Lucro do Bradesco avança 25% em 2010, para R$ 10 bilhões
Da redação em 31/01/2011 09:54:15
O Banco Bradesco fechou 2010 com lucro líquido contábil de R$ 10,021 bilhões, elevação de 25% em relação aos R$ 8,012 bilhões somados um ano antes. Apenas no quarto trimestre de 2010, o lucro foi de R$ 2,986 bilhões, superior aos R$ 2,523 bilhões somados nos três meses antecedentes.
Dos R$ 10 bilhões apurados no exercício passado, R$ 7,104 bilhões vieram das atividades financeiras e os R$ 2,918 bilhões restantes decorreram das atividades de seguros, previdência e capitalização.
Ao fim de dezembro de 2010, a carteira de crédito expandida - incluindo avais e fianças, antecipação de recebíveis de cartões de crédito, cessão de crédito (FIDC e CRI) e operações com risco de crédito – carteira comercial - subiu 23% na comparação com um ano antes, chegando a R$ 293,555 bilhões. As operações com pessoas físicas registraram alta de 19,5%, para R$ 98,122 bilhões, e aquelas com pessoas jurídicas somaram R$ 195,433 bilhões, ampliação de 24,9%.
O Bradesco informou que "a qualidade da carteira de crédito apresentou melhora significativa em 2010, comparativamente a 2009, principalmente em decorrência da redução da inadimplência, bem como do expressivo crescimento da carteira de crédito dos novos tomadores".
Os ativos totais chegaram a R$ 637,485 bilhões ao fim de dezembro de 2010, uma expansão de 25,9% na comparação com mesmo intervalo do calendário antecedente.
Durante o ano passado, o Bradesco conclui acordos importantes, como a aquisição do Ibi Services, no México, incluindo o negócio referente à varejista brasileira C&A, e a parceria com o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal (CEF) para a criação e administração da bandeira de cartões Elo. A rede de atendimento foi ampliada com a inauguração de 178 agências. (Juliana Cardoso e Ana Luísa Westphalen | Valor)
GOIÁS
Governo libera hoje 80% da folha
Da redação em 31/01/2011 09:30:04
Aos poucos o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) vai conseguindo colocar as finanças do estado nos eixos. Tanto que hoje será liberado hoje 80% da folha de pagamentos dos servidores públicos estaduais referente ao mês de janeiro. Os 20% restantes deverão ser quitados até 11 de fevereiro. A decisão de parcelar a folha, segundo o governo, vai dar condições para que o Estado quite a folha de fevereiro sem atraso. O dinheiro estará na conta do servidor logo após o trâmite bancário.
GOVERNO FEDERAL
Dilma visita Argentina para 1º encontro com Cristina
Da redação em 31/01/2011 09:26:31
Agencia Estado - Ariel Palacios
A presidente Dilma Rousseff vai desembarcar em Buenos Aires às 11 horas desta manhã (horário local, meio-dia de Brasília) para uma intensa agenda com a anfitriã, a presidente Cristina Kirchner. Dilma estará poucas horas na capital argentina, já que partirá à tarde, após o almoço de honra que o governo Kirchner preparou para a presidente brasileira no elegante Palácio San Martín, sede da chancelaria argentina. Este será o primeiro encontro oficial entre as duas únicas mulheres que atualmente são presidentes na América do Sul.
Dilma será acompanhada por vários ministros, entre os quais o chanceler Antônio Patriota, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. A presidente Dilma deve chegar à Casa Rosada, o palácio presidencial, às 11h30 (12h30 de Brasília).
Logo depois deve começar a reunião privada das presidentes no escritório de Cristina Kirchner no primeiro andar da ala norte da Casa Rosada. Ambos governos também avaliarão a evolução do comércio bilateral, ponto delicado para a administração Kirchner, já que a balança comercial foi amplamente desfavorável para a Argentina em 2010, apesar das vantagens cambiárias do peso, a moeda argentina, em relação ao real.
