body,html { overflow-y: hidden; overflow-x: hidden;} Euler de França Belém, do jornal Opção "Em nenhum lugar do mundo se dá tanta importância à poesia: é somente em nosso país (a extinta União Soviética) que se fuzila por causa de um verso", escreveu o escritor judeuDurante anos, na União Soviética, dizer o nome de Óssip Mandelstam (1891-1938) publicamente era uma ofensa grave ao “guia genial dos povos”, Stálin. Aquele que o citasse podia ser preso ou, mesmo, assassinado. A polícia política fez uma varredura cultural e limpou o nome do escritor russo Mandelstam (nascido em Varsóvia) — que o político Nicolai Ivânovitch Bukhárin amava e, enquanto pôde, protegia — dos livros de história de literatura russa ou qualquer outra. Na União Soviética, “ninguém” sabia, ou podia saber, sobre o escritor Mandelstam. Era terminantemente proibido. Seus livros, como os de Boris Pasternak, não eram editados. Mandelstam era um poeta de formação clássica, não engajado politicamente. Num dos melhores estudos da Revolução Russa de 1917, “A Tragédia de um Povo: A Revolução Russa — 1891-1924” (Record, 1106 páginas), o historiador inglês Orlando Figes diz que Maksimilian Voloshin, Mandelstam e Andréi Biéli (ou Belyi) “mostravam-se ambivalentes quanto à violência revolucionária; entendiam-na como uma força justa e primitiva, mas revelavam horror diante de tamanha crueza selvagem” (página 503). Figes conta, na página 746, que Máximo Górki ajudou Mandelstam. Há um belo livro no mercado, que poderia ter sido chamado de “O Livro Negro do Comunismo — Cultura”, mas o autor Boris Schnaiderman (um dos mais qualificados tradutores do russo), ucraniano nascido em 1917 e que mora no Brasil desde os 8 anos, não o permitiria. Por isso, o título é outro: “Os Escombros e o Mito — A Cultura e o Fim da Soviética” (Companhia das Letras, 306 páginas). Depois de contar a história do desespero do artista russo, sobretudo daquele que não se adequava ao realismo socialista de Stálin-Jdanov, Schnaiderman escreve: “É bem conhecido o caso do grande poeta Óssip Mandelstam, que não desenvolvia nenhuma atividade política mais foi retirado em 1934 de uma casa de repouso (sofria de crises nervosas) e preso por causa de um poema sobre Stálin, em que este aparece com enormes bigodões de barata [leia o poema nesta edição, em duas versões]. O poema evidentemente não pôde ser publicado, mas o poeta leu-o para os amigos mais chegados e parece que nem chegou a anotá-lo, o que não impediu sua circulação. Depois de preso, ele teve residência forçada em Vorôniej, antes de ser mais uma vez encarcerado e morrer na enfermaria de um campo de trabalho. Pois bem, em meio às condições terríveis de sua vida em Vorôniej, sujeito a privações extremas, quando sua mulher, Nadiejda, muito doente e debilitada, decorava os versos que ele escrevia, para que não se perdessem, ele criou um poema ‘positivo’, em que fala de um tempo em que Stálin faria despertar a vida e a razão. Parece muito claro tratar-se de uma tentativa de se salvar. Mas depois, também nos ‘Cadernos de Verôniej’, aparece um poema nada canônico e bem sensual, dirigido a uma mulher morena (que não era Nadiejda; esta, aliás, em sua faina desesperada de conservar tudo o que ele escrevera, fazia questão de guardar os poemas e cartas que dirigia a outras mulheres), que profere com carinho e suavidade o ‘nome tonitruante de Stálin’. Ora, é claro que o nome neste contexto não se destinava a manifestar subserviência. Seria ‘identificação com o agressor’, numa escala desmedida? Talvez”. No início de sua guerra contra os escritores, Stálin adotou a política de não matar, mas de isolar. Se não tinha tanto medo dos principais líderes bolcheviques, que foi matando um a um, até submeter toda a elite política e militar, Stálin tinha pânico de ver-se “mal” descrito pelos escritores, sobretudo pelos poetas. Tanto que, ao saber que Mandelstam o havia caricaturizado num poema, entrou em contato com Boris Pasternak, que admirava (sem conseguir controlar; pouco depois da perseguição a Mandelstam, chegou a vez de Pasternak, que, proibido de publicar, passou a traduzir, especialmente Shakespeare), para saber da importância do poeta. Stálin telefonou para o poeta, mais conhecido como autor do romance “Doutor Jivago”. O diálogo entre Pasternak e Stálin é, embora também trágico, hilário. A conversa está registrada no prefácio (do tradutor e crítico literário Paulo Bezerra) do livro “O Rumor do Tempo” (Editora 34), de Mandelstam: Stálin — Mas ele [Mandelstam] é um mestre, não é? Não é um mestre? Pasternak — Sim, mas esse não é o problema. Stálin — E qual é então? Pasternak — Gostaria que tivéssemos uma entrevista. Para conversar. Stálin — Sobre o quê? Pasternak — Sobre a vida e a morte. Stálin não gostou do que considerou petulância de Pasternak, um “simples” poeta, e bateu o telefone. Paulo Bezerra escreve: “Era muita petulância de um poeta grande porém mortal querer conversar sobre semelhante tema com o senhor da vida e da morte de milhões, principalmente da morte. Mas Stálin não telefonou a Pasternak por acaso: queria saber de fonte autorizada o real valor de Mandelstam na bolsa da poesia. Estava repetindo uma tradição que Marcel Detienne estudou em ‘Os Mestres da Verdade na Grécia Arcaica’: o poeta é um mestre da verdade, sua palavra perpetua na memória das gerações futura os feitos dos reis, podendo projetar deles uma imagem positiva ou negativa. E Stálin sabia que a opinião que as gerações futuras teriam dele dependia muito do que os poetas viessem a dizer dele. Mas tinham de ser poetas que se destacassem por aquela qualidade estética que assegura vida longa à sua obra. Por isso ele insistiu com Pasternak: ‘É um mestre’? E mestre é aquele capaz de exaltar com o mesmo virtuosismo com que desmascara, e então os versos que exaltam superam e apagam os que desmascaram. Portanto, em vez de fuzilar logo Mandelstam, era mais inteligente levá-lo a usar o seu grande talento para engrandecer a ele, Stálin. Manter o poeta vivo e não mandá-lo para um campo de trabalhos forçados, mas para um lugarejo isolado e depois para a cidade de Vorôniej, era preservá-lo na condição de ‘devedor’”. Mandelstam entendeu o recado de Stálin: não tendo sido assassinado, deveria agradecer a gentileza. Escreveu uma “Ode” a Stálin, mas sem muita qualidade. “Nome glorioso... para a honra e o amor, o ar e o aço”, mentiu Mandelstam. “Mais verdadeiro que a verdade”, acrescentou. “Talvez Mandelstam esperasse com isso salvar a própria vida. Mas em vão: acabou novamente preso e morrendo na enfermaria de um campo de trabalhos forçados, vítima da fúria de um período funesto da história do seu ‘século-fera’”, relata Paulo Bezerra. Na introdução de “Guarda Minha Fala Para Sempre”, Nina Guerra diz que Mandelstam “morreu de fome [em dezembro de 1948, aos 47 anos], de distrofia. Não existe o túmulo dele”. Poeta, prosador e crítico Mandelstam escreveu “600 poesias, ensaios autobiográficos e filosóficos, artigos de crítica literária e traduções poéticas (Mallarmé, Racine, Barbier, G. Duhamel, Jules Romain, a “Chanson de Roland”, Petrarca, entre outros)”. (Paulo Bezerra conta que Mandelstam lia intensamente a poesia de Dante, François Villon e André Chénier.) Mandelstam é um poeta à parte, autônomo, por isso é difícil filiá-lo a uma corrente. “Em 1911 foi criado um grupo literário em que entraram, entre outros, Nikolai Gumiliov, Anna Akhmátova, Serguei Gorodetski e Óssip Mandelstam. Um ano depois, a nova corrente literária foi batizada de ‘acmeísmo’ (do grego acme — ponta aguda). A nova corrente tornou-se uma superação lógica do simbolismo. Voltar à terra: da eternidade para a história, da feminidade eterna para o princípio masculino, dos espíritos incorpóreos, sejam anjos ou diabos, para a força animal, do além para o quotidiano, da idéia para as manifestações concretas”. A crítica de Mandelstam ao simbolismo: “O simbolismo russo gritou tanto e tão alto sobre o indizível, que o indizível começou a circular como papel-moeda”. O primeiro livro de Mandelstam, “Kamen” (Pedra), foi editado em 1913. “É muito marcante a imagem da pedra na poesia mandelstiana”, avalia Nina Guerra. Em 1918, escreve a ode “Trevas da Liberdade”, na qual, segundo Nina Guerra, “introduz um novo elemento na poesia russa: uma atitude ativa para com o mundo independente da posição política, um imperativo ético de ter a ‘coragem do homem’, que para ele é maior que a ‘coragem do cidadão’”. “Glorifiquemos, irmãos, as trevas da liberdade —/O grande ano das trevas./Glorifiquemos o fardo sombrio do poder,/Seu jugo insuportável”, escreveu Mandelstam. Era uma forma, conforme nota Nina Guerra, de glorificar o inglório. “Mandelstam, como poeta e como pessoa, era contra qualquer derramamento de sangue. E não em teoria: em 1918, em Moscou, o socialista-revolucionário Bliumkin gabava-se-lhe de que tinha nas mãos a vida de muitas pessoas; Mandelstam, indignado, arrebatou-lhe das mãos as listas dos condenados ao fuzilamento e rasgou-as ali mesmo.” Quase tudo do que se preservou de Mandelstam deve-se à sua mulher, Nadiejda. Ela guardou o que foi possível, até poemas de amor para outras mulheres. Deve-se a essa mulher sagaz e desprendida a “salvação”, em grande parte, da poética de Mandelstam. Certa vez, o poeta escreveu para sua mulher: “Baralharam-me, sinto-me como na prisão, não há luz. Quero limpar-me das mentiras e não sou capaz, quero lavar-me da sujidade e não posso”. É o que as ditaduras fazem aos inocentes, mesmo com aqueles que, poetas, têm o dom da palavra. Os ditadores não perdoam a rebeldia da palavra — encarceram, humilham e matam. O gigante Stálin, no enfrentamento com o julgamento histórico, hoje é anão. Mandelstam, que era pequeno (até no físico), agora é um gigante. E, quanto mais passa o tempo, Stálin vai ficando ainda menor e Mandelstam, cada vez maior. Os ditadores, que devoram os homens que resistem, acabam por serem devorados pela história. Falta, agora, traduzir a poética de Mandelstam. Parte da prosa foi decentemente traduzida por Paulo Bezerra. Os irmãos Campos traduziram quatro poemas e cometeram um erro: dizem que Mandelstam nasceu em 1892. O livro “Guarda Minha Fala para Sempre” foi editado em Portugal. É uma edição caprichada, mas muita cara. O armário de livros ÓSSIP MANDELSTAM Como um nadinha de almíscar enche uma casa inteira, a mínima influência do judaísmo enche uma vida inteira. Oh, como esse cheiro é forte! Acaso eu podia não notar que em casas judias de verdade o cheiro é diferente do das arianas? E não é só a cozinha, mas as pessoas, as coisas e as roupas que têm esse cheiro. Até hoje eu me lembro de como esse cheiro judeu adocicado me envolvia na casa de madeira dos meus avós na rua Kliutchevaya, na Riga alemã. O gabinete doméstico do meu pai já não parecia o paraíso de granito dos meus passeios regulares, ele já conduzia para outro mundo, mas a mistura do seu ambiente e a seleção dos objetos ficavam ligadas a minha consciência por um ponto forte. Antes