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Brasília, 11 de Julho de 2010. Ano: 6

 
ELEIÇÕES 2010
TSE protocola dez pedidos de candidaturas à Presidência da República
 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu dez pedidos de registro de candidaturas à Presidência da República. Neste sábado, último dia para a apresentação de candidaturas aprovadas em convenções, o TSE protocolou o pedido do ex-senador João Américo de Souza, do Partido Social Liberal (PSL).

O prazo para o registro de candidaturas pelos partidos ou coligações terminou no dia 5 deste mês. De acordo com a Lei das Eleições (9.504/97), no entanto, os próprios candidatos, escolhidos em convenção, podem pedir o registro até 10 de julho caso o partido não tenha feito a solicitação.

O candidato do PSL declarou ter patrimônio de R$ 696 mil e apresentou como vice-presidente Gilberto de Souza Leal Júnior, do mesmo partido.No encerramento do prazo, o tribunal recebeu 150 pedidos de candidatos a governadores, 239 ao Senado, 4.202 à Câmara dos Deputados, 11.078 às assembleias legislativas e 802 à Câmara Distrital. Informações da Agência Brasil.

 
Da redação  em  11/07/2010- 18:48:10
 
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COPA DO MUNDO
Polvo Paul encerra Copa com 100% de aproveitamento
 

Neste domingo, a Espanha venceu a Holanda por 1 a 0, com gol de Iniesta nos últimos minutos da prorrogação, e se tornou campeã mundial pela primeira vez. O título espanhol também consagrou outro personagem da Copa: o "profeta" polvo Paul.

Durante o Mundial, Paul, estrela do "Oráculo Animal" do aquário Sea Life, da cidade alemã de Oberhausen, "previu" os resultados das sete partidas da Alemanha no torneio (vitórias sobre Austrália, Gana, Inglaterra, Argentina e Uruguai e derrota para Sérvia e Espanha).

Tradicionalmente, o polvo fazia previsões apenas sobre as partidas dos alemães. Porém, abriu excessão e realizou uma profecia sobre a decisão do Mundial, onde indicou a Espanha como campeã da Copa do Mundo de 2010. Com o título inédito dos espanhóis, o polvo Paul se manteve 100% no aproveitamento das previsões, não dando margens à dúvidas sobre o valor de suas profecias.

 
Da redação  em  11/07/2010- 18:44:19
 
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COPA DO MUNDO
Na prorrogação, Espanha vence Holanda e leva taça inédita
 
Em jogo dramático, a Espanha acabou neste domingo com a fama de ‘amarelar‘ em momentos decisivos e conquistou o título mais importante de sua história: a Copa do Mundo da África do Sul. Logo na primeira final que disputou, a Fúria  confirmou seu favoritismo, mas só conseguiu vencer a Holanda na prorrogação, por 1 a 0, no estádio Soccer City, em Johanesburgo.

Aos 11 minutos do segundo tempo da prorrogação, Iniesta (foto) recebeu na direita e chutou forte para marcar o gol que marcará sua vida. De quebra, o rótulo de fracassar em jogos importantes fica com a Holanda, que caiu em sua terceira final de Mundial (1974, diante da Alemanha; e 1978, contra a Argentina).

Antes desta Copa de 2010, a melhor campanha da Fúria fora o quarto lugar em 1950, no Brasil. Apesar de ter um dos campeonatos mais badalados do mundo, a Espanha vinha acumulando decepções, até que impressionou o planeta com o futebol apresentado no título da Eurocopa de 2008.

O desempenho nos últimos anos fez com que a seleção de Vicente Del Bosque chegasse à África do Sul como uma das favoritas. Apesar do susto na estreia, quando perdeu para a Suíça, a equipe se recuperou e venceu Honduras, Chile, Portugal, Paraguai e Alemanha.

Diante de 84.490 torcedores, as duas finalistas abusaram das faltas e jogadas violentas, abrindo mão do bom futebol que apresentaram antes da decisão. Mas a seleção espanhola sempre teve mais iniciativa.

A festa agora é da Espanha, que entrou para o seleto grupo de campeões mundiais, ao lado de Brasil, Itália, Alemanha, Uruguai, Argentina, Inglaterra e França. Em 2014, as melhores seleções do mundo voltam a duelar, desta vez em território brasileiro.

O jogo: Desde o primeiro lance do jogo, os holandeses mostraram que não perderiam a viagem nas disputas pela bola. Assim, a seleção laranja começou abusando das faltas, enquanto os espanhóis buscaram o ataque. Depois de cruzamento da direita, Sergio Ramos ganhou da defesa na área e cabeceou com perigo, exigindo ótima intervenção do goleiro Stekelenburg. No rebote, Piqué também chutou, mas foi travado.

Mesmo com menos iniciativa, parecendo até nervosa em campo, a Holanda conseguiu responder. A zaga espanhola vacilou e deixou de presente, mas para o jogador menos habilidoso da linha de frente adversária. Kuyt dominou livre na intermediária e chutou sem perigo.

