O ex-governador de São Paulo Mario Covas, morto em 2001, foi considerado anistiado político pela Comissão da Anistia, em São Paulo. Com a decisão, a família do político deve receber indenização em torno de R$ 2,3 milhões. A informação é da Agência Brasil.O processo em questão foi requerido por Florinda Gomes Covas, a dona Lila, mulher do ex-governador. Ela pediu o pagamento de uma quantia referente ao período em que Covas teve seus direitos políticos cassados. Ele deixou de receber seu salário de deputado federal entre 1969 e 1979.Durante este período, Covas trabalhou como engenheiro na cidade de Santos, onde nasceu. Seguindo o texto da lei, a relatora do processo afirmou que, ao estado, cabe pagar uma prestação única de 300 salários mínimos, com o teto de R$ 100 mil. São 30 salários mínimos por ano de privação do trabalho."O Estado brasileiro pede perdão à família de Mario Covas e o declara anistiado político post mortem", afirmou Sueli Belatto, integrante da Comissão da Anistia. Durante o relato, Sueli leu trechos de discursos de Covas, incluindo também depoimentos que o então deputado prestou aos militares após o Ato Institucional número 5. "A liberdade é algo pelo qual se merece morrer em qualquer lugar do mundo", disse Covas, ao ser questionado se morreria pela liberdade de outros países, como o Vietnã.O neto do ex-governador, o advogado Gustavo Covas Lopes, representou dona Lila na sessão de julgamento. "Ele [Mario Covas] teve uma vida pública bem forte, era respeitado por todos os partidos políticos, todo mundo o reconhecia como um grande homem. Só faltava o Estado brasileiro", disse. "Em um país em que político é sinônimo de corrupto e ladrão, é mais que uma alegria, é uma honra ser neto de um político como o meu avô."
Do blog da Paola LimaFoi meteórica a passagem a do democrata Geraldo Naves pela Câmara Legislativa. Nessa quinta-feira (4), ao ser eleito líder do governo, Naves passava a acumular o quarto cargo importante na Casa - era também líder do Democratas, integrante da CPI da Corrupção e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Em apenas uma dia, tudo mudou. Um ex-servidor do GDF é preso por suposto suborno, o jornalista Edson Sombra diz que Naves foi o primeiro intermediário do governo a negociar com ele, os petistas pressionam para que ele seja afastado, e os advogados do governador José Roberto Arruda encerram o pesadelo o acusando de ter roubado um rascunho de bilhete da gaveta de Arruda.Nada mais restou a Naves a não ser aceitar placidamente o retorno do primeiro suplente do mandato, deputado Raad Massouh, lhe retirando da Câmara. Raad - que havia se licenciado exatamente para deixar a vaga a Naves, com perfil mais combativo e ideal para defender o governador nas investigações da Casa - providencialmente, para o governo, decidiu encerrar a licença de 60 dias e substituí-lo. Nos bastidores do governo, sabe-se que a ideia original era manter o democrata na Casa o máximo de tempo possível, para segurar a linha de frente governista pró-Arruda. Estudava-se até mesmo uma licença médica ou de caráter pessoal para o secretário de Habitação, Paulo Roriz, titular do mandato ocupado por Naves, para que ele pudesse permanecer na Casa mesmo depois de abril, quando o prazo de desincompatibilização o levaria de volta para a suplência.Mas havia uma sombra no meio do caminho. Já nesta sexta (5), Naves pediu o afastamento da Comissão de Constituição e Justiça e da CPI da Corrupção. E classificou como “uma maldade” o fato de Sombra ter entregado o bilhete do governador à Polícia Federal. “Ele (Sombra) é de dentro da minha casa, eu ia na casa dele. Tomava café lá, almoçava. Alguma coisa tem aí. Eu para ser sincero não sei.”, disse ao G1.
Mário Coelho
Quatro policiais civis de Goiás foram detidos na quarta-feira (3), em frente à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), acusados de estarem espionando deputados distritais da oposição. Segundo informações obtidas pelo Congresso em Foco, eles estavam no gramado da entrada principal, próximos às janelas dos gabinetes da petista Erika Kokay e da distrital Jaqueline Roriz (PMN). Após a prisão, feita por policiais civis do DF, eles foram levados à sede da Divisão Especial de Combate ao Crime Organizado (DECO) da Polícia Civil brasiliense.