O encontro deve ser acelerado, já que 20 minutos mais tarde a presidente Dilma passa a um salão vizinho, onde será apresentada às líderes das organizações de defesa dos Direitos Humanos das Mães e das Avós da Praça de Maio. Esta reunião também deve ser breve, já que às 12h20 (13h20 de Brasília), as presidentes passam ao Salão das Mulheres, onde se reúnem com os ministros dos dois governos. Vinte e cinco minutos depois deve começar a assinatura dos atos.
As duas presidentes assinarão entendimentos, memorandos e acordos sobre mais de uma dúzia de assuntos, entre os quais a intensificação da cooperação na área nuclear (os dois países desenvolvem, de forma conjunta, um reator multipropósito), a construção da hidrelétrica de Garabi, sobre o rio Uruguai, além da criação de um foro empresarial binacional. Às 12h55 (13h55 de Brasília), Dilma e Cristina devem realizar a denominada ‘declaração à imprensa‘. Isto é, uma declaração acordada da anfitriã e da convidada. No entanto, as duas presidentes, seguindo a tradição do governo Kirchner de evitar a imprensa, não aceitarão perguntas dos jornalistas.
Às 14 horas (15 horas de Brasília), a presidente Cristina receberá Dilma no elegante Palácio San Martín, sede da diplomacia argentina, para um almoço de honra. A partida de Dilma está prevista para as 16h30 (17h30 de Brasília), momento no qual deve embarcar no avião presidencial rumo à Brasília.
Ontem, véspera da chegada de Dilma, os jornais Clarín, La Nación e Página 12 publicaram uma entrevista que a presidente brasileira concedeu na semana passada em Brasília aos meios de comunicação argentinos. Nela, Dilma destaca que o Brasil e a Argentina devem ter uma ‘relação estratégica que deve manifestar-se em todas as áreas de interesse de ambos países‘. Além disso, destacou que pretender ter ‘uma relação muito próxima‘ com a presidente Cristina.
Ano eleitoral
Dilma está em seu primeiro ano de mandato presidencial. Cristina, no entanto, começou a reta final de seu governo, já que no dia 10 de dezembro tomará posse o presidente que surgirá das eleições de outubro. Porém Cristina teria intenção de permanecer outro mandato sentada em ‘el sillón de Rivadavia‘, denominação da cadeira presidencial. Nas últimas semanas, ministros, governadores e parlamentares indicaram que a presidente Cristina Kirchner será candidata à reeleição. No entanto, por enquanto Cristina não se pronunciou sobre o assunto e mantém silêncio sobre sua eventual candidatura.
Gisele Bündchen e Alessandra Ambrosio roubam a cena de Kutcher em desfile
Da redação em 31/01/2011 09:23:57
O desfile mais aguardado da 30ª edição da SPFW teve inicio às 21h50 com a ícone Gisele Bündchen. Ela deixa de ser o rosto principal da Colcci para devolver o posto a top Alessandra Ambrosio. E a
transição entre as tops foi sutil, entrelinhas, ou melhor, entrepassos
ou entre um modelo masculino. Ambrosio foi a terceira a adentrar a
passarela da marca catarinense, precedida por Gisele e um modelo. A
simbologia da troca de bastão se completaria mais tarde quando Ambrosio
fechava a coleção da Colcci.,
Momentos antes das luzes se apagarem, o telão com o vídeo em
comemoração aos 15 anos da SPFW ir ao ar, a sala 02 do Prédio da Bienal
no Parque do Ibirapuera em São Paulo foi tomada pelo tumulto já esperado. Uma
faixa protegia a passarela de modo que aqueles que estavam do lado ímpar
da sala não podiam atravessar para o par. Os convidados tiveram
bastante dificuldade em chegar aos seus lugares, tendo de enfrentar
cotoveladas e empurrões. OK! Era Colcci, era Gisele Bündchen pela última
vez, era Ashton Kutcher pela primeira.
Gisele passa o posto de estrela da Colcci para Alessandra Ambrósio | Foto: Terra
Demi Moore e sua filha Tallulah, que acompanharam Kutcher no evento, ficaram próximas ao pit
dos fotógrafos (espaço reservado para eles). Escoltada por seguranças,
mãe e filha chegaram à sala segundos antes do desfile. Vaiada pelos
fotógrafos, Demi sentou-se, acenou e foi finalmente aplaudida. Informações do Terra.