Com Xavi e Iniesta bem marcados, a Fúria insistiu pela direita. Sergio Ramos fez jogada individual e, em vez de tocar para Busquets livre, preferiu chutar forte, mas errado, desperdiçando uma chance que poderia ser mais perigosa. Apontadas como duas seleções técnicas, as finalistas abandonaram o futebol e partiram para jogadas mais violentas.

Van Persie acertou um carrinho em Capdevila. Na resposta, Puyol atingiu Robben com o mesmo tipo de lance. Instantes depois, Van Bommel deu uma pancada em Iniesta. Na sequência de infrações, Sergio Ramos mandou um carrinho contra Sneijder.

Os quatro infratores receberam amarelo, mas nenhum dos lances se comparou ao que aconteceu aos 27 minutos, quando De Jong acertou a sola do pé no peito de Xabi Alonso. Apesar do lance bastante violento, o holandês só recebeu o amarelo.

Só mesmo um lance curioso interrompeu a sequência de pancadas. Em um exemplo de fair play, a Holanda pegou a bola em seu campo defensivo e devolveu para a Espanha, mas a Jabulani encobriu Casillas, que conseguiu dar um leve toque. A bola foi para escanteio, e os holandeses devolveram ao goleiro espanhol, desta vez sem sustos.

Antes do fim da etapa, Pedro arriscou de longe e errou o alvo. Ainda com o jogo bastante pegado, a Laranja respondeu em jogada individual de Robben, que obrigou Casillas a espalmar.

A partida não mudou depois do intervalo, com faltas fortes e pouca emoção. Assim como no primeiro tempo, a Espanha tomou a iniciativa. Após cobrança de escanteio, Puyol desviou e a bola sobrou para Capdevila, que furou.

Mas a Laranja mostrou que também sabe jogar pelo alto. Heitinga recebeu na área e cabeceou perto da trave. Aos 16 minutos, a seleção de Bert Van Marwijk desperdiçou a melhor chance da partida. Sneijder ganhou no meio-campo e fez o lançamento para Robben, que avançou livre, invadiu a área e tocou na saída de Casillas. O goleiro conseguiu tirar com o pé.

Para não ficar desigual, a Espanha também perdeu grande chance. Depois de falha incrível da zaga holandesa, a bola sobrou na área para David Villa, que chutou em cima da marcação.

Com mais disposição na frente, os espanhóis seguiram perigosos, inclusive com um cabeceio livre de Sergio Ramos, que passou por cima do travessão. Porém, as duas defesas voltaram a se acertar e seguraram o placar até o fim dos 90 minutos.

Prorrogação: Logo no início do tempo extra, os reservas da Espanha quase invadiram o campo pedindo um suposto pênalti sobre Xavi, mas o árbitro mandou a partida seguir. Pouco depois, Iniesta fez excelente passe para Fábregas chegar livre e bater, para observar defesa incrível de Stekelenburg.

Do outro lado, Casillas falhou ao não cortar escanteio, e Mathijsen cabeceou parto da meta. Com pressão total, a Fúria abusou de perder gols. Iniesta invadiu a área e, em vez de rolar para Villa, quis fazer tudo sozinho, sem sucesso. Na jogada seguinte, Jesus Navas finalizou na rede pelo lado de fora e até enganou parte da torcida, que gritou gol.

Para o segundo tempo da prorrogação, Vicente Del Bosque sacou David Villa e colocou Fernando Torres. Em poucos instantes da etapa final, a Laranja se complicou, pois Heitinga foi expulso.

Aos 11 minutos, o gol do título. Fábregas tocou na direita para Iniesta mandar para as redes e acabar com as esperanças da Laranja. Informações da Gazeta Esportiva.

 

 
Da redação  em  11/07/2010- 18:40:51
 
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ELEIÇÕES 2010
Bandidos roubam material de campanha de Marconi Perillo, em Goiânia
 

Marqueteiros do senador Marconi Perillo (PSDB-GO), candidato ao governo de Goiás, foram assaltados neste domingo em Goiânia (GO) ao chegarem na sede da produtora onde trabalham na campanha eleitoral do tucano.

No assalto, os bandidos levaram três laptops e HDs com material de campanha, assim como o carro dos marqueteiros --que foi abandonado cinco quadras depois.

Segundo assessores de Perillo, os publicitários registraram queixa do ocorrido na delegacia da Polícia Civil de Goiânia. O candidato vai esperar as investigações, mas aliados do tucano consideraram estranho o fato dos bandidos terem roubado somente material de campanha --já que abandonaram o carro e não levaram outros pertences dos marqueteiros.

Uma das vítimas do assalto é Luciano Gehres, irmão de Adriano Gehres --marqueteiro responsável por coordenar a campanha de Perillo. Adriano Gehres atuou com Duda Mendonça e João Santana nas campanhas presidenciais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002 e 2006, e também na campanha do deputado ACM Neto (DEM-BA) na disputa pela Prefeitura de Salvador, em 2008.  Informações da Folha.