de mais nada, a poltrona rústica de carvalho com uma balalaica e uma luva e as inscrições no braço “Devagar se vai ao longe” são um tributo ao estilo pseudo-russo de Alexandre III; depois vem o divã turco, apinhado de livros de contabilidade, com suas filhas de papel de seda escritas em letras góticas miúdas de cartas comerciais alemãs. Primeiro eu pensei que o trabalho do meu pai fosse imprimir suas cartas em papel de seda, apertando a prensa da máquina de copiar. Até hoje me parece cheiro de jugo e de trabalho o odor de couro curtido que penetra todo o ambiente, as películas palmípedes da pelica espalhadas pelo chão e as tiras de camurça roliça, vivas como dedos — tudo isso junto e mais uma escrivaninha de estilo pequeno-burguês com um calendário em mármore flutuam na fumaça do fumo e impregnados do cheiro dos couros. E, no clima árido da sala de comércio, um envidraçado armário de livros fechado por uma cortina de tafetá verde. É desse depósito de livros que quero falar. Um armário de livros em tenra infância é companheiro do homem para toda a vida. A disposição das suas prateleiras, a seleção dos livros e a cor das lombadas são consideradas a cor, a altura e a disposição da própria literatura universal. Aliás, os livros que não estavam no primeiro armário nunca iriam abrir caminho à literatura universal como ao universo. Querendo ou não, no primeiro armário todo livro é clássico e não se bota fora nenhuma lombada. Como uma estratificação geológica, essa biblioteca pequena e estranha não por acaso foi encadernada durante decênios. Nela o que era do meu pai e da minha mãe não se misturava, mas existia separadamente, e esse pequeno armário era, em uma seção, a história da tensão intelectual de todo um clã inoculado com sangue estranho. Lembro-me da prateleira inferior sempre caótica: os livros não ficavam com suas lombadas enfileiradas, mas espalhados como ruínas: os ruivos penteteucos com as capas em frangalhos, a história russa dos judeus, escrita na linguagem desajeitada e tímida de um talmudista que falava russo. Era o caos judeu rolando na poeira. Aqui mesmo logo veio parar a minha cartilha do hebraico antigo, que eu acabei não aprendendo. Num acesso de arrependimento nacional contrataram para mim um professor judeu autêntico. Ele veio diretamente da sua rua do Comércio e me dava aula sem tirar o barrete, o que me deixava sem jeito. Seu russo correto soava falso. O alfabeto hebraico com ilustrações representava de todos as formas — com um gato, um livro, um balde, ou um regador — o mesmo menino de quepe e com um rosto muito triste e adulto. Nesse menino eu não me reconheci e com todo o meu ser eu me rebelei contra esse livro e a ciência. Uma coisa surpreendia nesse professor, embora soasse artificialmente: o sentimento do orgulho nacional judeu. Ela falava dos judeus como a francesinha falava de Victor Hugo e Napoleão. Mas eu sabia que ele escondia o orgulho quando saía à rua e por isso não acreditava nele. Sobre as ruínas judaicas começava a ordem de distribuição dos livros, encabeçada pelos alemães Schiller, Goethe, Kerner e Shakespeare em alemão, em velhas edições de Leipzig e Tubingen, curtas e espessas com encadernações vinho estampadas, com caracteres miúdos destinados à vista aguda dos jovens, com gravuras leves, um pouco ao gosto inglês: mulheres de cabelos soltos torcendo os braços para trás, um candeeiro desenhado como uma luminária, cavaleiros de frontes altas e cachos de uvas nas vinhetas. Era meu pai que dos labirintos talmúdicos abria caminho para o mundo alemão como autodidata. Mais acima ficavam os livros russos de minha mãe: um Púchkin em edição Issakov de 1876. Até hoje acho magnífica essa edição, que me agrada mais que a edição da Academia. Nela não há nada supérfluo: a disposição dos caracteres é harmoniosa, as colunas de versos fluem livremente como soldados de batalhões volantes e, como chefes militares, anos racionais, precisos os conduzem até o ano de 1837 (1). A cor em Púchkin? Toda cor é fortuita: que cor escolher para o murmúrio dos rios? Ah, esse idiota alfabeto das cores em Rimbaud! Meu Púchkin de Issakov vinha com uma sobrecapa reticulada de uma cor imprestável, numa encadernação ginasiana de percalina, e aquela sobrecapa castanho-escura, com um matiz arenoso tirante a terroso, não temia nem manchas, nem tinta, nem fogo, nem querosene. Durante um quarto de século, a sotaina de som arenoso escuro absorveu tudo com amor: tamanha é a nitidez com que sinto a singela beleza espiritual, o encanto quase físico do meu Púchkin materno. Sobre ele as inscrições: “À aluna da terceira série, pela aplicação”. Com o Púchkin de Issakov combina-se a história dos mestres e mestras ideais com seu rubor tísico e seus sapatos furados: os anos oitenta em Vilno. Minha mãe e especialmente minha avó pronunciavam com orgulho a palavra “intelectual”. A encadernação de Liérmontov era em amarelo-dourado e com um matiz militar: ele não era hussardo por acaso. Ele nunca me pareceu irmão ou parente de Púchkin. Já Goethe e Schiller eu considerava gêmeos. Neste caso eu reconhecia o estranho e fazia uma distinção consciente. Porque depois de 1837 até os versos murmuraram diferente. O que significam Turguêniev e Dostoiévski? São suplementos de ‘Campo’. São de aparência idêntica, como irmãos. Capas de papelão, revestidas de película. Sobre Dostoiévski recaía o veto como uma lápide de sepultura, e dele se dizia que era “pesado”; Turguêniev era todo permitido e aberto, com sua Baden-Baden, suas ‘Águas primaveris’ e as conversas indolentes. Mas eu sabia que em nenhum lugar havia ou poderia haver uma vida tão tranquila como a de Turguêniev. Não quereis a chave da época, o livro incandescido de tanto contato, o livro que não queria morrer por nada nesse mundo e jazia como se estivesse vivo na sepultura estreita dos anos noventa, o livro cujas folhas amarelaram antes do tempo não se sabe se de tanta leitura, se do sol dos bancos das casas de campo, livro cuja primeira página revela os traços de um jovem com um penteado inspirado, traços que se tornaram ícone? Olhando para o rosto do eternamente jovem Nádson (2) fico maravilhado ao mesmo tempo com a verdadeira incandescência desses traços e com sua absoluta inexpressividade, com sua simplicidade quase campônia. Todo o livro não é assim? Toda a época não é assim? Se o mandassem a Nice, se lhe mostrassem o Mediterrâneo, ele continuaria do mesmo jeito a cantar o seu ideal e a geração sofredora, talvez acrescentando uma gaivota e a crista de uma onda. Não riais do nadsonismo; é um enigma da cultura russa e, no fundo, é incompreensível a sua sonoridade porque nós não entendemos e nem ouvimos como entendiam e ouviam eles. Quem é ele — esse monge campônio com traços inexpressivos de um eterno jovem, esse ídolo inspirado da juventude estudantil, precisamente da juventude estudantil, isto é, de uma gente escolhida em determinados séculos, esse profeta dos saraus colegiais? Quantas vezes, já sabendo que Nádson era ruim, ainda assim eu reli o seu livro e procurei ouvir a sua sonoridade como ouvia a geração depois de abandonar a presunção do presente e a ofensa pela ignorância desse jovem no passado! Neste caso, como me ajudaram os diários e as cartas de Nádson — a mesinha do leitor com um copo d’água. Como insetos de verão sob o vidro de uma lâmpada quente, toda essa geração se queimava e se consumia no fogo das festas literárias com guirlandas de rosas ilustrativas, e as reuniões tinham o caráter de culto e sacrifício expiatório pela geração. Ali acorriam aqueles que desejavam partilhar o destino da geração até à morte, os presunçosos ficavam de fora com Tiúttchev e Fet (3). No fundo, toda a grande literatura russa deu as costas a essa geração tísica com seu ideal e Baal (4). O que ainda restava? As rosas de papel, as velas dos saraus colegiais e as barcarolas de Rubinstein. Os anos oitenta em Vilno, como minha mãe os exprime. Em toda a parte era a mesma coisa: mocinhas de dezesseis anos tentando ler Stuart Mill, viam-se personalidades radiantes com traços inexpressivos e apertando o grosso pedal, morrendo num arpeggio (5) e tocando em festas públicas novas composições do leonino Anton (6). No fundo, acontecia o seguinte: com Buckle (7) e Rubinstein e conduzida por belas almas, a intelectualidade, em sua sagrada idiotice e sem distinguir o caminho, guinou decididamente para a auto-imolação pelo fogo. Com altas tochas alcatroadas, os populistas da “Vontade do Povo” (8) ardiam publicamente com Sófia Pieróvskaya e Jeliábov e todos os outros, toda a Rússia provinciana e a “juventude estudantil” consumiam-se lenta e solidariamente: não deveria restar uma só folha verde. Que vida de escassez, que cartas pobres, que brincadeiras e paródias sem graça! No álbum de família me mostraram uma foto daguerreótipa do tio Micha (9), melancólico com traços rechonchudos e doentios, e explicaram que ele não só havia enlouquecido como “ardido”: era assim que falava a linguagem da geração. Era assim que falavam de Gárchin (10), e muitas mortes se constituíam em um ritual. Semión Afanássievitch Venguérov (11), meu parente pelo lado materno (família de Vilno e lembranças de colégio), não entendia nada de literatura russa e por questão de trabalho estudava Púchkin, mas “isso” ele entendia. Para ele, “isso” era o caráter heroico da literatura russa. Ele era bom nesse seu caráter heroico, quando batia pernas pelos subúrbios de apartamento em apartamento, pendurado no braço da esposa que envelhecia, dando risinhos com sua espessa barba de formiga. Notas 1 - Púchkin é morto em duelo em janeiro de 1837. (Nota do tradutor Paulo Bezerra) 2 - Nádson, Semión Yákovilievitch (1862-1887), poeta contraditório, cuja poesia foi marcada por um intenso dramatismo e pela oscilação entre o sonho com um ideal e a constatação da sua impossibilidade. (N. do T.) 3 - Tiúttchev, F.O. (1803-1876), poeta russo clássico e romântico. A. A. Fet (1820-1892), poeta de forte expressão na literatura russa. (N. do T.) 4 - Alusão aos versos de Nádson: “crede: chegará o momento, e Baal morrerá!. (N. do T.) 5 - Em italiano, no original russo. (N. do T.) 6 - Anton Rubinstein com seus cabelos meio fulvos. (N. do T.) 7 - Buckle, Henry Thomas (1821-1862), historiador e social-positivista inglês, autor de “History of Civilization in England”, obra em dois volumes traduzida para o russo e publicada pela revista “Otiéchestvennie zapíski” (Anais pátrios) em 1861. Buckle foi muito popular entre os intelectuais liberais e os populistas russos no decênio 1860-1870. (N. do T.) 8 - Vontade do Povo (em russo “Naródnaia Vólia”): organização política secreta, fundada em 1879 na Rússia por A. Jeliábov, Sófia Pieróvskaya e outros, que substituiu a luta política de massas contra a autocracia pela conspiração política e o terror individual, e decretou a morte do czar Alexandre II. No dia 1º de março de 1881 o czar foi morto em um atentado a bomba, e no dia 1º de abril do mesmo ano Jeliábov, Sófia e outros