor público não foi construído e por que algumas árvores que deveriam ser removidas no início da obra ainda estavam lá, coisa que o Estado deveriam ter feito. Quais são suas pretensões políticas? O DF hoje está sem nomes da direita e da esquerda para o governo. O senhor poderá ser uma opção em 2014?
A minha pretensão é sair daqui com o respeito dos meus amigos. Posso levar em conta uma avaliação para concorrer a outro cargo sim, mas feita pelos outros. Eu aqui sou aluno, iniciante.
Quais são seus principais projetos na Câmara?
O primeiro projeto que coloquei na Câmara foi a criação de uma matéria de ética e cidadania nas escolas para que os nossos filhos entendam tudo que está acontecendo. O que está e o que está errado. Outro projeto é para reduzir a multa para religação de energia quando há o corte. Hoje a multa é muito alta e temos que mudar isso.