 
Da redação  em  11/07/2010- 16:16:22
 
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ELEIÇÕES 2010
Dilma e Serra afiam armas para guerra
 

Maria Lima, Gerson Camarotti e Catarina Alencastro, de O Globo

Com a persistência do empate até o momento, e faltando quase três meses para o jogo ser decidido, a estratégia das campanhas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) é semelhante: mobilizar desde já os seus exércitos nos estados, para tentar alguma vantagem até o início da propaganda eleitoral gratuita, na segunda quinzena de agosto. Além da máquina governamental, da maior militância e das estruturas sindicais armadas para a guerra, o PT vai contar, pela primeira vez, com a máquina do PMDB e outros oito partidos da base. O PSDB também tem máquinas estaduais importantes, como os governos de São Paulo e Minas Gerais, e dissidências de peso da candidatura governista.

Em números oficiais, a tropa governista que o PT quer ver disseminando a candidatura Dilma reúne 2.906 prefeitos e 21.371 vereadores. Do outro lado, os tucanos devem contar com cerca de 1.600 prefeitos e 15 mil vereadores, juntando as estruturas de PSDB, DEM, PPS e de parte do PTB, além de apoiadores da base governista — sem falar em centenas de senadores e deputados dos dois lados.

Lula, o cabo eleitoral no1

A tropa tucana poderia ser maior, não fosse a divisão do PTB. Em compensação, o PSDB conta com apoio de cerca de 25% da estrutura do PMDB: os diretórios de Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Acre, Santa Catarina e parte de São Paulo e Rio Grande do Sul.

Os coordenadores da campanha de Dilma falam que o puxador número um de votos do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vale por muitos cabos eleitorais do adversário.

— Não podemos negar que Dilma tem uma situação particular nessa questão de puxadores de votos. Lula trará mais votos que os dez maiores puxadores de Serra — diz o líder do governo e também coordenador da campanha de Dilma, Cândido Vaccarezza (PT-SP).

Depois de Lula, vêm governadores, senadores e deputados, seguidos dos prefeitos — esses últimos considerados os cabos eleitorais mais eficazes, porque estão mais próximos do eleitor.

O secretário de relações institucionais do PT, deputado Geraldo Magela (PT-DF), está montando o que chama de “exército de prefeitos”, inclusive da oposição.

O que não é difícil, dado o poder de fogo do governo.

— Está muito fácil atrair prefeitos da oposição para a campanha de Dilma. Puxa muito voto o fato de ter prefeitos do outro lado, porque fica claro que apoiam o que está sendo feito pelo governo Lula — diz Magela.

O comando da campanha de Dilma aposta ainda no retorno da mobilização do que chamam de “estamento sindical”.

— Representamos mais de 20 milhões de trabalhadores em todo o país. São mais de 3 mil sindicatos que vão fazer reuniões, assembleias e desenvolver ações para deixar claro que não podemos deixar o candidato do capital vencer esta eleição. Das cinco centrais, apenas a UGT não vai se posicionar, vai liberar. Nós, da CUT, vamos mostrar que temos lado, e que apoiamos Dilma — diz o presidente da CUT, Arthur Henrique.

Com Indio, Serra busca voto jovem

A grande estrutura do PMDB em todo o país é outro grande trunfo da candidatura governista.

A grande maioria do partido está com Dilma, apesar de dissidências em colégios eleitorais importantes, inclusive em São Paulo, estado do vice na chapa, Michel Temer, onde Orestes Quércia apoia Serra.

Apesar dos traumas recentes na relação com o governo Lula, o deputado José Nobre Guimarães (PT-CE) cita o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) como grande e importante puxador de votos para Dilma, não só no Ceará.

Para enfrentar toda essa força, Serra sabe que vai precisar do empenho dos principais líderes regionais do PSDB e dos aliados.

Com a indicação do deputado Indio da Costa (DEM-RJ) para vice, o PSDB quer, além de cortejar o eleitorado jovem, o engajamento integral do DEM do Rio e, principalmente, no Nordeste, que era reduto do antigo PFL.

— O PT conseguiu montar um exército de militantes que estão em cargos comissionados ou em sindicatos e ONGs que recebem dinheiro público. Com essa tropa, não temos como competir. Por isso, vamos estruturar bons palanques estaduais para Serra — diz o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ).

Marina tenta inovar campanha

O PSDB quer evitar o erro de 2006, quando o então presidenciável Geraldo Alckmin tinha muitos palanques, mas sem campanha efetiva. Resultado: foi abandonado. Por isso, a preocupação de Serra em ter palanques de confiança, como o de Jarbas Vasconcelos, em Pernambuco.

— Agora é fazer o time jogar unido. Mais importante do que a quantidade é a determinação.