membros da Vontade do Povo foram enforcados. (N. do T.) 9 - Diminutivo de Mikhail. (N. do T.) 10 - Gárchin, Vsievolód Mikhailovitch (1855-1888). Escritor russo de grande talento, especialmente no conto, gênero em que se destaca pela narrativa breve de tom emocional, conteúdo filosófico e tensão dramática. (N. do T.) 11 - Venguérov, Semión Afanássievitch (1855-1920). Historiador e estudioso da literatura, especialista em Púchkin, bibliófilo, fundador e primeiro diretor da câmara russa do livro. [A história “O Armário dos Livros” foi retirada do livro “O Rumor do Tempo e Viagem à Armênia”, de Óssip Mandelstam, traduzido do russo por Paulo Bezerra, Editora 34, 159 páginas.] POEMA DE ÓSSIP MANDELSTAM A Era Minha era, minha fera, quem ousa,Olhando nos teus olhos, com sangue,colar a coluna de tuas vértebras?Com cimento de sangue — dois séculos —Que jorra da garganta das coisas?Treme o parasita, espinha langue,Filipenso ao umbral de horas novas. Todo ser enquanto a vida avançaDeve suportar esta cadeiaOculta de vértebras. Em tornoJubila uma onda. E a vida comoFrágil cartilagem de criançaParte seu ápex: morte da ovelha,A idade da terra em sua infância. Junta as partes nodosas dos dias:Soa a flauta, e o mundo está liberto,Soa a flauta, e a vida se recria.Angústia! A onda do tempo oscilaBatida pelo vento do século.E a víbora na relva respiraO outro da idade, áurea medida. Vergônteas de nova primavera!Mas a espinha partiu-se da fera,Bela era lastimável. Era,Ex-pantera flexível, que volvePara trás, riso absurdo, e descobreDura e dócil, na meada dos rastros,As pegadas de seus próprios passos. [Tradução de Haroldo de Campos. Do livro “Poesia Russa Moderna”, com traduções de Augusto e Haroldo de Campos, com revisões de Boris Schnaiderman. Editora Brasiliense. O poema é de 1923.) POEMAS DE ÓSSIP MANDELSTAM Ainda não morreste, inda não estás sozinho:A companheirinha-mendigaNo vale magnânimo e com a bruma, o frio,A tempestade — estás contigo. Na pobreza opulenta, miséria poderosa,Vive tranquilo e consolado.Benditas são as noites e os dias, e o laborDo belo-verbo é sem pecado. Desgraçado é quem de si mesmo é a sombra,A quem assusta o ladrido,O vento ceifa. É pobre quem pede esmola à sombraMeio morto e ferido. [A “sombra” era uma das obsessões poéticas de Mandelstam. O poema é de janeiro de 1937. A tradução, de Nina Guerra e Filipe Guerra, está no livro “Guarda Minha Fala para Sempre”, de Óssip Mandelstam. Editora Assírio & Alvim, 237 páginas. A obra contém poemas e pequenos textos em prosa.] Inseparável do medo é a queda,Medo é mesmo do vazio o sentimento.Quem das alturas nos atira a pedra,Rejeitando ela o jugo do momento? E tu, com teus passos hirtos de monge,Mediste em tempos a nave empedrada:Calhaus e sonhos rudes — não está longeA sede de morte, a grandeza ansiada! Maldito sejas, gótico abrigo,Quem entra é pelo tecto enganado,Na ladeira não arde o lenho amigo. Vivendo eternidade poucos haja,Mas, viver ao momento subjugado —Que terrível sorte e que frágil casa! [Poema de 1912, cinco anos antes da Revolução Russa. A tradução é de Nina Guerra e Filipe Guerra. A “Revista Bula” mantém a palavra “tecto”, como está na tradução, e não teto, como se usa no Brasil. A tradução é anterior à reforma ortográfica.] O poema de Óssip Mandelstam que provocou sua prisão em 1934(A “Revista Bula” publica duas traduções — a brasileira e a portuguesa) Vivemos sem sentir o país sob os pés,Nem a dez passos ouvimos o que se diz,E quando chegamos enfim à meia falaO montanheiro do Krémlin lá vem à baila.Dedos gordurosos como vérmina gorda.Riem-se-lhe os bigodes de barata,Reluzem-lhe os canos da bota alta. À volta a escumalha — guias de fino pescoço —Nas vênias da semigente ele brinca com gozo.Um assobia, o outro geme, aquele mia,Só ele trata por tu, escolhe companhia.Como ferraduras, lei ‘trás de lei ele oferta,Em cheio na virilha, olho e sobrolho e testa.Cada morte que faz — crime malinoE o peitaço tem amplo, o ossetino. [Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra] Nós vivemos sem perceber o país sob nós,nossos discursos não são ouvidos a 10 passos de distância,Mas onde há apenas uma meia-conversasempre nos recordamos do montanhês do Kremlin.Seus grossos dedos são gordos como vermes,e suas palavras seguras como fios de mundo.Riem seus bigodes de escaravelho,e brilham suas polainas.Rodeia-o um bando de chefetes submissosE ele se diverte com a servidão dos semi-homens.Há quem assovia, quem geme, quem choramingase somente ele fala ou aponta o dedo.Como ferraduras ele forja um ukaz após outrocom os quais de um ele ferra a virilha, de outro a testa,de mais outro as sobrancelhas, de outroainda os olhos.Não há execução que não seja para ele uma festa. [Tradução de Luís Mário Gazzaneo] Ditador dos bigodes de barata não gostou A tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra, feita a partir do original russo, está no livro “Guarda Minha Fala para Sempre”, de Óssip Mandelstam, publicado pela editora portuguesa Assírio & Alvim. A “Revista Bula” mantém a acentuação portuguesa (Krémlin, vénia ) e a estrutura da versão. A tradução de Luís Mário Gazzaneo está no livro “Os Últimos Anos de Bukhárin”, de Roy Medvedev, Editora Civilização Brasileira (página 73). Ela foi feita a partir do italiano. O poema é de 1933, quando Stálin já era senhor absoluto da União Soviética. Mas as matanças dos “inimigos” pessoais do ditador começaram no ano seguinte. Esses adversários eram tratados (e apresentados à população) como inimigos do socialismo, da revolução, da União Soviética. Eram “terroristas” e “trotskistas”. Mandelstam teve coragem de desafiar Stálin quando os políticos e muitos escritores já buscavam a conciliação com o objetivo de sobreviver política e, sobretudo, fisicamente. Mandelstam fez o desafio supremo ao dizer que o bigode de Stálin era de barata e seus dedos gordos foram comparados a vermes. É um retrato sem retoque do ditador georgiano, Stálin, dos ditadores em geral e da submissão que os regimes de exceção produzem. Segundo Roy Medvedev, Mandelstam não escreveu os versos. Ele limitava-se a recitá-los “em várias ocasiões a alguns amigos”. A transcrição teria sido feita por um stalinista com o objetivo de indispor Mandelstam com Stálin. Como era recitado em vários lugares, com entonações e palavras diferentes, há outras versões do poema.
"Em nenhum lugar do mundo se dá tanta importância à poesia: é somente em nosso país (a extinta União Soviética) que se fuzila por causa de um verso", escreveu o escritor judeuDurante anos, na União Soviética, dizer o nome de Óssip Mandelstam (1891-1938) publicamente era uma ofensa grave ao “guia genial dos povos”, Stálin. Aquele que o citasse podia ser preso ou, mesmo, assassinado. A polícia política fez uma varredura cultural e limpou o nome do escritor russo Mandelstam (nascido em Varsóvia) — que o político Nicolai Ivânovitch Bukhárin amava e, enquanto pôde, protegia — dos livros de história de literatura russa ou qualquer outra. Na União Soviética, “ninguém” sabia, ou podia saber, sobre o escritor Mandelstam. Era terminantemente proibido. Seus livros, como os de Boris Pasternak, não eram editados.
Mandelstam era um poeta de formação clássica, não engajado politicamente. Num dos melhores estudos da Revolução Russa de 1917, “A Tragédia de um Povo: A Revolução Russa — 1891-1924” (Record, 1106 páginas), o historiador inglês Orlando Figes diz que Maksimilian Voloshin, Mandelstam e Andréi Biéli (ou Belyi) “mostravam-se ambivalentes quanto à violência revolucionária; entendiam-na como uma força justa e primitiva, mas revelavam horror diante de tamanha crueza selvagem” (página 503). Figes conta, na página 746, que Máximo Górki ajudou Mandelstam.
Há um belo livro no mercado, que poderia ter sido chamado de “O Livro Negro do Comunismo — Cultura”, mas o autor Boris Schnaiderman (um dos mais qualificados tradutores do russo), ucraniano nascido em 1917 e que mora no Brasil desde os 8 anos, não o permitiria. Por isso, o título é outro: “Os Escombros e o Mito — A Cultura e o Fim da Soviética” (Companhia das Letras, 306 páginas).
Depois de contar a história do desespero do artista russo, sobretudo daquele que não se adequava ao realismo socialista de Stálin-Jdanov, Schnaiderman escreve: “É bem conhecido o caso do grande poeta Óssip Mandelstam, que não desenvolvia nenhuma atividade política mais foi retirado em 1934 de uma casa de repouso (sofria de crises nervosas) e preso por causa de um poema sobre Stálin, em que este aparece com enormes bigodões de barata [leia o poema nesta edição, em duas versões]. O poema evidentemente não pôde ser publicado, mas o poeta leu-o para os amigos mais chegados e parece que nem chegou a anotá-lo, o que não impediu sua circulação. Depois de preso, ele teve residência forçada em Vorôniej, antes de ser mais uma vez encarcerado e morrer na enfermaria de um campo de trabalho. Pois bem, em meio às condições terríveis de sua vida em Vorôniej, sujeito a privações extremas, quando sua mulher, Nadiejda, muito doente e debilitada, decorava os versos que ele escrevia, para que não se perdessem, ele criou um poema ‘positivo’, em que fala de um tempo em que Stálin faria despertar a vida e a razão. Parece muito claro tratar-se de uma tentativa de se salvar. Mas depois, também nos ‘Cadernos de Verôniej’, aparece um poema nada canônico e bem sensual, dirigido a uma mulher morena (que não era Nadiejda; esta, aliás, em sua faina desesperada de conservar tudo o que ele escrevera, fazia questão de guardar os poemas e cartas que dirigia a outras mulheres), que profere com carinho e suavidade o ‘nome tonitruante de Stálin’. Ora, é claro que o nome neste contexto não se destinava a manifestar subserviência. Seria ‘identificação com o agressor’, numa escala desmedida? Talvez”.
No início de sua guerra contra os escritores, Stálin adotou a política de não matar, mas de isolar. Se não tinha tanto medo dos principais líderes bolcheviques, que foi matando um a um, até submeter toda a elite política e militar, Stálin tinha pânico de ver-se “mal” descrito pelos escritores, sobretudo pelos poetas. Tanto que, ao saber que Mandelstam o havia caricaturizado num poema, entrou em contato com Boris Pasternak, que admirava (sem conseguir controlar; pouco depois da perseguição a Mandelstam, chegou a vez de Pasternak, que, proibido de publicar, passou a traduzir, especialmente Shakespeare), para saber da importância do poeta. Stálin telefonou para o poeta, mais conhecido como autor do romance “Doutor Jivago”.
O diálogo entre Pasternak e Stálin é, embora também trágico, hilário. A conversa está registrada no prefácio (do tradutor e crítico literário Paulo Bezerra) do livro “O Rumor do Tempo” (Editora 34), de Mandelstam:
Stálin — Mas ele [Mandelstam] é um mestre, não é? Não é um mestre?
Pasternak — Sim, mas esse não é o problema.
Stálin — E qual é então?
Pasternak — Gostaria que tivéssemos uma entrevista. Para conversar.
Stálin — Sobre o quê?
Pasternak — Sobre a vida e a morte.