Em depoimento aos policiais da DECO, que durou até às 23h de quarta-feira, o grupo afirmou que estavam monitorando os passos dos deputados a mando de Fábio Simão, ex-chefe de gabinete do governador do DF, José Roberto Arruda (sem partido). Depois de darem suas versões, eles acabaram liberados pelos agentes da divisão. O site tentou o contato com o diretor da DECO, Guilherme Henrique Nogueira, mas ainda não conseguiu o contato.
Na execução da Operação Caixa de Pandora, os policiais federais apreenderam uma agenda de Fábio Simão. De acordo com a revista Época, existe uma anotação com data de 22 de janeiro de 2007, que se refere diretamente ao governador: “R$ 17.700 Arruda”. Outras anotações guardadas em um envelope destinado a Fábio Simão, com data de 23 de novembro, seriam referentes a partilha de dinheiro: “1 - chefão 400, 2 - Dep Charles 100, 3 - Pesque Pague 800 e 4 - Brazlândia 1500”. Para os policiais, isso mostra a distribuição de propina entre Arruda e membros da Câmara Legislativa.
A Ação Civil Pública movida pelo Conselho Federal da OAB e pela seccional do Distrito Federal, que pede a indisponibilidade dos bens do governador José Roberto Arruda e mais 10 deputados distritais, foi distribuída ao juiz Pablo Zuniga Dourado, da 3ª Vara da Justiça Federal de Brasília. Arruda e os deputados são acusados de envolvimento em um esquema de propinas que ficou conhecido como "mensalão do DEM”.A ação foi protocolada, nesta sexta-feira (5/2), e tem pedido de liminar em que a OAB pede o bloqueio dos bens dos investigados para garantir ressarcimento de eventuais prejuízos ao erário, caso comprovado o desvio de recursos públicos.O presidente da Ordem, Ophir Cavalcante, afirmou que a iniciativa se deu "diante dos graves fatos apurados no inquérito 650 do inquérito do Superior Tribunal de Justiça, que apura o suposto recebimento de propinas e malversação de recursos públicos pelos investigados”. Com informações da Assessoria de Imprensa da OAB.
Tânia Monteiro, do Estado de S.PauloA redução do preço do avião Rafale, fabricado pela Dassault, era o sinal que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, precisavam para iniciar a preparação do anúncio da decisão final pela escolha do caça francês, que já havia sido tomada em setembro do ano passado, durante visita do presidente Nicolas Sarkozy ao Brasil.O preço de US$ 8,2 bilhões para o pacote da Dassault de venda de 36 Rafale para a FAB, com peças de reposição, armas e logística era considerado muito alto e o governo brasileiro exigia a diminuição do valor para poder garantir e confirmar que a França é o parceiro militar estratégico do Brasil, o que acabou acontecendo, como noticiou ontem o jornal Folha de S. Paulo. De acordo com a reportagem, o preço caiu para US$ 6,2 bilhões.Depois do carnaval, no mais tardar no início de março, Lula convocará o Conselho de Defesa Nacional para chancelar a decisão política já tomada de escolha do Rafale, por entender que ele atende às exigências que o Brasil quer para esse projeto.Na proposta entregue pela Aeronáutica ao Ministério da Defesa, em 6 de janeiro, aprovada na reunião do Alto Comando de 18 de dezembro, os preços dos pacotes eram: US$ 8,2 bilhões, da Dassault, US$ 5,7 bilhões, da Boeing (fabricante do F-18), e US$ 4,5 bilhões da Saab (Gripen). De posse desses valores, com o pacote do Rafale considerado ainda muito alto, o governo saiu em campo para reduzi-lo. Era preciso que a Dassault baixasse o preço até para o Planalto poder argumentar que esse projeto é o que melhor atende à Estratégia Nacional de Defesa e a premissa de transferência de tecnologia, chancelado a decisão política já tomada.Ontem, Jobim negou que o processo tenha sido encerrado. Pelo segundo dia consecutivo, o Comando da Aeronáutica se reuniu em Brasília e preferiu expedir uma nota sobre as notícias a respeito da redução do preço do Rafale e a decisão do governo brasileiro de optar pelo modelo francês. "A respeito da divulgação pela imprensa do suposto vencedor do processo de seleção dos novos caças multiemprego para a Força Aérea Brasileira (FAB), este centro informa que o Comando da Aeronáutica não recebeu qualquer comunicação oficial sobre o assunto."