Temos que fazer um grande esforço porque, do outro lado, tem o governo e seus interesses sustentados por energia pública, mas os palanques não são tudo numa campanha — afirma o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

A lista dos principais nomes para comandar as tropas regionais de Serra começa com Alckmin, de quem é esperado total engajamento, a despeito das divergências passadas entre eles. O desafio é abrir uma frente de 5 milhões de votos no Estado de São Paulo, para compensar o favoritismo de Dilma no Nordeste.

Outra esperança dos tucanos é o ex-governador Aécio Neves.

Mesmo com as promessas de empenho do mineiro, pesquisas internas do próprio PSDB ainda não apontam quadro favorável a Serra em Minas Gerais.

— Conseguimos construir uma unidade política de candidaturas regionais fortes que permite a Serra fazer campanha na ponta. Por exemplo, ele foi a Curitiba ao lado de Beto Richa, Flávio Arns e Gustavo Fruet. Mostra que temos estrutura e fortes lideranças ao nosso lado — diz o tucano Jutahy Junior (BA).

Sem governador e sólidas estruturas partidárias, o PV investe na inovação, em que palanques estaduais dão lugar a comitês diferentes, montados nas casas de militantes e voluntários.

O primeiro compromisso oficial de Marina Silva, terça-feira passada, foi a inauguração de um desses comitês, apelidados de “Casas de Marina”. No lugar dos comícios com políticos nos palanques, a ideia é investir em visitas a escolas, universidades, igrejas e associações de mulheres e jovens.

 
Da redação  em  11/07/2010- 11:24:58
 
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ELEIÇÕES 2010
Ficha Limpa: advogados veem brechas
 

Tradicionais escudeiros de políticos com pendências na Justiça, advogados especializados em direito eleitoral esquadrinharam a Lei da Ficha Limpa e mapearam suas principais brechas. A avaliação é que o texto, aprovado no Congresso sob forte clamor popular, tem supostas inconstitucionalidades, inconsistências e dúvidas, que serão exploradas para garantir a presença dos clientes na disputa por cargos nestas eleições.

A Justiça Eleitoral tem até 5 de agosto para divulgar quem são os candidatos aptos a concorrer.

O dia 19 do mesmo mês é o limite para que os recursos dos chamados fichas-sujas sejam analisados. Quem não tiver êxito deve bater em outras portas do Judiciário.

O ponto que desperta maior inquietude é a extensão de três para oito anos do prazo de suspensão dos direitos de elegibilidade dos políticos já condenados.

Para o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral Torquato Jardim, a legalidade do artigo pode ser questionada.

— É constitucional o indivíduo condenado definitivamente a três anos ganhar cinco de troco? — questiona

Mesmo autores da lei admitem falha

Mesmo os autores da lei admitem que este é um dos pontos frágeis que poderão ser explorados nos tribunais.

— É o único que desperta alguma dúvida e sabemos que haverá contestação — diz o coordenador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, Marcelo Lavenère.

Entre os advogados, a aplicação retroativa da lei é vista como um cerceamento do amplo direito de defesa, previsto na Constituição. Mas, na avaliação do criminalista Gerardo Grossi, isso não livra o partido ou o autor da ação de terem a imagem prejudicada por questionar uma lei sancionada por pressão popular, com o objetivo de moralizar a disputa.

— Toda lei votada de afogadilho, quando não tem tempo de reflexão, dá nisso. A proposta foi analisada no Congresso.

Deram aos enforcados a tarefa de melhorar a corda — afirmou

 
Contas rejeitadas serão outro ponto polêmico

  Para além das questões constitucionais, os especialistas acreditam que o Tribunal Superior Eleitoral terá dificuldades e precisará de tempo para julgar, caso a caso, os episódios em que o político teve as contas rejeitadas. Nestas situações, é preciso que seja configurado ato de improbidade administrativa intencional (doloso). Contudo, a análise não cabe aos tribunais de contas e a tarefa, típica da Justiça comum, pode demandar interpretação da Justiça eleitoral. Para Torquato Jardim, dezenas de políticos que tiverem o registro negado podem questionar a competência da Justiça eleitoral e pedir a concessão tardia do registro da candidatura.

— O quadro vai ficar, eventualmente, mais confuso, se crescer o número de candidatos que consigam na Justiça comum afastar a causa de inelegibilidade — avalia.

Pela lei, também fica fora da disputa quem renunciou ao mandato para evitar abertura de processo de cassação. Para Jardim e Gerardo Grossi, há uma brecha que pode ser usada inclusive por Joaquim Roriz, que em 2007 renunciou ao mandato de senador. A Constituição prevê que a renúncia só afasta o risco de inelegibilidade se for antes da abertura do processo disciplinar no Conselho de Ética do Poder Legislativo. No caso do Ficha Limpa, isso já vale quando é oferecida a representação ou a petição para autorizar a abertura de processo.

Dúvida sobre quantos juízes são necessários para recurso


O artigo 26 tem outra polêmica, ao dizer que políticos condenados podem obter de órgãos colegiados a suspensão da condenação até a análise de recurso. Em outras palavras, um juiz apenas não poderia concedê-la. Para isso, é necessário que o pedido seja “plausível”. Mas os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, concederam sozinhos o efeito suspensivo a recursos.