Stálin não gostou do que considerou petulância de Pasternak, um “simples” poeta, e bateu o telefone. Paulo Bezerra escreve: “Era muita petulância de um poeta grande porém mortal querer conversar sobre semelhante tema com o senhor da vida e da morte de milhões, principalmente da morte. Mas Stálin não telefonou a Pasternak por acaso: queria saber de fonte autorizada o real valor de Mandelstam na bolsa da poesia. Estava repetindo uma tradição que Marcel Detienne estudou em ‘Os Mestres da Verdade na Grécia Arcaica’: o poeta é um mestre da verdade, sua palavra perpetua na memória das gerações futura os feitos dos reis, podendo projetar deles uma imagem positiva ou negativa. E Stálin sabia que a opinião que as gerações futuras teriam dele dependia muito do que os poetas viessem a dizer dele. Mas tinham de ser poetas que se destacassem por aquela qualidade estética que assegura vida longa à sua obra. Por isso ele insistiu com Pasternak: ‘É um mestre’? E mestre é aquele capaz de exaltar com o mesmo virtuosismo com que desmascara, e então os versos que exaltam superam e apagam os que desmascaram. Portanto, em vez de fuzilar logo Mandelstam, era mais inteligente levá-lo a usar o seu grande talento para engrandecer a ele, Stálin. Manter o poeta vivo e não mandá-lo para um campo de trabalhos forçados, mas para um lugarejo isolado e depois para a cidade de Vorôniej, era preservá-lo na condição de ‘devedor’”.
Mandelstam entendeu o recado de Stálin: não tendo sido assassinado, deveria agradecer a gentileza. Escreveu uma “Ode” a Stálin, mas sem muita qualidade. “Nome glorioso... para a honra e o amor, o ar e o aço”, mentiu Mandelstam. “Mais verdadeiro que a verdade”, acrescentou. “Talvez Mandelstam esperasse com isso salvar a própria vida. Mas em vão: acabou novamente preso e morrendo na enfermaria de um campo de trabalhos forçados, vítima da fúria de um período funesto da história do seu ‘século-fera’”, relata Paulo Bezerra. Na introdução de “Guarda Minha Fala Para Sempre”, Nina Guerra diz que Mandelstam “morreu de fome [em dezembro de 1948, aos 47 anos], de distrofia. Não existe o túmulo dele”. Poeta, prosador e crítico
Mandelstam escreveu “600 poesias, ensaios autobiográficos e filosóficos, artigos de crítica literária e traduções poéticas (Mallarmé, Racine, Barbier, G. Duhamel, Jules Romain, a “Chanson de Roland”, Petrarca, entre outros)”. (Paulo Bezerra conta que Mandelstam lia intensamente a poesia de Dante, François Villon e André Chénier.) Mandelstam é um poeta à parte, autônomo, por isso é difícil filiá-lo a uma corrente. “Em 1911 foi criado um grupo literário em que entraram, entre outros, Nikolai Gumiliov, Anna Akhmátova, Serguei Gorodetski e Óssip Mandelstam. Um ano depois, a nova corrente literária foi batizada de ‘acmeísmo’ (do grego acme — ponta aguda). A nova corrente tornou-se uma superação lógica do simbolismo. Voltar à terra: da eternidade para a história, da feminidade eterna para o princípio masculino, dos espíritos incorpóreos, sejam anjos ou diabos, para a força animal, do além para o quotidiano, da idéia para as manifestações concretas”. A crítica de Mandelstam ao simbolismo: “O simbolismo russo gritou tanto e tão alto sobre o indizível, que o indizível começou a circular como papel-moeda”. O primeiro livro de Mandelstam, “Kamen” (Pedra), foi editado em 1913. “É muito marcante a imagem da pedra na poesia mandelstiana”, avalia Nina Guerra.
Em 1918, escreve a ode “Trevas da Liberdade”, na qual, segundo Nina Guerra, “introduz um novo elemento na poesia russa: uma atitude ativa para com o mundo independente da posição política, um imperativo ético de ter a ‘coragem do homem’, que para ele é maior que a ‘coragem do cidadão’”. “Glorifiquemos, irmãos, as trevas da liberdade —/O grande ano das trevas./Glorifiquemos o fardo sombrio do poder,/Seu jugo insuportável”, escreveu Mandelstam. Era uma forma, conforme nota Nina Guerra, de glorificar o inglório. “Mandelstam, como poeta e como pessoa, era contra qualquer derramamento de sangue. E não em teoria: em 1918, em Moscou, o socialista-revolucionário Bliumkin gabava-se-lhe de que tinha nas mãos a vida de muitas pessoas; Mandelstam, indignado, arrebatou-lhe das mãos as listas dos condenados ao fuzilamento e rasgou-as ali mesmo.”
Quase tudo do que se preservou de Mandelstam deve-se à sua mulher, Nadiejda. Ela guardou o que foi possível, até poemas de amor para outras mulheres. Deve-se a essa mulher sagaz e desprendida a “salvação”, em grande parte, da poética de Mandelstam. Certa vez, o poeta escreveu para sua mulher: “Baralharam-me, sinto-me como na prisão, não há luz. Quero limpar-me das mentiras e não sou capaz, quero lavar-me da sujidade e não posso”. É o que as ditaduras fazem aos inocentes, mesmo com aqueles que, poetas, têm o dom da palavra. Os ditadores não perdoam a rebeldia da palavra — encarceram, humilham e matam.
O gigante Stálin, no enfrentamento com o julgamento histórico, hoje é anão. Mandelstam, que era pequeno (até no físico), agora é um gigante. E, quanto mais passa o tempo, Stálin vai ficando ainda menor e Mandelstam, cada vez maior. Os ditadores, que devoram os homens que resistem, acabam por serem devorados pela história.
Falta, agora, traduzir a poética de Mandelstam. Parte da prosa foi decentemente traduzida por Paulo Bezerra. Os irmãos Campos traduziram quatro poemas e cometeram um erro: dizem que Mandelstam nasceu em 1892. O livro “Guarda Minha Fala para Sempre” foi editado em Portugal. É uma edição caprichada, mas muita cara.
O armário de livros
ÓSSIP MANDELSTAM
Como um nadinha de almíscar enche uma casa inteira, a mínima influência do judaísmo enche uma vida inteira. Oh, como esse cheiro é forte! Acaso eu podia não notar que em casas judias de verdade o cheiro é diferente do das arianas? E não é só a cozinha, mas as pessoas, as coisas e as roupas que têm esse cheiro. Até hoje eu me lembro de como esse cheiro judeu adocicado me envolvia na casa de madeira dos meus avós na rua Kliutchevaya, na Riga alemã. O gabinete doméstico do meu pai já não parecia o paraíso de granito dos meus passeios regulares, ele já conduzia para outro mundo, mas a mistura do seu ambiente e a seleção dos objetos ficavam ligadas a minha consciência por um ponto forte. Antes de mais nada, a poltrona rústica de carvalho com uma balalaica e uma luva e as inscrições no braço “Devagar se vai ao longe” são um tributo ao estilo pseudo-russo de Alexandre III; depois vem o divã turco, apinhado de livros de contabilidade, com suas filhas de papel de seda escritas em letras góticas miúdas de cartas comerciais alemãs. Primeiro eu pensei que o trabalho do meu pai fosse imprimir suas cartas em papel de seda, apertando a prensa da máquina de copiar. Até hoje me parece cheiro de jugo e de trabalho o odor de couro curtido que penetra todo o ambiente, as películas palmípedes da pelica espalhadas pelo chão e as tiras de camurça roliça, vivas como dedos — tudo isso junto e mais uma escrivaninha de estilo pequeno-burguês com um calendário em mármore flutuam na fumaça do fumo e impregnados do cheiro dos couros. E, no clima árido da sala de comércio, um envidraçado armário de livros fechado por uma cortina de tafetá verde. É desse depósito de livros que quero falar. Um armário de livros em tenra infância é companheiro do homem para toda a vida. A disposição das suas prateleiras, a seleção dos livros e a cor das lombadas são consideradas a cor, a altura e a disposição da própria literatura universal. Aliás, os livros que não estavam no primeiro armário nunca iriam abrir caminho à literatura universal como ao universo. Querendo ou não, no primeiro armário todo livro é clássico e não se bota fora nenhuma lombada.
Como uma estratificação geológica, essa biblioteca pequena e estranha não por acaso foi encadernada durante decênios. Nela o que era do meu pai e da minha mãe não se misturava, mas existia separadamente, e esse pequeno armário era, em uma seção, a história da tensão intelectual de todo um clã inoculado com sangue estranho.
Lembro-me da prateleira inferior sempre caótica: os livros não ficavam com suas lombadas enfileiradas, mas espalhados como ruínas: os ruivos penteteucos com as capas em frangalhos, a história russa dos judeus, escrita na linguagem desajeitada e tímida de um talmudista que falava russo. Era o caos judeu rolando na poeira. Aqui mesmo logo veio parar a minha cartilha do hebraico antigo, que eu acabei não aprendendo. Num acesso de arrependimento nacional contrataram para mim um professor judeu autêntico. Ele veio diretamente da sua rua do Comércio e me dava aula sem tirar o barrete, o que me deixava sem jeito. Seu russo correto soava falso. O alfabeto hebraico com ilustrações representava de todos as formas — com um gato, um livro, um balde, ou um regador — o mesmo menino de quepe e com um rosto muito triste e adulto. Nesse menino eu não me reconheci e com todo o meu ser eu me rebelei contra esse livro e a ciência. Uma coisa surpreendia nesse professor, embora soasse artificialmente: o sentimento do orgulho nacional judeu. Ela falava dos judeus como a francesinha falava de Victor Hugo e Napoleão. Mas eu sabia que ele escondia o orgulho quando saía à rua e por isso não acreditava nele.
Sobre as ruínas judaicas começava a ordem de distribuição dos livros, encabeçada pelos alemães Schiller, Goethe, Kerner e Shakespeare em alemão, em velhas edições de Leipzig e Tubingen, curtas e espessas com encadernações vinho estampadas, com caracteres miúdos destinados à vista aguda dos jovens, com gravuras leves, um pouco ao gosto inglês: mulheres de cabelos soltos torcendo os braços para trás, um candeeiro desenhado como uma luminária, cavaleiros de frontes altas e cachos de uvas nas vinhetas. Era meu pai que dos labirintos talmúdicos abria caminho para o mundo alemão como autodidata.
Mais acima ficavam os livros russos de minha mãe: um Púchkin em edição Issakov de 1876. Até hoje acho magnífica essa edição, que me agrada mais que a edição da Academia. Nela não há nada supérfluo: a disposição dos caracteres é harmoniosa, as colunas de versos fluem livremente como soldados de batalhões volantes e, como chefes militares, anos racionais, precisos os conduzem até o ano de 1837 (1). A cor em Púchkin? Toda cor é fortuita: que cor escolher para o murmúrio dos rios? Ah, esse idiota alfabeto das cores em Rimbaud!
Meu Púchkin de Issakov vinha com uma sobrecapa reticulada de uma cor imprestável, numa encadernação ginasiana de percalina, e aquela sobrecapa castanho-escura, com um matiz arenoso tirante a terroso, não temia nem manchas, nem tinta, nem fogo, nem querosene. Durante um quarto de século, a sotaina de som arenoso escuro absorveu tudo com amor: tamanha é a nitidez com que sinto a singela beleza espiritual, o encanto quase físico do meu Púchkin materno. Sobre ele as inscrições: “À aluna da terceira série, pela aplicação”. Com o Púchkin de Issakov combina-se a história dos mestres e mestras ideais com seu rubor tísico e seus sapatos furados: os anos oitenta em Vilno. Minha mãe e especialmente minha avó pronunciavam com orgulho a palavra “intelectual”. A encadernação de Liérmontov era em amarelo-dourado e com um matiz militar: ele não era hussardo por acaso. Ele nunca me pareceu irmão ou parente de Púchkin. Já Goethe e Schiller eu considerava gêmeos. Neste caso eu reconhecia o estranho e fazia uma distinção consciente. Porque depois de 1837 até os versos murmuraram diferente.
O que significam Turguêniev e Dostoiévski? São suplementos de ‘Campo’. São de aparência idêntica, como irmãos. Capas de papelão, revestidas de película. Sobre Dostoiévski recaía o veto como uma lápide de sepultura, e dele se dizia que era “pesado”; Turguêniev era todo permitido e aberto, com sua Baden-Baden, suas ‘Águas primaveris’ e as conversas indolentes. Mas eu sabia que em nenhum lugar havia ou poderia haver uma vida tão tranquila como a de Turguêniev.