DISTRITO FEDERAL
Agnelo tentar trazer a Central de Transmissões da Copa
Da redação em 31/01/2011 09:20:42
O governador Agnelo Queiroz viaja hoje para o Rio de Janeiro para tentar emplacar a capital federal como sede da Central Internacional de Transmissões da Copa do Mundo de 2014(IBC, de International Broadcast Center, em inglês). Agnelo entregará a proposta de candidatura ao Comitê Organizador da Copa com argumentos favoráveis à campanha por Brasília, em resposta ao caderno de encargos determinados pela FIFA. Na disputa para sediar a imprensa da Copa também estão Rio de Janeiro e São Paulo.
As facilidades elencadas pelo governo para sediar o IBC se aproximam das utilizadas para conquistar a abertura do mundial, como a centralização geográfica da capital federal, a região hoteleira próxima ao Estádio Mané Garrincha, a infra-estrutura urbana da cidade, além da presença do corpo diplomático.
A localização do Centro de Convenções Ulysses Guimarães próximo ao polo esportivo também facilitaria o funcionamento de um "ponto de apoio" para o centro de transmissões, segundo os estudos em andamento feitos pelo governo. Ainda de acordo com o GDF, a expectativa é que o IBC reúna mais de 2 mil profissionais do mundo inteiro. Jornal de Brasília.
INTERNACIONAL
Oposição convoca greve geral e marcha de um milhão de pessoas no Egito
Da redação em 31/01/2011 09:15:27
No sétimo dia de protestos contra o presidente egípcio, Hosni Mubarak, a oposição convocou uma greve geral em todo o país nesta segunda-feira e anunciou para terça-feira, no Cairo, mais um megaprotesto, que chamou de "marcha de um milhão de pessoas". A capital começa a voltar à normalidade após as manifestações que deixaram mais de cem mortos no país, mas escolas e lojas permanecem fechadas, turistas estão sendo resgatados em aviões enviados por governos estrangeiros e moradores estocam água e alimentos.
Pressionado pelos manifestantes, que não deixam as ruas apesar do toque de recolher, e por líderes internacionais, que cobram o fim da repressão violenta, Mubarak foi à TV no domingo para pedir ações de seu novo primeiro-ministro, Ahmad Shafiq . Mostrando que continua lutando para permanecer no poder após 30 anos de governo, o presidente disse que o premier nomeado em meio à crise fará reformas para promover a democracia e restabelecer a confiança na economia. Informações de O Globo.
SEGUNDO ESCALÃO
Governo cria método de proporcionalidade dos partidos
Da redação em 31/01/2011 04:26:59
O Globo
Palácio do Planalto decidiu estabelecer um novo critério para iniciar o loteamento político do segundo escalão, depois da eleição para as presidências da Câmara e do Senado, amanhã: a divisão dos cargos será feita proporcionalmente ao mapa de poder real do novo Congresso que assume esta semana. Com isso, parlamentares derrotados e sem voz não terão vez. Essa estratégia foi acertada com a presidente Dilma Rousseff pelo chefe da Casa Civil, ministro Antonio Palocci. As escolhas começam a ser definidas esta semana.
A demora para o início das negociações foi motivada pelo temor do governo de fazer uma distribuição antecipada dos principais órgãos e estatais sem ter a garantia de votos correspondentes. Como houve renovação superior a 40%, a ordem é atender a quem tem voto. Com isso, a ideia é evitar o loteamento dos principais cargos com derrotados.
A primeira reunião será entre Palocci e o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN).
"A intenção é resolver as questões e não deixar isso em aberto, para evitar marola e não ter ruído. E vamos resolver logo, não só com o PMDB, mas com todos os partidos" - alertou Henrique Alves.
Furnas fica com R$ 1,26 bilhão do bolo
Os investimentos das estatais, principal foco da briga entre partidos, chegam a R$ 107,05 bilhões para 2011. Segundo dados do Ministério do Planejamento, o grupo Petrobras é o campeão, respondendo por R$ 91,3 bilhões. Mas já está decidido que não haverá mudança na estatal. O grupo Eletrobras, atual feudo do PMDB, responde por R$ 8,1 bilhões. Somente Furnas fica com R$ 1,26 bilhão dessa fatia. A Chesf, comandada pelo PSB, terá investimento de R$ 1,5 bilhão.