Para Grossi, um ministro do Supremo poderia decidir sobre qualquer tema constitucional.

Na impossibilidade de a corte se reunir, ele teria a prerrogativa de representá-la.

— Além disso, a Ficha Limpa não deixa claro o que seria essa plausibilidade — explica.

Para o advogado, que defenderá o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante as eleições, a aplicação da Ficha Limpa poderá criar um ambiente de insegurança, com políticos pendurados em liminares, sob o risco de perderem o registro mesmo depois da vitória. Representante do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, Marcelo Lavenère afirma, no entanto, que a avalanche de ações já era esperada.

— A avaliação é extremamente positiva. Mais do que nós esperávamos — avalia Lavenère. Informações de O Globo

 
Da redação  em  11/07/2010- 11:19:18
 
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COPA DO MUNDO
Espanha e Holanda na luta pelo troféu inédito
 

Se a chegada de Espanha e Holanda à final da Copa do Mundo da África do Sul já está sendo histórica antes mesmo do pontapé inicial, em função da entrada de um novo membro no clube dos campeões mundiais, ainda há algo a ser descoberto em termos do legado que o vencedor deixará para o futebol. Pois, a exemplo de Mundiais passados, as duas equipes farão neste domingo, no Soccer City, às 15h30m, um duelo de filosofias que poderá influenciar como o resto do mundo jogará futebol pelos próximos anos, e não especificamente o período de quatro até que a maior festa do esporte chegue ao Brasil.

De um lado, uma Espanha cujo caminho para a decisão pode até ter começado com uma derrota, mas ainda assim foi aberto com um estilo de jogo comprometido com a qualidade ofensiva - a ponto de, no revés contra a Suíça, jamais ter apelado para o chuveirinho. De outro, uma Holanda disposta a abrir mão de seu apreço pelo futebol bem-jogado para enfim sair de uma final de Copa do Mundo (a terceira) dando volta olímpica. Mesmo que isso inclua a presença de dois pit-bulls no meio campo e sua criatividade dependa de lampejos do meia Sneijder e do atacante Arjen Robben.

Observadores neutros vão apontar para uma vantagem da Espanha, cujo time titular conta com a espinha dorsal do Barcelona (cinco jogadores, incluindo a dupla de zaga e três dos quatro jogadores de meio-campo), na busca pela melhor combinação entre estilo e entrosamento, ao passo que a equipe holandesa não tem nenhum clube representado por mais de dois jogadores. Curiosamente, a pressão ocorre de forma inversa nos dois países em termos de relacionamento entre qualidade e resultados.

- Em meu país há uma obsessão com o futebol bem-jogado, de que também sou fã. O que as pessoas precisam entender é que nem sempre é possível conciliar vitória e estilo nas partidas de alto nível. Vivemos numa era em que todos os times sabem tudo sobre seus adversários e há muitos que não vão hesitar em jogar de forma cautelosa - explica Bert Van Marwijk, técnico da Holanda, quando questionado sobre o que torcida e mídia do país veem como postura defensiva e anti-holandesa.

Van Marwijk muitas vezes fala como se não entendesse o porquê de tanto barulho: além de marcar presença numa final de Copa do Mundo pela primeira vez desde a dobradinha 1974/78, desta vez com uma geração que mesmo seus integrantes admitem não ser a melhor que o país já viu, e que pouca gente via chegar muito longe no Mundial a Laranja de 2010 está invicta há 25 partidas, uma série que nem mesmo a equipe que tinha monstros sagrados como Johan Cruyff obteve. Sem falar que uma vitória na final fará da equipe a única, ao lado da seleção brasileira de 70, a ter vencido todas as partidas de eliminatórias e do Mundial.

Já a Espanha chegou à África do Sul como a principal favorita, apesar de uma longa história de decepções (ficou apenas uma vez perto do título, como quarta em 1950) e do tropeço contra os EUA nas semifinais da Copa das Confederações de 2009, depois de igualar o recorde da seleção brasileira de 35 partidas invictas. A ducha de água fria contra a Suíça na estreia, seguida por vitórias magras contra Honduras e Chile, fez apostadores coçarem a cabeça.

No mata-mata, a Fúria também não fez partidas geniais contra Portugal e Paraguai e viu os elogios todos sugados pela Alemanha. Mas nas semifinais deu um nó na jovem equipe de Joachim Löw que só não foi mais categórico por conta da falta de pontaria dos atacantes, em especial Fernando Torres, que a exemplo da semifinal contra a Alemanha, deverá começar no banco, dando lugar a Pedro, outro jogador do Barcelona.

- A última bola e o último chute são os mais complicados no futebol. Estamos perdendo muitos gols, mas não creio que seja um problema da pressão do favoritismo. Vamos continuar com nosso jogo e nossa boa organização porque assim nossa qualidade individual poderá prevalecer - afirma o técnico espanhol, Vicente Del Bosque.