Não quereis a chave da época, o livro incandescido de tanto contato, o livro que não queria morrer por nada nesse mundo e jazia como se estivesse vivo na sepultura estreita dos anos noventa, o livro cujas folhas amarelaram antes do tempo não se sabe se de tanta leitura, se do sol dos bancos das casas de campo, livro cuja primeira página revela os traços de um jovem com um penteado inspirado, traços que se tornaram ícone? Olhando para o rosto do eternamente jovem Nádson (2) fico maravilhado ao mesmo tempo com a verdadeira incandescência desses traços e com sua absoluta inexpressividade, com sua simplicidade quase campônia. Todo o livro não é assim? Toda a época não é assim? Se o mandassem a Nice, se lhe mostrassem o Mediterrâneo, ele continuaria do mesmo jeito a cantar o seu ideal e a geração sofredora, talvez acrescentando uma gaivota e a crista de uma onda. Não riais do nadsonismo; é um enigma da cultura russa e, no fundo, é incompreensível a sua sonoridade porque nós não entendemos e nem ouvimos como entendiam e ouviam eles. Quem é ele — esse monge campônio com traços inexpressivos de um eterno jovem, esse ídolo inspirado da juventude estudantil, precisamente da juventude estudantil, isto é, de uma gente escolhida em determinados séculos, esse profeta dos saraus colegiais? Quantas vezes, já sabendo que Nádson era ruim, ainda assim eu reli o seu livro e procurei ouvir a sua sonoridade como ouvia a geração depois de abandonar a presunção do presente e a ofensa pela ignorância desse jovem no passado! Neste caso, como me ajudaram os diários e as cartas de Nádson — a mesinha do leitor com um copo d’água. Como insetos de verão sob o vidro de uma lâmpada quente, toda essa geração se queimava e se consumia no fogo das festas literárias com guirlandas de rosas ilustrativas, e as reuniões tinham o caráter de culto e sacrifício expiatório pela geração. Ali acorriam aqueles que desejavam partilhar o destino da geração até à morte, os presunçosos ficavam de fora com Tiúttchev e Fet (3). No fundo, toda a grande literatura russa deu as costas a essa geração tísica com seu ideal e Baal (4). O que ainda restava? As rosas de papel, as velas dos saraus colegiais e as barcarolas de Rubinstein. Os anos oitenta em Vilno, como minha mãe os exprime. Em toda a parte era a mesma coisa: mocinhas de dezesseis anos tentando ler Stuart Mill, viam-se personalidades radiantes com traços inexpressivos e apertando o grosso pedal, morrendo num arpeggio (5) e tocando em festas públicas novas composições do leonino Anton (6). No fundo, acontecia o seguinte: com Buckle (7) e Rubinstein e conduzida por belas almas, a intelectualidade, em sua sagrada idiotice e sem distinguir o caminho, guinou decididamente para a auto-imolação pelo fogo. Com altas tochas alcatroadas, os populistas da “Vontade do Povo” (8) ardiam publicamente com Sófia Pieróvskaya e Jeliábov e todos os outros, toda a Rússia provinciana e a “juventude estudantil” consumiam-se lenta e solidariamente: não deveria restar uma só folha verde.
Que vida de escassez, que cartas pobres, que brincadeiras e paródias sem graça! No álbum de família me mostraram uma foto daguerreótipa do tio Micha (9), melancólico com traços rechonchudos e doentios, e explicaram que ele não só havia enlouquecido como “ardido”: era assim que falava a linguagem da geração. Era assim que falavam de Gárchin (10), e muitas mortes se constituíam em um ritual.
Semión Afanássievitch Venguérov (11), meu parente pelo lado materno (família de Vilno e lembranças de colégio), não entendia nada de literatura russa e por questão de trabalho estudava Púchkin, mas “isso” ele entendia. Para ele, “isso” era o caráter heroico da literatura russa. Ele era bom nesse seu caráter heroico, quando batia pernas pelos subúrbios de apartamento em apartamento, pendurado no braço da esposa que envelhecia, dando risinhos com sua espessa barba de formiga.
Notas
1 - Púchkin é morto em duelo em janeiro de 1837. (Nota do tradutor Paulo Bezerra)
2 - Nádson, Semión Yákovilievitch (1862-1887), poeta contraditório, cuja poesia foi marcada por um intenso dramatismo e pela oscilação entre o sonho com um ideal e a constatação da sua impossibilidade. (N. do T.)
3 - Tiúttchev, F.O. (1803-1876), poeta russo clássico e romântico. A. A. Fet (1820-1892), poeta de forte expressão na literatura russa. (N. do T.)
4 - Alusão aos versos de Nádson: “crede: chegará o momento, e Baal morrerá!. (N. do T.)
5 - Em italiano, no original russo. (N. do T.)
6 - Anton Rubinstein com seus cabelos meio fulvos. (N. do T.)
7 - Buckle, Henry Thomas (1821-1862), historiador e social-positivista inglês, autor de “History of Civilization in England”, obra em dois volumes traduzida para o russo e publicada pela revista “Otiéchestvennie zapíski” (Anais pátrios) em 1861. Buckle foi muito popular entre os intelectuais liberais e os populistas russos no decênio 1860-1870. (N. do T.)
8 - Vontade do Povo (em russo “Naródnaia Vólia”): organização política secreta, fundada em 1879 na Rússia por A. Jeliábov, Sófia Pieróvskaya e outros, que substituiu a luta política de massas contra a autocracia pela conspiração política e o terror individual, e decretou a morte do czar Alexandre II. No dia 1º de março de 1881 o czar foi morto em um atentado a bomba, e no dia 1º de abril do mesmo ano Jeliábov, Sófia e outros membros da Vontade do Povo foram enforcados. (N. do T.)
9 - Diminutivo de Mikhail. (N. do T.)
10 - Gárchin, Vsievolód Mikhailovitch (1855-1888). Escritor russo de grande talento, especialmente no conto, gênero em que se destaca pela narrativa breve de tom emocional, conteúdo filosófico e tensão dramática. (N. do T.)
11 - Venguérov, Semión Afanássievitch (1855-1920). Historiador e estudioso da literatura, especialista em Púchkin, bibliófilo, fundador e primeiro diretor da câmara russa do livro.
[A história “O Armário dos Livros” foi retirada do livro “O Rumor do Tempo e Viagem à Armênia”, de Óssip Mandelstam, traduzido do russo por Paulo Bezerra, Editora 34, 159 páginas.]
POEMA DE ÓSSIP MANDELSTAM
A Era
Minha era, minha fera, quem ousa,Olhando nos teus olhos, com sangue,colar a coluna de tuas vértebras?Com cimento de sangue — dois séculos —Que jorra da garganta das coisas?Treme o parasita, espinha langue,Filipenso ao umbral de horas novas.
Todo ser enquanto a vida avançaDeve suportar esta cadeiaOculta de vértebras. Em tornoJubila uma onda. E a vida comoFrágil cartilagem de criançaParte seu ápex: morte da ovelha,A idade da terra em sua infância.
Junta as partes nodosas dos dias:Soa a flauta, e o mundo está liberto,Soa a flauta, e a vida se recria.Angústia! A onda do tempo oscilaBatida pelo vento do século.E a víbora na relva respiraO outro da idade, áurea medida.
Vergônteas de nova primavera!Mas a espinha partiu-se da fera,Bela era lastimável. Era,Ex-pantera flexível, que volvePara trás, riso absurdo, e descobreDura e dócil, na meada dos rastros,As pegadas de seus próprios passos.
[Tradução de Haroldo de Campos. Do livro “Poesia Russa Moderna”, com traduções de Augusto e Haroldo de Campos, com revisões de Boris Schnaiderman. Editora Brasiliense. O poema é de 1923.)
POEMAS DE ÓSSIP MANDELSTAM
Ainda não morreste, inda não estás sozinho:A companheirinha-mendigaNo vale magnânimo e com a bruma, o frio,A tempestade — estás contigo.
Na pobreza opulenta, miséria poderosa,Vive tranquilo e consolado.Benditas são as noites e os dias, e o laborDo belo-verbo é sem pecado.
Desgraçado é quem de si mesmo é a sombra,A quem assusta o ladrido,O vento ceifa. É pobre quem pede esmola à sombraMeio morto e ferido.
[A “sombra” era uma das obsessões poéticas de Mandelstam. O poema é de janeiro de 1937. A tradução, de Nina Guerra e Filipe Guerra, está no livro “Guarda Minha Fala para Sempre”, de Óssip Mandelstam. Editora Assírio & Alvim, 237 páginas. A obra contém poemas e pequenos textos em prosa.]
Inseparável do medo é a queda,Medo é mesmo do vazio o sentimento.Quem das alturas nos atira a pedra,Rejeitando ela o jugo do momento?
E tu, com teus passos hirtos de monge,Mediste em tempos a nave empedrada:Calhaus e sonhos rudes — não está longeA sede de morte, a grandeza ansiada!
Maldito sejas, gótico abrigo,Quem entra é pelo tecto enganado,Na ladeira não arde o lenho amigo.
Vivendo eternidade poucos haja,Mas, viver ao momento subjugado —Que terrível sorte e que frágil casa!
[Poema de 1912, cinco anos antes da Revolução Russa. A tradução é de Nina Guerra e Filipe Guerra. A “Revista Bula” mantém a palavra “tecto”, como está na tradução, e não teto, como se usa no Brasil. A tradução é anterior à reforma ortográfica.]
O poema de Óssip Mandelstam que provocou sua prisão em 1934(A “Revista Bula” publica duas traduções — a brasileira e a portuguesa)
Vivemos sem sentir o país sob os pés,Nem a dez passos ouvimos o que se diz,E quando chegamos enfim à meia falaO montanheiro do Krémlin lá vem à baila.Dedos gordurosos como vérmina gorda.Riem-se-lhe os bigodes de barata,Reluzem-lhe os canos da bota alta.
À volta a escumalha — guias de fino pescoço —Nas vênias da semigente ele brinca com gozo.Um assobia, o outro geme, aquele mia,Só ele trata por tu, escolhe companhia.Como ferraduras, lei ‘trás de lei ele oferta,Em cheio na virilha, olho e sobrolho e testa.Cada morte que faz — crime malinoE o peitaço tem amplo, o ossetino.
[Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra]
Nós vivemos sem perceber o país sob nós,nossos discursos não são ouvidos a 10 passos de distância,Mas onde há apenas uma meia-conversasempre nos recordamos do montanhês do Kremlin.Seus grossos dedos são gordos como vermes,e suas palavras seguras como fios de mundo.Riem seus bigodes de escaravelho,e brilham suas polainas.Rodeia-o um bando de chefetes submissosE ele se diverte com a servidão dos semi-homens.Há quem assovia, quem geme, quem choramingase somente ele fala ou aponta o dedo.Como ferraduras ele forja um ukaz após outrocom os quais de um ele ferra a virilha, de outro a testa,de mais outro as sobrancelhas, de outroainda os olhos.Não há execução que não seja para ele uma festa.
[Tradução de Luís Mário Gazzaneo]
Ditador dos bigodes de barata não gostou
A tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra, feita a partir do original russo, está no livro “Guarda Minha Fala para Sempre”, de Óssip Mandelstam, publicado pela editora portuguesa Assírio & Alvim. A “Revista Bula” mantém a acentuação portuguesa (Krémlin, vénia ) e a estrutura da versão.
A tradução de Luís Mário Gazzaneo está no livro “Os Últimos Anos de Bukhárin”, de Roy Medvedev, Editora Civilização Brasileira (página 73). Ela foi feita a partir do italiano.