Já a Eletronorte, outro feudo peemedebista, contará com R$ 807 milhões, enquanto a Eletrosul, controlada pelo PT, terá R$ 445 milhões para investir. A partir da próxima semana, Dilma decidiu que vai se concentrar primeiro nas estatais do setor elétrico. Como ex-ministra de Minas e Energia, a presidente vai escolher pessoalmente: ela quer que os partidos indiquem nomes, mas estes precisarão ter história no setor e passar pelo seu crivo profissional.
Segundo um interlocutor da presidente, a filtragem será muito maior do que no governo Lula. A avaliação é que com Dilma haverá uma forma diferente de negociar, porque ela não só conhece qualquer no me apresentado como já tem sobre ele um conceito.
POLÍTICA
Kassab admite usar mudança de regra para sair do DEM
Da redação em 31/01/2011 04:23:59
À espera de uma janela para sua filiação ao PMDB, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, admitiu ontem que poderá usar uma adulteração do estatuto partidário como justificativa jurídica para sua saída do DEM.Pela estratégia, o prefeito se valerá de uma manobra que o presidente nacional do DEM e hoje adversário político, Rodrigo Maia (RJ), aplicou para reduzir seu espaço dentro do partido.
Em dezembro de 2007, como publicou a revista "Veja", Maia alterou artigo do estatuto que conferia ao conselho político do DEM poder de "decidir" sobre coligações e "indicar" candidatos a presidente e vice.Sob o argumento de que "o artigo era ilegal" - já que "o conselho é consultivo e não pode deliberar no lugar das convenções" -Maia trocou "decidir" por "recomendar" e "indicar" por "propor".
Como é presidente do conselho, Kassab pode alegar que foi prejudicado pela mudança. O prefeito admitiu ontem que "essa é uma das hipóteses, caso decida mesmo mudar de partido". Guardado como trunfo pelos aliados de Kassab há pelo menos seis meses, o documento veio à tona às vésperas da eleição do novo líder do DEM na Câmara."Kassab quer implodir o DEM para fazer uma fusão com o PMDB", acusou Maia.Embora possa funcionar para Kassab, a estratégia não contempla os deputados que o apoiam. Recém-eleitos, podem perder o mandato por desrespeito à fidelidade.
BRECHA LEGAL
Para garantir a saída de seu grupo, Kassab torce pela aprovação de uma brecha legal para troca de partidos.O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que a chamada janela "será necessariamente discutida durante o debate da nova lei eleitoral". "Será até setembro, dentro do contexto da reforma política", disse o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP).
Para Lincoln Portela (MG), líder do PR, "não se pode ter uma fidelidade ad eternum". Fechada a janela, Kassab tem duas outras alternativas: a criação de um novo partido político. Nesse caso, qualquer parlamentar poderia deixar seu partido para a fundação de uma nova sigla.
Recém-criado, o novo partido seria fundido ao PMDB. Além do tempo consumido para a fundação, uma nova sigla nasce sem tempo de TV. Outra hipótese seria a fusão do DEM com outra sigla, liberando seus parlamentares da exigência de fidelidade. Informações da Folha.
SAÚDE
"Cadeira elétrica" é testada para osteoporose
Da redação em 31/01/2011 04:19:10
Uma cadeira que emite sinais elétricos está sendo testada em São Paulo no tratamento para a osteoporose.O equipamento foi desenvolvido por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) de São Carlos e da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).Hoje, o tratamento da osteoporose é feito com remédios e exercícios físicos.A nova tecnologia produz sinais elétricos que atingem diretamente os ossos mais prejudicados pela doença: fêmur, coluna e bacia.Duas placas metálicas ficam escondidas sob um estofado. Para realizar o tratamento, o paciente deve permanecer sentado na cadeirinha por 20 minutos após acionar um botão.