"Serra precisa sair em campanha e começar a louvar seus próprios méritos se quiser evitar ser lembrado como o melhor presidente que o Brasil jamais teve." Assim a revista britânica The Economist conclui texto sobre o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), citado na edição desta semana como "forte candidato" a suceder o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.A reportagem - em tom opinativo e não assinada, conforme o padrão da revista - destaca que, após passar mais de um ano na liderança folgada das pesquisas, Serra viu cair sua vantagem em relação à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, enquanto Lula, "ainda imensamente popular após sete anos no cargo", se dedica "energicamente a fazer campanha por sua candidata".A revista afirma que o pré-candidato tucano tem uma "trajetória impressionante como acadêmico, ministro e governador", mas também o apresenta como "um personagem curioso". "Um amigo disse que ele anunciou que seria presidente do Brasil quando tinha apenas 17 anos. Colegas o descrevem como um teimoso e notívago control freak" - a gíria norte-americana se aplica a quem procura exercer controle sobre diversas situações e pessoas.Para a Economist, Serra terá como trunfo na campanha os investimentos realizados em estradas e no metrô da capital, em contraste com "os projetos anunciados pelo governo federal há três anos, muitos dos quais ainda não saíram do papel". O texto ressalva, porém, que o tucano se tornou alvo de críticas por conta das enchentes que atingiram o Estado, causando cerca de 70 mortes.A publicação, que defende o livre comércio e o livre mercado e se define como de "extremo centro", vê semelhanças no "desenvolvimentismo" pregado por Serra e Dilma. Aponta, no entanto, que o tucano parece mais inclinado a promover reformas para melhorar os serviços públicos e acelerar o crescimento da economia.A Economist diz que a pré-candidata petista é "ainda menos carismática" que o rival, o que abriria espaço para Serra voltar a subir nas pesquisas. Mas adverte que o "exuberante sistema partidário brasileiro", no qual os candidatos precisam costurar amplas coalizões, "é duro com aqueles cujo trem perde impulso". (AE)
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou na noite de ontem, por unanimidade, o mandato do deputado estadual José Nelto (PMDB). Denúncia do Ministério Público Eleitoral acusa Nelto de contratar em 2006 caminhonete para fazer serviço de mudança para eleitores em troca de votos. O deputado fica no cargo até que sejam julgados os embargos de declaração.José Nelto promete recorrer da decisão. Ao pedir a cassação, o relator do processo, ministro Ricardo Lewandowski, citou que foram apreendidos no comitê de campanha do peemedebista, no Jardim Curitiba, grande quantidade de cópias de identidade e títulos de eleitor. Havia também um caderno com nomes e endereços de pessoas com quem o deputado teria feito compromissos em troca de votos.Através de denúncia da OAB de Goiás, foi descoberto no comitê anotações sobre as mudanças, com dia, hora e local para onde seriam transferidos os objetos. Lewandowski afirmou no relatório que as provas constituiam material suficiente para comprovar que Nelto montou esquema para beneficiar eleitores carentes em troca de votos.“Os elementos colhidos nos autos não deixam dúvida de que a realização gratuita de mudanças tinha por escopo o aliciamento de eleitores para votar no recorrido”, disse o ministro. “Não é crível que, durante o período eleitoral, fretes gratuitos de mudanças tenham partido do comitê do recorrido sem o seu pleno conhecimento.”A defesa de Nelto alegou que os fretes eram feitos pelo proprietário da caminhonete fora do horário de trabalho e sem o conhecimento do comitê. Ele foi contratado por R$ 1,5 mil para transportar material de campanha e participar de carreatas durante três meses. Duas testemunhas confirmaram terem pago pelo frete, mas outras contaram que não pagaram pelo serviço.
Peemedebista atribui decisão a ação políticaO deputado José Nelto alegou ontem que sua cassação é fruto de “perseguição política” promovida por adversários. “Meu trabalho na CPI da Celg tem incomodado muita gente, pessoas com influência no TSE”, afirmou Nelto, evitando apontar nomes. O deputado alega que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) havia lhe absolvido por unanimidade na mesma ação em 2007, mas o MPE entrou com recurso junto ao TSE. Nelto diz que vai aguardar a publicação da decisão para recorrer. Ele afirma que os fretes eram feitos por conta própria pelo motorista, que cobrava por eles, e explica que as cópias de documentos encontrados no comitê eram de pessoas procurando emprego como cabo eleitoral. “Não existe nenhuma prova contra mim, não acharam nada”, diz. Informações de O Popular.
Pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) sobre a qualidade da Justiça no Brasil revelou que 39,8% dos entrevistados desaprovaram a atuação do Supremo Tribunal Federal no julgamento do ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda) e do italiano Cesare Battisti. Para eles, nos dois episódios, o órgão foi "pouco" ou "nada neutro". O levantamento, referente ao quarto trimestre de 2009, faz parte do ICJBrasil (Índice de Confiança na Justiça), medida criada pela Escola de Direito da FGV. Foram ouvidas 1.588 pessoas em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Porto Alegre e Brasília.A cidade mais crítica ao STF é São Paulo: 43,7% dos paulistanos disseram que o órgão foi "pouco" ou "nada neutro" no julgamento de Palocci e de Battisti. A seguir vêm Porto Alegre (42,5%) e Brasília (40,4%). No primeiro episódio, o tribunal rejeitou a abertura de ação penal contra Palocci, hoje deputado federal, por quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. No segundo, votou pela extradição de Battisti, mas delegou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a decisão final sobre o caso.Na média nacional, 38,6% afirmaram que o tribunal foi "neutro" ou "muito neutro" nesses dois casos; 21,7% disseram não saber responder. "A escolha da pergunta foi uma contingência, eram os temas mais comentados à época. A cada trimestre, haverá novas questões", disse a professora Luciana Gross Cunha, coordenadora do ICJBrasil. O ICJBrasil ficou em 5,8 pontos, em escala de 0 a 10, o que significa um avanço de 3,5% em relação à pesquisa anterior. 71% dos entrevistados disseram duvidar da honestidade e da imparcialidade da Justiça.LentidãoOntem, o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, disse que, ao declarar ser um "mito" a lentidão da Justiça, tinha a intenção de "qualificar o debate". A afirmação gerou polêmica. "O diagnóstico mais simplista que o jornaleiro e o jornalista fazem é de que o mal é a morosidade do Judiciário. Só tentei iluminar esse debate.". Informações da Folha de S.Paulo.
Em meio a uma disputa interna, a Petrobras decidiu ontem cancelar a licitação para a escolha das três agências de publicidade que vão partilhar a conta da companhia -de R$ 250 milhões ao ano, uma das mais cobiçadas do país. Apesar do vazamento do nome das três agências mais bem classificadas na fase mais importante da licitação -que praticamente definiu a concorrência-, a Petrobras relutava em cancelar a licitação.Primeiro, a empresa defendeu, em nota, a continuidade do processo sob alegação de que a análise técnica da proposta de cada uma das agências havia sido encerrada antes do vazamento da informação pelo site. Não explicou, porém, como o nomes das concorrentes foram publicados já que estavam em código só revelado pela abertura dos envelopes.Na terça-feira, a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster, disse, no exercício da presidência da companhia, que naquele momento estava mantida a licitação sob a mesma justificativa e por orientação da área jurídica da empresa, que mandara seguir com a concorrência antes de qualquer decisão final sobre o assunto. Após viagem ao exterior, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, voltou na quarta ao país e, com o aval de toda a diretoria, decidiu cancelar a licitação para que não restasse dúvida quanto à lisura do processo.Pesou na decisão a pressão das 15 agências evolvidas na licitação, que ameaçaram entrar com um recurso em bloco contra o vazamento do nome das agências mais bem classificadas -Heads, Dentsu e Quê- e até mesmo ir à Justiça.Durante a abertura dos envelopes na quinta-feira da semana passada, representantes das empresas exigiram que o vazamento fosse registrado na ata.A demora em cancelar a licitação ocorreu em razão de uma disputa interna na Petrobras. Tanto a comissão de licitação como o gerente da área de comunicação da empresa, Wilson Santarosa, defendiam a continuidade do processo licitatório. A companhia afirmou que "não surgiu nenhum fato novo para a Petrobras tomar a decisão de revogar a licitação".Em nota, a Petrobras afirmou que "um novo edital será lançado em breve e trará aprimoramentos no processo licitatório", sem detalhar as mudanças em estudo. Apesar do cancelamento, a estatal defendeu novamente a condução do processo em nota divulgada ontem, na qual reafirma que a divulgação não comprometeu a análise. A Petrobras reiterou também que o modelo de licitação sem a identificação do proponente será mantido. À Folha o presidente da Abap (Associação Brasileira das Agências de Publicidade), Luiz Lara, disse que a decisão "foi prudente" e "mostrou o zelo pela reputação de uma marca admirada no país todo". Informações da Folha de S.Paulo.