O poema é de 1933, quando Stálin já era senhor absoluto da União Soviética. Mas as matanças dos “inimigos” pessoais do ditador começaram no ano seguinte. Esses adversários eram tratados (e apresentados à população) como inimigos do socialismo, da revolução, da União Soviética. Eram “terroristas” e “trotskistas”. Mandelstam teve coragem de desafiar Stálin quando os políticos e muitos escritores já buscavam a conciliação com o objetivo de sobreviver política e, sobretudo, fisicamente. Mandelstam fez o desafio supremo ao dizer que o bigode de Stálin era de barata e seus dedos gordos foram comparados a vermes. É um retrato sem retoque do ditador georgiano, Stálin, dos ditadores em geral e da submissão que os regimes de exceção produzem. Segundo Roy Medvedev, Mandelstam não escreveu os versos. Ele limitava-se a recitá-los “em várias ocasiões a alguns amigos”. A transcrição teria sido feita por um stalinista com o objetivo de indispor Mandelstam com Stálin. Como era recitado em vários lugares, com entonações e palavras diferentes, há outras versões do poema.
O goleiro Bruno, do Flamengo, e o amigo e funcionário Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como Macarrão, se entregaram por volta das 17h desta quarta-feira, na sede da Polinter, no Andaraí, Zona Norte do Rio. Eles chegaram acompanhados do advogado Michel Assef Filho, do chefe do Setor de Investigações da Polinter, Ricardo Wilke, e da delegada Alessandra Wilke, da Delegacia de Homicídios de Contagem, responsável pelo inquérito do desaparecimento de Eliza Samudio, 25 anos, com quem o goleiro teria um bebê de quatro meses. As informações são de O Dia.O jogador e o amigo vão fazer exame de corpo de delito, no Instituto Médico Legal (IML) e em seguida serão levados para a Divisão de Homicídios (DH), na Barra da Tijuca, Zona Oeste, que investiga o caso. De acordo com o delegado, Felipe Ettore, Bruno é o mandante do sequestro de Eliza. "Só o avanço das investigações vão dizer se o sequestro foi para matar a jovem", disse.Segundo Ettore, Eliza foi levada para Minas Gerais, onde foi estrangulada e morta. "A vítima foi arrebatada e teve sua liberdade cerceada. Bruno se aproveitou disso", finalizou.Ainda de acordo com o delegado, Bruno deixou sua residência, por volta de 14h desta terça-feira. As investigações mostram que o goleiro saiu de casa logo após a apreensão do menor J., que foi levado para a DH para prestar depoimento. Nesta madrugada, a Justiça acatou o pedido de prisão temporária de cinco dias expedido contra o jogador.O disque-denúncia do Rio recebeu 30 denúncias sobre o caso nesta manhã. O número representa cerca de 10% do total de denúncias recebidas diariamente pelo serviço carioca.
A seleção da Espanha chegou à final da Copa do Mundo-2010, na África do Sul, ao vencer a Alemanha, por 1 a 0, nesta quarta-feira, no Durban Stadiun, na cidade de Durban. Agora, os espanhóis vão enfrentar na final a Holanda, que ontem bateu o Uruguai por 3 a 2, na Cidade do Cabo. A final está marcada para o próximo domingo, às 15h30 (horário de Brasília), no estádio Soccer City, em Johannesburgo. Esta final garante um campeão inédito.Esta é a primeira vez que a Espanha chega à uma final de Copa do Mundo. A melhor colocação até então do time havia sido um quarto lugar, no Mundial de 1950, realizado no Brasil. Já a Holanda disputará sua terceira final em Copas --foi vice-campeã nas edições de 1974 e 1978.A Espanha já havia vencido a Alemanha em 2008, quando bateu os tricampeões mundiais na final da Eurocopa, por 1 a 0, gol de Fernando Torres, que hoje começou no banco de reservas --deu lugar a Pedro.O jogoA Espanha foi melhor do começou ao fim da partida. A primeira boa chance veio logo aos 6min. Pedro deu lançamento para Villa, que tocou na bola, mas Neuer apareceu bem para interceptar.Com mais posse de bola, a Espanha continuava a atacar. Aos 13min, Xavi cruzou da direita, e Puyol mergulhou para cabecear, mas a bola subiu e foi por cima.A Alemanha só foi dar seu primeiro chute a gol aos 31min. Trochowski arriscou de longe e obrigou Casillas a fazer boa defesa.Na segunda etapa, o panorama não mudou. A Espanha continuava pressionando. Aos 12min, Xavi arriscou de fora, e Neuer espalmou. O rebote ficou com o Iniesta, que cruzou para a pequena área, e Villa chegou pouco atrasado e quase fez.Tímida, a Alemanha chegou pela segunda fez aos 23min, com Kros, que chutou de primeira, dentro da área, um cruzamento da esquerda. Mas Casillas fez ótima defesa.De tanto insistir, a Espanha conseguiu seu gol. Aos 28min, após cobrança de escanteio, Puyol veio de trás e subiu alto para testar para o fundo das redes. Informações da Folha.
José Serra (PSDB) garantiu, nesta quarta-feira, que pretende aumentar o universo de famílias atendidas pelo Bolsa Família e também aumentar o valor do benefício, de forma gradativa. Dentro do PSDB, a análise é de que o teto do benefício a ser pago poderia alcançar R$ 255. Hoje, o governo federal paga entre R$ 22,00 e R$ 200,00 a cada família cadastrada no programa. Informações de O Globo.- Temos de incluir mais 15 milhões de famílias que estão abaixo da linha da pobreza, além de aumentar o valor. Basta um bom sistema de cadastramento e de distribuição - disse ele em entrevista após caminhada no centro de Jundiaí (SP), ao lado do candidato do PSDB a governador, Geraldo Alckmin.Com discurso voltado à camada de eleitores mais carentes, Serra também defendeu a ampliação do sistema de saneamento básico. Depois de propôr ao governo Lula a retirada de impostos como PIS e Cofins dessa área, o que, segundo ele, desoneraria o setor em R$ 2 milhões ao ano, Serra decidiu abrir fogo diretamente contra o PT.A artilharia começou ao comentar declaração de Dilma, de que havia assinado sem ler as propostas de governo entregues ao TSE. Nesse momento, Serra ironizou a candidata e disse que temas polêmicos têm o carimbo do partido adversário.- As questões polêmicas são autenticamente ideias do PT, inclusive aprovadas no congresso do partido. A própria Dilma as assinou quando era ministra - disse ele, partindo para ataques em relação ao aparelhamento da máquina federal.- O aparelhamento significa loteamento entre os partidos. Não é segundo a capacidade ou a experiência, mas por causa da posição política. É usar a coisa pública com fins privados. Não vou dizer que o PT inventou (o aparelhamento), mas reforçou muito - disse Serra.Procurando adotar diplomacia política, Serra evitou comentários sobre a estratégia da candidata do PV, Marina Silva, que pretende criar microcomitês pelo país.- Não comento estratégia de quem concorre comigo, fico até constrangido - disse ele.
Altino Machado, do Terra O ex-governador do Acre, Jorge Viana (PT), candidato ao Senado, é o postulante a cargo majoritário mais rico do Estado. Ele declarou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que é dono de um patrimônio no valor de R$ 2,3 milhões, sem revelar quanto possui em conta bancária.Ao pedir o registro como candidato, Viana revelou algo até então desconhecido oficialmente de seus eleitores no Acre: é sócio de duas empresas, a Pura Energia Participações Ltda. e a Ambiente - Engenharia e Consultoria.Na Ambiente - Engenharia e Consultoria, o engenheiro florestal declarou ter R$ 15 mil como participação societária, além de R$ 180 mil na Pura Energia Participações Ltda.Viana também declarou uma casa financiada (R$ 330 mil), um terreno (R$ 130 mil), uma caminhonete Toyota (R$ 105 mil), uma sala em Brasília (R$ 194 mil), um terreno em área rural (R$ 15 mil), além de três terrenos urbanos (R$ 420 mil).O deputado federal Sérgio Petecão (PMN), candidato ao Senado, declarou ao TRE que possui patrimônio de R$ 282 mil. Ele possui três ônibus para transporte de eleitores (R$ 36 mil), caminhonete (R$ 77 mil), terreno (R$ 57 mil) e um automóvel Honda (R$ 58 mil). Ele declarou aplicações no Banco do Brasil (R$ 2,9 mil) e um saldo em conta corrente de R$ 30,5 mil.O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB), candidato ao Senado, declarou à Justiça Eleitoral que possui patrimônio no valor de R$ 544 mil. É dono de uma casa na chácara Ipê (R$ 380 mil), de um veículo Mitsubishi (R$ 47 mil) de um terreno (R$ 20 mil).O ex-deputado João Correia (PMDB), também candidato ao Senado, declarou ao TRE-AC que é dono de um patrimônio de R$ 333,7 mil. É uma casa mista de madeira e alvenaria (R$ 200), um terreno rural de 28 hectares (R$ 130 mil) e um saldo bancário de R$ 2,7 mil.
Com o intuito de impedir que o Distrito Federal passe por uma epidemia de dengue no próximo verão, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal lançou nesta quarta-feira (7) o Plano de Ação de Prevenção e Controle da Dengue 2010/2011. A solenidade aconteceu no auditório do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) e contou com a presença da vice-governadora, Ivelise Longhi.O plano contará com ações integradas com a participação de agentes de vigilância sanitária, militares, Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Novacap, Agência de Fiscalização (Agefis), Fundação Nacional de Saúde (Funasa), além de médicos, enfermeiros e da própria comunidade. Os profissionais serão capacitados para atuar no combate ao mosquito Aedes aegypti.Também serão criados o Grupo Executivo Intersetorial de Gestão do Plano Distrital de Prevenção e Controle da Dengue e o Grupo Executivo Intersetorial de Gestão do Plano Regional de Prevenção e Controle da Dengue, conforme previsto no Decreto n° 31.634 de 3/5/2010. Caberá à Subsecretaria de Vigilância à Saúde fiscalizar o cumprimento dos indicadores propostos.A secretária de Saúde, Fabíola Nunes, reforçou que a meta é trabalhar com a prevenção e disse que cada Regional de Saúde elaborará um plano de ação específico, de acordo com as necessidades da região. Ela adiantou que o plano tem como objetivo prevenir a doença de forma integrada. “O diferencial deste plano é que passamos a trabalhar de forma descentralizada e com o apoio de todos”, afirmou. “A ação contará com serviços e recursos relativos á saúde, além das Administrações Regionais, limpeza urbana, educação, meio ambiente e outras instituições”, concluiu.Ailton Domício da Silva, subsecretário de Vigilância à Saúde adiantou que as regiões mais vulneráveis ao mosquito Aedes aegypti são Planaltina, Itapoã, Paranoá, São Sebastião, Águas Claras, Asa Norte, Vila Planalto e Sobradinho. “Vamos efetuar visitação de rotina nos imóveis, limpeza das áreas públicas, mobilizar a comunidade, além de monitorar os casos suspeitos para eliminar focos do mosquito e evitar uma epidemia da dengue”, detalhou o subsecretário.Para a vice-governadora Ivelise Longhi a participação da comunidade fará toda diferença no combate à doença. “Elegemos a saúde como prioridade deste governo e contamos com a participação de todos os órgãos do governo e da comunidade”, afirmou. “Vamos acabar com o lixão da Estrutural e construir um aterro sanitário em Samambaia, em um setor propício para este fim”, completou.Geovanini Coelho, responsável pelo Programa Nacional do Combate à Dengue, do Ministério da Saúde, explicou que o DF é um local estratégico e com situação de vulnerabilidade. “Ações de governo integradas e com a participação da sociedade trazem resultados positivos”, disse. “Essas ações devem ser colocadas em prática como política de saúde para que alcancemos nossos objetivos”, completou.O plano de ação contará também com uma mobilização social e institucional. O Sindicato da Construção Civil, a Associação dos Carroceiros, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), o Serviço Social da Indústria (Sesi), a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do DF (Fecomércio) e empresas do ramo de pneus devem participar do plano de prevenção ao mosquito. Terrenos abandonados, canteiros de obras e áreas de entulhos também serão vistoriadas.De janeiro a junho de 2010, a Secretaria de Saúde recebeu a notificação de 17.493 casos suspeitos de dengue. Desse total, 10.638 foram confirmados. Dos casos confirmados 9.765 foram transmitidos dentro do Distrito Federal.