As duas placas formam um campo elétrico, que age nos ossos durante esse tempo. Não há dor. Ao todo, são cinco sessões por semana e, quando o tratamento é concluído, o aparelho avisa. Segundo a fisioterapeuta da Unifesp Ana Paula Lirani Galvão, quando o campo elétrico atinge os ossos, algumas células do organismo captam os sinais e estimulam a formação de uma nova massa óssea, o que faz aumentar a absorção de cálcio.
Galvão explica que, numa pessoa sem osteoporose, os ossos têm células que captam sinais mecânicos -gerados, por exemplo, pela ação de andar ou correr- e mandam carga elétrica para outras células responsáveis por formar mais ossos."Ao longo da vida, perdemos essas células que captam os sinais e também fazemos menos atividades que produzem essa energia, o que provoca o enfraquecimento dos ossos."
O objetivo da nova técnica é criar os sinais elétricos que o corpo deixou de mandar e, assim, estimular a formação da nova massa óssea.Os primeiros testes foram feitos há seis anos em ratos e os resultados foram positivos. Agora, os testes estão sendo feitos em cem idosos que estão internados em três asilos de São Paulo -40 deles sob efeito placebo, ou seja, sem efeitos reais."Os testes em humanos [que começaram há seis meses] ainda não foram concluídos, mas pela experiência com os ratos, acreditamos que serão positivos."
PREÇO ACESSÍVEL
Orivaldo Lopes da Silva, professor de bioengenharia da USP de São Carlos e responsável pela criação do equipamento, explica que pretende levar o produto para o mercado a um preço acessível até 2012.No tratamento atual, com medicamentos, o custo para o paciente pode chegar a R$ 1.000 por mês.
Para a pesquisa, foram produzidos 12 equipamentos, ao custo de R$ 25 mil. No entanto, se produzido em grande escala, o valor pode ser reduzido para cerca de R$ 1.000 por aparelho. A expectativa é que o estudo e o processo de patente sejam finalizados até o final do próximo ano.Informações da Folha
POLÍTICA
Sarney caminha para nova gestão à frente do Senado sem fazer reformas
Da redação em 31/01/2011 04:04:45
Leandro Colon, Estado de S.Paulo
Prestes a assumir a presidência do Senado pela quarta vez, José Sarney (PMDB-AP) encerra hoje sua atual gestão sem aprovar a prometida reforma administrativa na Casa. O Senado mantém velhos vícios, estrutura inchada, falta de controle de funcionários fantasmas, excesso de mão de obra terceirizada e de cargos de diretores, além de apadrinhados do senador e de colegas espalhados em gabinetes e secretarias.
Em 2009, no auge do escândalo dos atos secretos revelados pelo Estado, Sarney prometeu aprovar uma reforma interna e entregar uma Casa "modernizada". "O Senado está cumprindo o que prometeu à nossa sociedade", afirmou, em plenário, no dia 29 de outubro daquele ano.
Era uma resposta à avalanche de irregularidades reveladas na época, crise que levou a dez pedidos de processo por quebra de decoro parlamentar contra o senador. Sarney salvou-se com o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A turbulência passou e as mudanças administrativas andam a passos lentos. Por outro lado, os senadores ganharão um novo plenário após uma reforma - ainda não concluída - de R$ 5 milhões.
Anunciada com pompa, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) foi contratada para propor mudanças estruturais no Senado. Recebeu, em um primeiro contrato em 2009, R$ 250 mil. Uma recontratação pelo mesmo valor foi anunciada no ano passado.
Mas o projeto da entidade, que prevê corte nas chefias, entre outras medidas, não agradou a servidores e senadores. Foi alterado e está parado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Em compensação, os funcionários que, em sua maioria, sempre apoiaram Sarney, ganharam novo plano de carreira em 2010. Perderam gratificações, mas tiveram salários aumentados em 25%, na média. A remuneração de um servidor pode chegar a R$ 24 mil. Na prática, ninguém perdeu dinheiro. O impacto desse reajuste deve ser de R$ 468 milhões na folha de pagamento de 2011, orçada em R$ 2,8 bilhões.