Embora continue negando publicamente, o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), já admite, em conversas com interlocutores, a hipótese de ocupar a vice na chapa do governador de São Paulo, José Serra, à Presidência da República. Segundo aliados, Aécio se mostra maleável ao argumento de que seu esforço será reconhecido pelo partido se aceitar a vice. O momento mais tenso dessas conversas ocorre quando aliados ponderam que Aécio poderá ser responsabilizado por uma eventual derrota do PSDB, caso resista ao apelo.Apesar de já conversar sobre a hipótese, Aécio reserva essa decisão para depois de abril. Ele pretende deixar o cargo em março, mas poderá deixar para traçar seu destino político nas convenções de junho. Até lá, poderá acompanhar o desempenho de Serra nas pesquisas, caso o governador de São Paulo se afaste mesmo do cargo para concorrer. Aécio ainda sonha com a hipótese de ser o candidato tucano à Presidência, encabeçando uma chapa com o ex-governador Geraldo Alckmin na vice. Esse cenário seria possível caso Serra desistisse de concorrer à Presidência, candidatando-se à reeleição no Estado.Um dos argumentos que aliados de Aécio levam em conta para encorajá-lo a aceitar a vaga de vice é que, ainda que perca, ao lado de Serra, a disputa para a ministra Dilma Rousseff (PT), o mineiro conquistará visibilidade nacional, além de se credenciar para 2014. No cenário em que Serra fosse eleito, seria grato a Aécio. Já numa derrota em que o governador mineiro tivesse se recusado a ser vice, poderia ser responsabilizado pelo resultado. Por fim, aliados de Aécio ponderam que ele não tem perfil para o papel de líder da oposição e corre o risco de não ter tanta visibilidade no Senado.Ainda assim, Aécio se irrita quando o assunto vem à tona e voltou a negar ontem a possibilidade de participar da chapa na condição de candidato a vice. "Não, nem cogito essa possibilidade", afirmou Aécio. O crescimento de Dilma Rousseff nas pesquisas, como na CNT/Sensus, divulgada nesta semana, reacendeu a discussão sobre a chamada chapa "puro-sangue" no PSDB. Antes de ser questionado ontem mais uma vez sobre se será vice de Serra, Aécio havia dito que seu futuro é o Senado."Quanto ao futuro, fiz uma opção muito clara hoje: serei candidato ao Senado da República por Minas Gerais e, no Congresso, quero dar continuidade ao trabalho que iniciamos aqui, defendendo, lá, os interesses de Minas Gerais." Aécio tem viajado pelo Estado inaugurando obras na companhia do vice-governador Antonio Anastasia, que em abril assumirá o governo do Estado e tentará se eleger governador. Aécio está empenhado em fazer dele o seu sucessor. Sobre a pré-candidatura de Serra, Aécio disse que é um nome "extremamente qualificado" e que tem "todas as condições de apresentar um projeto novo para o Brasil". Informações da Folha de S.Paulo.
Lilian Tahan e Mara Puljiz, do Correio BrazilienseA Polícia Federal abriu uma nova frente de investigação na Operação Caixa de Pandora com base nos relatos de Edmilson Edson dos Santos, conhecido como Sombra, jornalista e amigo do ex-secretário de Relações Institucionais do GDF, Durval Barbosa, responsável por denunciar um suposto esquema de corrupção envolvendo a cúpula do governo, empresários e deputados distritais. As informações prestadas por Sombra culminaram com a prisão em flagrante de Antônio Bento Silva, que foi abordado por delegados da PF logo depois de entregar sacola com R$ 200 mil em dinheiro a Sombra. A sacola com a quantia é apenas uma parte do material que se somará ao Inquérito nº 650 do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O jornalista entregou aos policiais fitas com 12 horas de gravações (áudio e vídeo) feitas nas últimas semanas que registrariam conversas e encontros sobre uma suposta tentativa de suborno proposta por interlocutores do governador José Roberto Arruda (sem partido).Em 21 de janeiro, Sombra procurou a Polícia Federal e contou que vinha sendo abordado por assessores de Arruda que lhe propuseram um acordo: Sombra concordaria em assinar uma carta contando que manipulou os vídeos apresentados por Durval Barbosa ao Ministério Público, à PF e à Justiça e receberia em troca a quantia de R$ 3 milhões. Segundo o jornalista contou à polícia, os