Del Bosque poderia estar falando especificamente do companheiro de Torres ou Pedro no ataque, David Villa, que ao lado de Sneijder ocupa a artilharia do Mundial, com cinco gols. Os dois, por sinal, terão um enfrentamento à parte no Soccer City, o dia em que se saberá a nova moda do futebol mundial. Informações de O Globo.

Holanda x Espanha

Local: estádio Soccer City, em Johannesburgo, África do Sul

Horário: 15h30m (de Brasília)

Árbitro: Howard Webb (ING)

Holanda: Stekelenburg, Van der Wiel, Heitinga, Mathijsen e Van Bronckhorst; Van Bommel, De Jong, Sneijder, Kuyt e Robben; Van Persie. Técnico: Bert van Marwijk.

Espanha: Casillas, Sérgio Ramos, Piqué, Puyol e Capdevilla; Busquets, Xabi Alonso, Xavi e Iniesta; Pedro (Fernando Torres) e David Villa. Técnico: Vicente del Bosque.

 
Da redação  em  11/07/2010- 11:12:36
 
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ELEIÇÕES 2010 - DISTRITO FEDERAL
Turma de PO se divide entre Roriz e Filippelli
 

Wilson Silvestre, do jornal Opção

Como já era esperado, após a fragmentação do DEM no Distrito Federal, o grupo que dava sustentação política ao ex-vice-governador Paulo Octávio, como líderes comunitários e médios empresários nas cidades satélites, já estão se ajeitando com Joaquim Roriz (PSC) ou com Agnelo Queiroz (PT).

O pessoal que está conversando com o Roriz busca, basicamente, a garantia na manutenção de empregos. Já os que procuram Tadeu Filippelli, candidato a vice na coligação de Agnelo, querem ter a certeza de que não haverá grandes mudanças na relação entre empresas e o Estado. “Uma simples mudança tributária pode prejudicar muitas empresas que têm uma folha de pagamentos alta e garante empregos, principalmente na construção civil. Sem apoio do governo, torna-se impossível sobreviver com mudanças nas regras do jogo. Este é o temor que muita gente tem em relação à candidatura de Agnelo Queiroz”, contou um empresário que esteve no café da manhã promovido pelo vice-presidente do Sindicato da Construção Civil (Sinduscon), Júlio Perez, na quinta-feira, 8. Perez reuniu 40 empresários para ouvir as propostas de Agnelo para o setor.

Participaram da conversa, além de Agnelo e Filippelli, os candidatos ao Senado, Rodrigo Rollemberg (PSB), e à Câmara dos Deputados, Geraldo Magela (PT) e Luiz Pitiman (PMDB). O presidente do Sinduscon-DF, Elson Póvoa Ribeiro, reclamou das dificuldades com a indefinição dos contratos em andamento, as licitações que foram realizadas, mas não contratadas, além da espera por licitações que já deveriam acontecer. Outro que marcou presença foi o presidente da Associação Brasiliense de Construtores (Asbraco), Gegitón Queiroz.

Este time de pesos-pesados da construção civil foi arrebanhado por Tadeu Filippelli. “Hoje, o verdadeiro ponta de lança no meio empresarial que ainda vê com desconfiança o PT do DF”, conta a fonte do Jornal Opção. De fato, Filippelli vem atuando como um navio quebra-gelo na trajetória de Agnelo rumo ao Palácio do Buriti.

Élson Povoa aproveitou a presença da cúpula da campanha de Agnelo para lamentar a derrocada do governo de José Roberto Arruda (ex-DEM e sem partido). “Ele vinha realizando uma boa gestão.” Disse também que são 65 mil trabalhadores diretos, com carteira assinada na construção civil do DF, sem contar os informais. “Temos responsabilidade social com estas pessoas.”

Tadeu Filippelli lembrou sua experiência em gestão no DF, destacando a importância das entidades representativas, e celebrou sua aliança. “Essa união é real e demonstra, sobretudo, respeito pelo DF. Estamos deixando de lado a briga partidária para ter um compromisso com o resgate de Brasília.” Como empresário, Filippelli disse compreender a angústia do presidente do Sinduscon. “O empresário vive um momento de dificuldades. Ele investe, corre riscos. Por outro lado gera empregos, gera riquezas, paga impostos. Não é um mar de rosas. Nós temos nossas dificuldades.”