Diretores. A promessa de reduzir o número de diretorias a sete não saiu do papel. Segundo o site do Senado, há pelo menos 44 servidores na função de "diretor", sendo sete para a área de Comunicação Social, um para Expediente, outro para Serviços Gerais e um para Informação e Documentação, entre outros.
O quadro total de funcionários - efetivos, comissionados e terceirizados - segue em cerca de 10 mil. Um terço continua sendo de confiança, nicho que nenhum senador aceita abrir mão.
Com isso, também marcaram a gestão Sarney denúncias de servidores fantasmas e fragilidade no controle das horas extras. Surgiu então a promessa - ainda não cumprida - de um mecanismo de acompanhamento biométrico de frequência.
Antes, a Casa instalou um controle eletrônico. Não deu certo. Senadores dispensaram funcionários de prestarem contas de frequência. Cerca de 500 estão, oficialmente, livres da obrigação, segundo o site do Senado.
A pressão dos funcionários terceirizados também foi bem-sucedida. O Senado comemora redução de gastos na área, mas mantém cerca de 3 mil empregados desse tipo. São, por exemplo, 462 "auxiliares de execução" e 300 "vigilantes".
Esse contingente foi um dos alvos da campanha eleitoral do ex-diretor-geral da Casa e hoje deputado distrital Agaciel Maia. Apontado como mentor dos atos secretos e apadrinhado de Sarney, Agaciel escapou da demissão e recebeu suspensão temporária. Uma eventual demissão depende de decisão judicial em processo que ele responde por improbidade administrativa.
RIO GRANDE DO NORTE
Lavoisier deixa a vida pública
Da redação em 31/01/2011 03:56:43
Depois de passar pelos cargos de governador, senador e deputado federal, o deputado estadual Lavoisier Maia (PSB), 82 anos, se despede da vida pública hoje, quando conclui seu mandato na Assembleia Legislativa. "Despeço-me com o sentimento do dever cumprido, mas, com a certeza de um exemplo que ficará marcado numa historia de honestidade e seriedade com o serviço público", afirma o deputado.
Com o término do seu mandato, o ex-governador frisou que nunca deixará de ser político. "Não serei mais candidato a nenhum cargo, mais isso não significa que estarei ausente e nem omisso às questões políticas do meu Estado. Os cargos que exerci me credenciam para que continue atento aos fatos e presente sempre que necessário", prometeu Lavoisier.
Ele é natural de Almino Afonso mas foi registrado em Catolé do Rocha, na Paraíba, formou-se médico na Universidade Federal da Bahia, vindo a residir no município de Natal em 1957, onde foi professor de obstetrícia da UFRN e diretor da Maternidade Escola Januário Cicco, ingressando na vida política e exercendo vários cargos públicos: secretário de Saúde Pública do Estado, governador do RN de 1979 a 1983 pela Arena; Senador Constituinte de 1987 a 1995 pelo PDS, deputado federal de 1999 a 2006 pelo PFL e PSB e deputado estadual de 2007 a 2011 pelo PSB. Informações do Diário de Natal.
ARTIGO
José Alencar, um guerreiro
Da redação em 31/01/2011 03:46:49
Delúbio Soares (*)
“A vida é maravilhosa se não se tem medo dela”
(Charles Chaplin)
José Alencar trava sua maior batalha. É uma batalha de vida e pela vida. Nunca ninguém lutou de forma tão desabrida, transparente e corajosa como esse mineiro tem feito. Jamais um homem rico e poderoso comportou-se com tanta serenidade, altivez e paz diante daquela que o poeta Manuel Bandeira chamava “a indesejada das gentes”. Que exemplo luminoso o desse guerreiro!
Não há naquele hospital de São Paulo um empresário e político que agoniza. Muito menos um homem que espere o fim. Há uma lição de vida resplandecente por parte de alguém que não acredita que tudo pode acabar de uma hora para outra. Está se escrevendo um capítulo dos mais belos de nosso tempo, por um homem que se recusa tanto a entregar os pontos quanto transformar seu público sofrimento em algo piegas, melancólico ou baixo-astral. Se a vida de José Alencar é uma lição a ser seguida, sua postura em hora tão amarga é uma profissão de fé na existência humana.