Até o dia 5 de julho, a Justiça Eleitoral de todo o país recebeu o pedido de registro de 20.839 candidatos aos cargos em disputa nas Eleições de 2010. No total, foram 9 registros para presidente da República, 182 para governador, 288 para senador da República, 5.869 para deputado federal, 13.688 para deputado estadual, e 803 para deputado distrital.Com 14 candidatos, o Piauí é o estado que somou maior número de registros para governador. Em seguida, estão empatados os estados do Paraná e Rio Grande do Sul com 12 candidatos. Em terceiro lugar, estão São Paulo, Sergipe e Rondônia com 11 candidatos. Os estados que registraram menor número de candidatos a governador foram Acre, Espírito Santo, Mato Grosso e Tocantins, cada um com apenas 2 políticos na disputa. Os números ainda podem ser alterados com pedidos de candidatos que não foram registrados por seus partidos e também com o preenchimento de vagas remanescentes.Para compor o Congresso Nacional, foram registrados junto a Justiça Eleitoral 6.157 candidatos, sendo 288 aspirantes ao Senado e 5.869 à Câmara dos Deputados. Novamente um estado do Nordeste foi o que indicou maior número de candidatos, desta vez para o Senado Federal. Sergipe registrou 22 candidatos para suas duas vagas enquanto Roraima e Piauí registraram 20. Em terceiro lugar, aparece São Paulo com 19 candidatos.Além dos candidatos titulares aos cargos, foi registrado número equivalente de vice para os cargos de presidente da República e governador. No caso de senador, os estados apresentam dois suplentes para cada candidato ao Senado. A Constituição Federal prevê que os 26 estados e o Distrito Federal são representados por três senadores cada um, com mandato de oito anos. Nessas eleições, cada estado terá de renovar duas vagas no senado. Os registros para os cargos de vice e suplentes não estão contabilizados entre os 20.839 candidatos. Com informações da Assessoria de Imprensa do TSE.
Em representação enviada ao Tribunal Superior Eleitoral, o Ministério Público Eleitoral pede sanções a Google Brasil Internet Ltda e ao responsável pelo blog "osamigosdopresidentelula.blogspot.com". De acordo com a representação, há propaganda eleitoral antecipada em favor da candidata do PT à presidência Dilma Rousseff e propaganda negativa em relação ao candidato do PSDB, José Serra. Em caso semelhante, analisado no dia 30 de junho, o Plenário do TSE se manifestou no sentido de que as manifestações na internet são protegidas pela liberdade de expressão.O MPE informa que em cada página do site existe um link para a "comunidade oficial dos amigos da presidente Dilma" com objetivo de divulgar a campanha eleitoral. Diz que a divulgação dessas matérias e o próprio link caracterizam propaganda fora de época, pois de acordo com o artigo 36 da Lei das Eleições, a propaganda eleitoral só é permitida a partir do dia 5 de julho do ano das eleições.O conteúdo do blog, sustenta ainda o MPE, tem "evidente conotação eleitoral", com menção expressa às eleições de 2010, pedido de voto e comparação entre governos, "demonstrando o claro propósito de prejudicar o candidato José Serra e beneficiar a candidata Dilma Rousseff na disputa eleitoral".A representação informa que o criador do blog e responsável por todo seu conteúdo, já que detém o poder de autorizar quais comentários serão disponibilizados ou excluídos, conforme consta do próprio site. De outra parte, sustenta que a Google Brasil Internet Ltda também poderia ser responsabilizada judicialmente, pois é a empresa provedora de hospedagem do blog.O MPE pede, em relação a ambos, a aplicação de multa máxima no valor de R$ 25 mil, a retirada do ar do site e a suspensão, por 24h, do acesso a todo o conteúdo informativo do blog. A relatora é a ministra Nancy Andrighi.Resposta prontaNo dia 30 de julho, o Plenário do TSE já definiu, no julgamento de representação contra o blog dilma13.blogspot.com, que as manifestações na internet estão protegidas pela liberdade de expressão. A corte ressaltou que a suspensão de conteúdos na internet "deve atingir apenas e tão somente o quanto tido como irregular, resguardando-se o máximo possível do pensamento livremente expressado".O relator, ministro Henrique Neves, esclareceu em seu voto: "Manifestações de apoio, ainda que expressas, ou revelações de desejo pessoal que determinado candidato seja eleito, bem como críticas ácidas que não transbordem para a ofensa pessoal, quando emanadas de pessoas naturais que debatem política na internet, não devem ser consideradas como propaganda eleitoral". Com informações da Assessoria de Imprensa do TSE.
Agência Estado e Associated PressPromotores da França começaram uma investigação sobre as acusações de que Liliane Bettencourt, a mulher mais rica do país, financiou secretamente a campanha eleitoral do presidente Nicolas Sarkozy, disse nesta quarta-feira, 7, um funcionário judicial sob condição de anonimato. Ele afirmou que a promotoria no subúrbio parisiense de Nanterre iniciou uma apuração preliminar sobre declarações de uma ex-contadora de Liliane, Claire Thibout. Sarkozy negou as versões de que sua campanha de 2007 tenha recebido 150 mil euros (US$ 180 mil) em fundos secretos vindos de Liliane, de 87 anos, herdeira da companhia L‘‘Oréal. Segundo o líder, as notícias são parte de uma campanha para difamá-lo.Claire disse aos investigadores que o principal assessor financeiro de Liliane deu 150 mil euros em dinheiro para Eric Woerth, tesoureiro da União por um Movimento Popular (UMP), partido do presidente. Sarkozy acabou eleito dois meses depois.A mulher de Woerth trabalhou como assessora de investimentos da herdeira da L‘‘Oréal. Woerth é agora ministro de Trabalho de Sarkozy e está à frente de um impopular programa de reformas de pensões, que elevará a idade de aposentadoria no país de 60 para 62 anos. Os políticos de oposição exigem a renúncia do ministro por causa do escândalo.Sarkozy já defendeu Woerth energicamente. Ontem o presidente disse que as acusações eram uma "calúnia, que busca somente desprestigiar, sem a menor base na realidade". Woerth, que foi tesoureiro da UMP durante oito anos, afirmou, também ontem, que estava "indignado" com as acusações. "Nunca recebi um euro que não fosse legal."
Depois de um ano de discussão, a Comissão Especial da Câmara aprovou ontem, por 13 votos a 5, a reforma do Código Florestal que prevê anistia para os proprietários rurais acusados de desmatamento ilegal até 22 de julho de 2008. Pelos dados do Greenpeace, com o perdão, o governo vai abrir mão de R$ 8 bilhões em multas aplicadas entre 1998 e 2008 na Amazônia Legal. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) diz que não tem dados para calcular quanto deixaria de arrecadar.“Vamos conversar lá fora, ordinário”, diz ruralista O relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) foi aprovado numa sessão marcada por tensão e bate-boca entre parlamentares, e também entre ambientalistas e ruralistas, que lotaram a sala reservada para a votação.O deputado ruralista Luiz Carlos Heinze (PP-RS) chamou Zequinha Sarney (PV-MA) de entreguista.Depois, quis brigar com Ivan Valente (PSOL-SP).— Vamos lá fora conversar.Vamos lá fora, ordinário — esbravejou Heinze.— Ordinário é você — retrucou Valente.Os dois foram impedidos de brigar por um cordão de isolamento dos seguranças. Isolados na comissão dominada por ruralistas, Valente, Zequinha e Edson Duarte (PV-BA) tentaram sem sucesso obstruir a votação.Verdes e socialistas acusam Aldo Rebelo de se render à pressão da bancada ruralista.— Pela felicidade dos ruralistas, dá para ver que o projeto foi construído em função dos grandes proprietários, dos exportadores — disse Ivan, após a aprovação do texto básico.Pelo projeto, todas os proprietários multados por desmatamento ilegal até 22 de julho de 2008 serão perdoados, se aderirem ao Programa de Regularização Ambiental, compromisso de recuperação das áreas devastadas.Em 22 de julho de 2008, entrou em vigor o decreto 6.514, que proíbe financiamentos por bancos estatais a proprietários acusados de extração ilegal de madeira. Para Aldo, o perdão devolverá à legalidade mais de 90% dos proprietários.O relatório também prevê a redução das áreas de proteção às margens dos rios com até cinco metros de largura, de 30 para 15 metros. Hoje, a faixa mínima de vegetação ciliar não pode ser inferior a 30 metros. O projeto ainda determina que as faixas da vegetação ciliar sejam calculadas a partir da menor borda (quando os rios estão mais estreitos). Pela lei em vigor, esses cálculos devem levar em conta as bordas maiores (quando o leito está cheio).Para ambientalistas, a simples troca da expressão “borda maior” por “borda menor” significará uma das maiores brechas para o desmatamento. O relatório de Aldo livra pequenos proprietários de recompor vegetação nativa devastada até a promulgação da nova lei.Pelo código, pequenos proprietários são os donos de imóveis de até quatro módulos fiscais — medida que varia com a região: na Amazônia, pode chegar a 400 hectares.As medidas são reivindicações da bancada ruralista, mas Aldo sustenta que adotou providências para proteger o meio ambiente. Entre elas, a proibição de desmatamento para atividades agropecuárias por cinco anos, depois da aprovação da lei. Mas o projeto abre exceção para quem já dispõe de licença ou para quem pedir autorização para desmatar até a promulgação da lei.— O projeto foi elaborado com vistas ao interesse de toda a sociedade, e não de um segmento — defendeu Rebelo.Ativistas do Greenpeace são retirados por seguranças Na sessão, ativistas do Greenpeace invadiram a área reservada aos parlamentares e estenderam faixas com a inscrição “Não vote em quem mata florestas”. Aldo intercedeu em favor dos manifestantes, mas o presidente da Comissão, Moacir Michelleto (PMDB-PR), determinou que eles fossem retirados à força.Ao fim da votação, deputados e proprietários rurais presentes à sessão deram as mãos e gritaram “Brasil” repetidas vezes. Ambientalistas responderam com gritos de “retrocesso”.O projeto irá agora ao plenário da Câmara. Mas o acordo entre os parlamentares é que a proposta só seja votada depois das eleições. Se aprovado, terá que passar ainda pelo Senado. Informações de O Globo.
A Espanha terá nesta quarta-feira a chance de chegar pela primeira vez a uma final de Copa do Mundo. Porém, o obstáculo do jogo marcado para as 15h30 (de Brasília), em Durban, é a temida Alemanha, tricampeã mundial e sensação na África do Sul depois de goleadas impiedosas contra Inglaterra e Argentina. O vencedor encara a Holanda.Até a aguardada semifinal, Espanha e Alemanha cursaram caminhos inversos aos previstos antes do Mundial. Os espanhóis, campeões da Eurocopa, chegaram como favoritos, posição agora ocupada pelos alemães.A Espanha logo na estreia foi surpreendida pela Suíça. Recuperou-se com vitórias sem brilho sobre Honduras e Chile e não engrenou a partir das oitavas. Vitórias magras contra Portugal e Paraguai, sendo que no último jogo se livrou de levar o primeiro gol da partida após pênalti desperdiçado por Cardoso."Os espanhóis formam a equipe mais organizada dos últimos anos. Ele têm um ataque muito forte, ele estão muito tempos jogando juntos,. Quase não cometem erros. É a seleção que menos comete erros. Temos que fazer eles cometerem", analisou o técnico alemão Joachim Löw.A Alemanha, por sua vez, chegou desacreditada à África do Sul. Mas logo no primeiro jogo fez 4 a 0 sobre a Austrália e virou sensação. Status perdido com a derrota para a Sérvia e a vitória apertada sobre Gana, mas recuperado e ampliado com goleadas sobre as tradicionais Inglaterra e Argentina."Somos equipes distintas. Eles têm jogadores de muita qualidade, como o Klose e o Ozil. São jogadores que marcam presença. Ele tem um bom trabalho nas categorias de base e isso é provado pela boa campanha de um time jovem aqui na África" elogiou o técnico da Espanha, Vicente Del Bosque.Em campo, também estará a reedição da final da última Eurocopa. A Espanha, então dirigida por Luis Aragonés, venceu por 1 a 0 e levou o título de 2008. A Alemanha não esconde o desejo de vingança, como prova o atacante Lucas Podolski."Nada me diz sermos considerados favoritos por termos vencido a Inglaterra por 4 a 1 e a Argentina por 4 a 0. O que é certo é que se ganharmos vai ser uma bela revanche pela derrota na final da Eurocopa", disse.A Alemanha, no entanto, terá uma mudança forçada em relação ao time que goleou a Argentina. Thomas Müller, suspenso, dará lugar a Cacau, Trochowski ou Kroos. O brasileiro naturalizado alemão, recuperado de contusão, deve ser o escolhido pelo técnico Joachim Löw.Pelo lado espanhol, time indefinido. Com atuações apagadas, o atacante Fernando Torres pode perder a vaga de titular. David Silva e Fábregas são cogitados para o lugar do centroavante, ofuscado pela boa fase do companheiro de ataque David Villa, que já marcou quatro gols na Copa.Informações do Terra.