R$ 200 mil se referiam à primeira parcela do acerto de contas. Outra quota seria paga no dia do novo depoimento de Sombra à PF, depois que ele entregasse uma cópia de seu relato nas mãos dos correligionários do governador. As demais parcelas de R$ 200 mil seriam pagas em março, abril e maio. O restante, a combinar. A carta foi apreendida no momento da prisão de Antônio Bento.Segundo o relato de Sombra, Antônio Bento seria o terceiro interlocutor de Arruda na suposta negociação. Teria sido escalado para a missão por manter vínculos tanto com o governador, quanto com o jornalista. Aposentado da Companhia Energética de Brasília (CEB), Bento trabalhou na campanha de 2006 deArruda e foi nomeado em 2007 para o conselho do Metrô. O vínculo com Sombra se dava por meio do contrato com o jornalO Distrital, no qual Antônio Bento tinha a função de gerente comercial de mercado privado, subordinado a Sombra, editor-chefe do semanário.Além dos vídeos, o jornalista repassou à PF um bilhete que teria sido escrito pelo próprio governador. Frases como “sei que ele tentou evitar”, “quero ajuda”, “sou grato”, “Geraldo está valendo” e “GDF OK” fariam parte da mensagem que será submetida à perícia e comporá novo inquérito aberto pela Polícia Federal. De acordo com o jornalista, o novo líder do governo na Câmara Legislativa, Geraldo Naves, foi o mensageiro do bilhete cifrado enviado supostamente por Arruda. A reportagem procurou Naves para que ele comentasse a acusação de Sombra, mas não o encontrou.CâmerasA prisão de Antônio Bento ocorreu às 8h50 na Torteria de Lorenza, na Quadra 303 do Sudoeste. Em vídeo divulgado pela PF, é possível conferir a cena em que Bento entrega uma sacola de dinheiro para Sombra, imagem captada por quatro das 12 câmeras de segurança da confeitaria. Em seguida à conversa, os dois se levantaram e foram abordados por delegados, que os levaram para a Superintendência da Polícia Federal, no Setor Policial Sul. O delegado Elniz Antônio Rocha Junior passou o dia de ontem ouvindo Sombra e Bento. Às 16h45, após ficar sete horas na Superintendência da PF, Edson Sombra foi liberado. Mas Bento passou a noite preso na carceragem da PF e deve ser levado hoje para o Complexo Penitenciário da Papuda, em São Sebastião.Antônio Bento foi indiciado no artigo 343 do Código Penal Brasileiro, segundo o qual dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem a testemunha em troca de omitir informação ou mentir em depoimento é crime que pode resultar em pena de três a quatro anos de prisão, além do pagamento de multa. Em nota divulgada em seu site, a Polícia Federal afirma que a prisão em flagrante de ontem será comunicada ao ministro do STJ Fernando Gonçalves, responsável pela condução das apurações da Caixa de Pandora.RemarcaçãoHá uma semana, no primeiro relato oficial à PF, Edson Sombra compareceu à Polícia Federal, mas pediu para remarcar o depoimento com o argumento de que precisava ler o inquérito.Para o GDF, foi armaçãoPor meio de nota oficial, o GDF afirmou que repudia todas as insinuações divulgadas e negou “qualquer envolvimento” com o episódio. Segundo o comunicado oficial, o flagrante de Antônio Bento é uma tentativa de armação do grupo de Durval Barbosa para “comprometer o GDF e turvar as investigações”.O governo diz na nota que Edson Sombra é íntimo colaborador de Durval e que o assessorou durante as denúncias feitas contra o GDF. Além disso, cita o fato de que Bento trabalha como diretor-comercial no jornal O Distrital, informando que o semanário pertence ao jornalista.Segundo a nota do governo, nos últimos 15 dias Antônio Bento “procurou insistentemente o GDF, primeiro com o pedido de um encontro entre o jornalista Edson Sombra e o governador Arruda e, a seguir, com pedido de patrocínio para o referido jornal. De acordo com o governo, “todos os pedidos foram negados”. O Executivo ainda afirma que Bento integra o Conselho Fiscal do Metrô, cargo para o qual foi indicado em 2007 pelo mesmo grupo de Durval Barbosa.Para o GDF, causa muita estranheza o fato de o nome de Antônio Bento constar até as 12h46 de ontem no expediente no site do jornal O Distrital e depois sumir da página na internet, “uma clara tentativa de ocultar o fato de ele ser empregado de Edson Sombra”.