Com Roriz

Enquanto a dupla Agnelo-Filippelli busca reunir forças junto ao empresariado, Joaquim Roriz também articula com os ex-integrantes do governo José Roberto Arruda-Paulo Octávio. Na quinta-feira, 8, em vez de café da manhã, ele almoçou no Piantela com o PSDB, DEM e o PR, tripé que politicamente sustentava Arruda. “De acordo com uma informação do jornal “O Estado de S. Paulo”, “a união pode também contar com o ex-senador Luiz Estevão, cassado em 2000 e acusado de envolvimento na obra superfaturada do Fórum Trabalhista de São Paulo, mas cotado para ser tesoureiro da campanha”. Roriz respondeu à indagação com “Ele (Estevão) não quer. Se ele quisesse eu ia querer. É uma excelente figura. E qual o defeito dele? Para mim, não tem”, diz Roriz, candidato a governador pelo PSC. As especulações dão conta de que Arruda teria orientado os seus fiéis escudeiros, como o deputado Alberto Fraga, a se aliar com Joaquim Roriz. Fraga desmente estes boatos dizendo que visitou o amigo para conversar e não se aconselhar. “Apenas falei que seria suicídio o DEM sair sozinho, sem alianças, não teríamos chance alguma”.

O fato concreto é que, tanto o grupo que era ligado a PO, quanto o de Arruda estão fechadíssimo com Roriz. Basta observar as especulações de que, se Roriz realmente for impedido pela Justiça de disputar o GDF, Ana Cristina Kubitschek, mulher de PO, filiada ao DEM e candidata a primeira suplente de Fraga na disputa ao Senado, seria candidata a vice numa chapa encabeçada pelo atual vice de Roriz, Jofran Frejat. Os boatos se ampliaram no último final de semana devido à via-sacra de Roriz para assegurar o direito de disputar o governo. Enquanto advogados do ex-governador corriam em busca de recursos para outras ações, o presidente do PSol e candidato ao GDF, Antônio Carlos de Andrade, o Toninho do PSol, protocolou na quinta-feira, 8, ação no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), contestando o pedido de registro de Roriz na disputa ao Palácio do Buriti.

A petição de Toninho se baseia na Lei Ficha Limpa, que suspende por dois mandatos quem renuncia para não ser cassado. Este é o caso de Roriz, que renunciou em 2007 — quando era senador — para fugir de um processo no Conselho de Ética do Senado. Estaria, assim, sem condições de concorrer até 2023. Também o candidato a deputado distrital pelo PV Júlio Pinheiro Cardia deu entrada em ação com o mesmo teor. Roriz já tem todo um roteiro de contestação preparado para, caso seja necessário, ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF) e tentar derrubas estas ações.

 
Da redação  em  11/07/2010- 10:19:00
 
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ELEIÇÕES 2010
Ficha Limpa vingará neste ano, diz presidente do TSE
 

Presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Ricardo Lewandowski avalia que um adiamento da Lei da Ficha Limpa seria uma "frustração" para a sociedade, mas diz ter "convicção de que a lei vingará" mesmo passando pelo crivo do Supremo Tribunal Federal e barrará os "fichas-sujas". Em sua opinião, candidatos que conseguirem liminares para disputar a eleição estão com as campanhas em risco. "Aqueles que não tenham a ficha limpa farão a campanha por sua própria conta e risco." Lewandowski, 62, critica o curto espaço reservado para a campanha formal, que, para ele, deveria começar em janeiro. "Mas é preciso não admitir o uso da máquina."

Folha - O TSE ordenou que a Lei da Ficha Limpa vale neste ano, mas candidatos estão recorrendo ao STF. O sr. teme que ela não vingue?

Ricardo Lewandowski - As liminares concedidas estão previstas na Lei da Ficha Limpa, que prevê o efeito suspensivo. O TSE afirmou por expressiva maioria que a lei é constitucional, que se aplica a estas eleições e a fatos pretéritos. Eventualmente, um ou outro aspecto pode ser questionado no STF.

Há risco de "fichas-sujas" serem eleitos. Qual a mensagem que pode ser passada?

No cotidiano é assim. Alguém, com uma liminar, concorre, é eleito, depois o caso é julgado definitivamente e ele tem o diploma cassado. A mesma coisa pode ocorrer com aqueles que não tenham a ficha limpa. Podem obter uma liminar, mas farão sua campanha por sua própria conta e risco.

Sua expectativa é que a lei vingue ou teme que não?

Totalmente. Primeiro, foi uma lei com amplo respaldo popular, nasceu de uma iniciativa legislativa popular. O Congresso aprovou por uma votação maciça. Essa matéria foi examinada pelo plenário do TSE. Tenho a convicção de que vingará mesmo passando pelo crivo do STF.

É possível dizer que, mesmo com o efeito suspensivo, a hora deles vai chegar?
Vai chegar, sem dúvida. O candidato corre o risco, se não tiver sucesso na decisão final, de perder o mandato.

O sr. avalia, então, que será uma frustração para o eleitor a lei não vingar?
É possível que haja uma frustração da sociedade. Mas acho que a lei já vingou, está em plena vigência.

Concorda que houve antecipação da campanha?
Sempre houve a antecipação da campanha. O que houve foi uma exposição maior dessa antecipação por parte da mídia.