A mulher do goleiro Bruno Souza, do Flamengo, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, foi presa no início da manhã desta quarta-feira em sua casa em Belo Horizonte (MG). Dayanne foi levada para o Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) da capital mineira. Ela é suspeita de envolvimento no desaparecimento da estudante Eliza Samudio, ex-amante do alteta.O advogado dela, Ércio Quaresma, confirmou a prisão e já está no DIHPP, onde acompanhará os depoimentos de sua cliente. No Rio de Janeiro, a Polícia Civil foi à residência de Bruno, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste, mas o jogador não foi localizado.O casoEliza está desaparecida desde o dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a teria agredido para que ela tomasse remédios abortivos para interromper a gravidez. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para provar a suposta paternidade de Bruno.No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza teria sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade.Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estaria lá. A atual mulher do goleiro, Dayane Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante o depoimento dos funcionários do sítio, um dos amigos de Bruno afirmou que ela havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayane Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.O goleiro do Flamengo e a mulher negam as acusações de que estariam envolvidos no desaparecimento de Eliza e alegam que ela abandonou a criança. Informações do Terra.
Agnelo Queiroz (PT)8h30 — Café da manhã no posto de combustível Nenens Super Posto, na CSA 1, em Taguatinga.9h30 — Caminhada na Feira dos Goianos, na QI 17/18 de Taguatinga Norte.12h30 — Almoço no Restaurante Ki-Sabor (Taguacenter).14h — Caminhada pela avenida comercial de Taguatinga no sentido da Praça do Relógio.Joaquim Roriz (PSC)9h — Visita à Igreja Católica Apostólica Brasileira, na 910 Sul. Ele estará acompanhado do pastor Egmar, suplente da candidata tucana ao Senado Maria de Lourdes Abadia.Toninho do PSolManhã — Reunião com assessores na sede do PSol/DF.Tarde — Reunião da Executiva do partido e da coordenação de campanha, na sede do PSol/DF.Rodrigo Dantas (PSTU)7h45 — Passa o dia na Universidade de Brasília (UnB) fazendo panfletagem e reuniões.Eduardo Brandão (PV)Reunião interna com a equipe de comunicação para definições de campanha.Ricardo Machado (PCO)Passa o dia em reuniões internas para definir atividades e material de campanha.
Pivô do escândalo dos atos secretos no Senado, o ex-diretor geral da Casa Agaciel Maia vai disputar as eleições de outubro para a Câmara Legislativa do Distrito Federal pelo PTC (Partido Trabalhista Cristão). Em sua declaração de bens encaminhada ao TRE-DF (Tribunal Regional Eleitoral) no registro de sua candidatura, Agaciel declarou ter um patrimônio de R$ 3,8 milhões, incluindo entre as suas propriedades um terreno de R$ 180 mil no Lago Sul, bairro nobre de Brasília.No ano passado, a Folha revelou que neste terreno existe uma casa avaliada em R$ 5 milhões, não declarada à Justiça na época. O ex-diretor usou o irmão e deputado João Maia (PR-RN) para esconder a propriedade, registrada no nome do parlamentar, que não declarou o bem nem à Receita Federal nem à Justiça Eleitoral. Na época, Agaciel admitiu que comprou o imóvel, mas não o colocou em seu nome por estar com seus bens indisponíveis.O episódio resultou no seu afastamento da diretoria-geral do Senado, onde esteve por 15 anos. Agaciel disse à Folha que declarou ao TRE apenas o valor do lote, e não da casa, para não ferir a legislação tributária do país. "Eu comprei o lote e fui fazendo a casa. Eu não posso atualizar o valor. Se eu atualizar, eu deixo de pagar imposto, o que é proibido pela Receita Federal. Tem que ser o valor de aquisição do bem."O ex-diretor confirmou à Justiça Eleitoral manter uma conta de R$ 2,125 milhões na CEF (Caixa Econômica Federal). Relatório técnico do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre o patrimônio do ex-diretor-geral considerou, em 2009, o valor da conta incompatível com os seus rendimentos.Agaciel afirma, porém, que ao final das investigações o tribunal considerou seu patrimônio compatível com sua renda. "O TCU concluiu que os meus bens eram compatíveis. Não tenho pendência nenhuma em relação a isso." Além da conta que reúne mais de R$ 2 milhões, o ex-diretor mantém outros três depósitos bancários na Caixa e no Banco do Brasil que somam R$ 2,659 milhões.O ex-diretor também declarou ser dono de uma casa na cidade de Jardim Natal (RN), no valor de R$ 95 mil, e outra casa avaliada em R$ 30 mil no município de Jardim de Piranhas (RN). Também estão declarados dois terrenos em Brejo da Cruz (PB) --sua cidade natal. Agaciel ainda declarou bens em construção em sua casa, como uma piscina spa para hidromassagem em concreto e a construção de banheiros em gesso.Agaciel também foi acusado de editar atos secretos no Senado para a nomeação de servidores. O ex-diretor disse que as denúncias não vão prejudicar sua campanha à Câmara Legislativa do DF porque tem o apoio dos servidores do Senado.Segundo Agaciel, todos os funcionários nomeados por meio de atos secretos continuam trabalhando no Senado, o que comprova sua inocência. "Fui vítima de uma guerra política no Senado. Os servidores e o partido me motivaram a disputar as eleições. Eles sabem que eu não tenho culpa de nada." Informações da Folha.
O Ministério Público do Rio acolheu o pedido da polícia e já solicitou à Justiça a prisão preventiva do goleiro Bruno, do Flamengo, acusado de ser mandante do sequestro de Eliza Samudio, sua ex-amante. Também foi pedida a prisão preventiva do amigo do goleiro, Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como Macarrão, suspeito de cúmplice. O desaparecimento de Eliza Samudio, que já dura cerca de um mês e no qual Bruno é suspeito de estar envolvido, pode ser esclarecido após o depoimento de um jovem de 17 anos. O menor, que é primo do jogador, confessou nesta terça-feira na Divisão de Homicídios (DH), no Rio, ter participado do sequestro de Eliza e dado coronhadas na cabeça dela. À policia, ele revelou que a jovem morreu, mas negou que seu golpe tenha sido a causa. Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, se condenado, o menor pode ficar internado por, no máximo, três anos.O adolescente foi detido no início da tarde desta terça-feira na casa do goleiro, no condomínio Nova Barra Residence, no Recreio dos Bandeirantes, onde teria passado o fim de semana na companhia de advogados do atleta. Nessa versão, o jovem livra o goleiro da acusação de homicídio. A polícia chegou ao menor após um tio dele, motorista de ônibus que mora em São Gonçalo, procurar a Rádio Tupi e informar que o rapaz estava sendo mantido em cárcere privado na casa do goleiro. Três carros da DH chegaram ao condomínio por volta das 13h e demoraram cerca de meia hora no local. Bruno estava em casa.Segundo o inspetor Guimarães, da DH, o menor confessou ter dado três coronhadas na cabeça de Eliza. Na versão do adolescente, a agressão ocorreu dentro do Range Rover do jogador, quando a jovem era levada para o sítio de Bruno, em Esmeralda, região metropolitana de Belo Horizonte, por Macarrão. Segundo o menor, ao descobrir que ele estava escondido no bando traseiro do carro, Eliza teria se assustado e tentado fugir. Foi quando ele desferiu os golpes. No Range Rover do goleiro, a perícia encontrou marcas de sangue que estão sendo analisadas para saber se o material genético é semelhante ao da jovem desaparecida.Depoimentos se contradizemAinda de acordo com o menor, foi Macarrão quem articulou o sequestro, e não Bruno. Ele acusou o amigo do goleiro de ter "desossado" a jovem e dado seu corpo para cachorros comerem. Mas, no inquérito que corre em Minas, há testemunhas que relatam terem visto Eliza no sítio na data em que ela, por este novo depoimento, já estaria morta.Pela manhã, o tio do menor afirmou à Rádio Tupi que o sobrinho era a chave para esclarecer o crime. Ele disse que o pai do jovem é tio do goleiro:- A chave toda é o menino. Ele já falou que vai dar tudo. A hora que polícia botar a mão no garoto, ele vai dar tudo. O problema é que tem que ser rápido porque o Bruno pode mandar o garoto pra outro estado - disse o tio. - A coronhada quem deu foi ele (o menor), que abriu o cérebro da garota, tá entendendo? A entrevista do motorista complicou a situação do goleiro do Flamengo. Ele afirmou que Bruno deu R$ 3 mil para que Macarrão sumisse com o corpo de Eliza. Macarrão, por sua vez, teria chamado um outro amigo, identificado por ele como Clayton, que contratou traficantes de Belo Horizonte para dar fim ao cadáver. Na rádio, o motorista garantiu que o menor denunciaria todos os envolvidos no caso.- A menina foi desossada, tá entendendo? O Bruno pagou três mil para um traficante. Esse cara transportou a garota para o traficante desossar. Tá enterrada. O garoto viu aonde tá, o garoto vai dar tudo. A garota foi desossada, enterram os ossos da garota e concretaram - disse ele.O chefe do Departamento de Investigações da Polícia Civil de Minas Gerais, Edson Moreira. Foto de Marcelo Theobald/Extra/Agência O GloboNa entrevista, o motorista explicou que sabia da história porque o rapaz o havia procurado no sábado passado para contar como tudo acontecera. Neste mesmo dia, ainda segundo ele, Bruno ligou para o menor pedindo que ele fosse para sua casa. Desde então, o adolescente estava sendo mantido no condomínio do jogador, onde era orientado por advogados a dizer que tivera uma discussão com Eliza e dera um soco nela. O motorista disse que a família temia que o menor desparecesse. Porém, o advogado Monclar Eugênio Gama, que atua como assistente de Michel Assef Filho na defesa do goleiro do Flamengo, negou a acusação. Segundo ele, Bruno, que estava em sua residência no momento da chegada da equipe da DH, franqueou a entrada dos policiais.O motorista mostrou-se emocionado durante a entrevista e justificou o motivo que o levou a fazer as revelações:- Eu tô fazendo porque o sentimento é muito forte. A dor é muito forte. E o sangue que está no carro...A reviravolta no caso que apura a suposta morte de Eliza fez com que todas as atenções ficassem voltadas para a Divisão de Homicídios, na Barra da Tijuca. À noite, o promotor Homero Neves, coordenador da 1ª Central de Inquéritos do Ministério Público estadual, chegou à delegacia para acompanhar o desenrolar das investigações. O grande número de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas no local fez com que policiais fechassem as portas da delegacia. Advogados que defendem Bruno estavam no local, mas não atuavam oficialmente em nome do menor. Informações de O Globo.