José Alencar construiu trajetória excepcional de empresário pioneiro, visionário e exitoso. Foi líder de sua classe e, já maduro, aceitou o desafio da vida pública. Senador eleito pelos mineiros e vice-presidente da República na chapa de Lula em 2002 e 2006, absolutamente fiel às suas idéias ele é um conciliador nato, embora inarredável em seus princípios. Representou Minas no Senado com honradez e competência e foi para seu amigo Lula o vice que todo presidente sonha ter: leal, fiel, trabalhador, companheiro de todas as horas. Foi um dos poucos, raros, vice-presidentes que jamais conspirou contra o titular. Ao contrário, Alencar foi mais que um vice, foi conselheiro experiente e abalizado e amigo de todas as horas, não faltando ao presidente Lula e nem ao Brasil.
Sua fidelidade ao governo ao qual serviu jamais impediu que empreendesse verdadeira cruzada contra os juros altos, tomado de saudável obsessão, defendendo uma economia ainda mais aberta, dinâmica e desenvolvimentista. Foi sempre um servidor, jamais um servil. Defendeu com tamanha paixão seus postulados, acreditou de tal forma em suas idéias, lutou com tanta garra por seus ideais, que não colheu apenas entusiasmadas expressões de adesão e apoio de seus companheiros, mas também a declarada admiração de seus adversários.
Com a mesma dedicação com que abriu sua primeira lojinha na zona da mata mineira, ele ergueu fábricas imensas e modernas, empregou milhares de brasileiros, pagou bilhões em impostos, conquistou o mercado interno e partiu para além-fronteiras, mundo afora, tendo como atributos a impressionante determinação pessoal e a excelente qualidade de seus produtos. Um bandeirante moderno!
“Zé” Alencar é um desses brasileiros que já não se pertencem a si mesmos, nem aos amigos e nem à própria família. Como o Barão de Mauá, que rasgou grandes sertões e veredas com os trilhos de suas estradas-de-ferro, que plantou indústrias e não conheceu limites para o desenvolvimento; como Roberto Simonsen e os jovens industriais paulistas que acreditaram num Brasil que deixava as eleições a bico-de-pena, reconhecia os direitos dos trabalhadores e se preparava para figurar entre as grandes Nações do mundo; como os grandes construtores que toparam o desafio de JK e, ao lado dos candangos, fizeram Brasília, desbravaram o centro-oeste, abriram as grandes rodovias e realizaram as obras de infra-estrutura dos anos 50; como José Ermírio de Morais, empreendedor progressista e de larga visão, acreditando em nossa indústria de base; como o legendário Delmiro Gouveia, penetrando o interior do nordeste e implantando a indústria têxtil contra os interesses estrangeiros; como todos eles, nosso José Alencar já pertence à história, de forma edificante e perene.
O presente parece importar pouco a esse grande brasileiro. O sofrimento físico não o alquebrou. José Alencar é passado e é futuro. Sua obra é maior que sua existência física ou o seu determinismo biológico. Sua herança não constará em testamento ou espólio, mas em feitos memoráveis, em obras fabulosas, em lições excepcionais de trabalho e de vida.
Chego à conclusão de que toda a fortuna e sucesso de José Alencar são bens menores do que sua gigantesca figura humana. Ele tem sido muito homenageado e penso o quão enfadonho deva ser para ele, embora todas as homenagens sejam bastante sinceras e merecidas. É que homens como ele jamais serão eternizados por bustos e estátuas e nem reconhecidos por comendas e medalhas. José Alencar, em raro caso de justiça num país de tantas injustiças, já conhece a imortalidade em vida. E o Brasil homenageia o seu exemplo, a sua força moral, a sua alegria de viver, a sua esperança inabalável.
Orgulho-me de ter com ele convivido na histórica campanha em que nosso povo o consagrou, ao lado de Lula, para que realizassem o grande governo que mudou o Brasil para melhor. José Alencar, esse guerreiro que nos assombra e enternece com tanta coragem e dignidade, não veio à vida a passeio, veio a trabalho.
(*) Delúbio Soares é professor
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