Há um vácuo legal no período de pré-campanha. Nele, a Justiça não pode aplicar punição prevista em época de campanha. Como lidar com isso?
Sou plenamente favorável a disciplinar esse período. Defendo a ideia de que [seja] no começo do ano eleitoral. A partir de janeiro, a campanha poderia ser deflagrada. Mas é preciso regulamentar. Não se pode admitir é o uso da maquina administrativa.

Irregularidades punidas até aqui perdem efeito legal ou podem ainda ser consideradas em processo mais à frente, diante de novas infrações?
Teoricamente eles podem ser invocados. Mas é preciso provar que realmente esses fatos tiveram o condão de desequilibrar a campanha.

Houve desequilíbrio?
Não posso me manifestar.

Avalia que Lula, tendo atuado em atos multados como campanha antecipada, agiu de forma republicana?

Não posso responder pelo presidente. Mas posso dizer é que, entre abril e maio, houve uma inflexão na jurisprudência da corte. Até então, entendia-se que só se configurava campanha antecipada se houvesse menção ao pleito, fosse nominado um candidato e houvesse pedido explícito de voto. A partir de abril/maio (...), determinados comportamentos passaram a ser sancionados.

Que outra iniciativa deveria ser tomada para outras eleições como avanço institucional na busca da moralidade?

Precisamos de uma reforma política mais ampla. Não digo a reforma do processo eleitoral, que precisa ser feita para diminuir o número de recursos. Muitas vezes um político é cassado e, em razão dessa multiplicidade do número de recursos, só sai quase ao término do mandato.

Como acabar com isso?
Isso está sendo providenciado pelo Congresso. Mas há uma reforma mais ampla tem de ser feita, a política. Deve-se discutir o pluripartidarismo exacerbado. Temos 27 partidos, número inusitado comparado a democracias mais avançadas. Precisamos meditar sobre a cláusula de barreira. O STF considerou inconstitucional a que existia, mas é preciso repensá-la.

O que mais?
Temos a questão do financiamento das campanhas. Tendo em conta as distorções que advieram do financiamento maciço do setor privado, e entendo que isso pode representar até um elemento perturbador e de corrupção mesmo das eleições, eu pendi no sentido de que deveríamos favorecer o financiamento público de campanha. Mas com a eleição americanas ocorreu um fenômeno novo, o financiamento feito gota a gota pelo eleitor, por meio da internet, do telefone.

O sr. disse que as grandes doações de empresas podem ser um fator perturbador e de até corrupção. O que fazer?

Poderíamos caminhar no sentido de permitir só doações de pessoas físicas, com limites, como existe hoje.

Mas o caixa dois não continuaria mesmo assim?
Estamos com mecanismos cada vez mais sofisticados para detectar o caixa dois.

Os senhores estão enfrentando debate sobre uma verticalização diferente, a questão da aparição de candidatos a presidente nas propagandas nos Estados. Ela é possível?
No que tange à verticalização na propaganda, houve uma primeira decisão tomada numa consulta do PPS, mas é possível que o TSE reveja a posição que tomou, em face a novos argumentos. Informações da Folha de S.Paulo.

 
Da redação  em  11/07/2010- 10:10:57
 
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ELEIÇÕES 2010 - DISTRITO FEDERAL
Andanças para ser reconhecido
 

O sábado foi dia de trabalho para os candidatos dos partidos menores. Donos de rostos pouco conhecidos dos eleitores, Eduardo Brandão (PV) e Toninho do PSol saíram às ruas em busca de votos. Já Rodrigo Dantas (PSTU) passou o dia em reuniões fechadas com objetivo de traçar estratégias e preparar material de campanha. Ricardo Machado (PCO) cancelou a agenda de encontros internos para prestar solidariedade aos índios que estavam acampados na Esplanada, após a operação policial que removeu as barracas dos manifestantes, no início da manhã de ontem (leia mais sobre a desocupação na página ao lado).

Pela manhã, por volta das 11h30, o candidato do PV se juntou aos militantes do Movimento Marina Silva, na Rodoviária do Plano Piloto, onde aproveitou para caminhar e cumprimentar eleitores. Brandão caminhou nos dois pavimentos da Rodoviária e atravessou a rua até a calçada do Conjunto Nacional, onde deu a volta cercado por militantes. Com um rosto ainda pouco conhecido entre a população, o político passou quase despercebido durante o percurso. Ao mesmo tempo, militantes do Movimento Marina Silva chamavam a atenção com faixas, bandeiras, batucada, pintura de camisas no estilo estencil e computadores conectados à internet, onde os eleitores poderiam enviar mensagens para a candidata a presidente.

Também marcaram presença no terminal rodoviário o candidato ao Senado Cadu Valadares (PV) e a candidata a deputada distrital Joyce Matias (PV), além de membros da diretoria do Partido Verde. O lançamento oficial da candidatura de Eduardo Brandão será hoje, às 10h, no Lago Paranoá. A escolha do local teve a ver com a bandeira da defesa pelo meio ambiente. “É preciso abrir os olhos para os danos ambientais que o Lago está sofrendo. A cada dia o espelho d’água diminui em virtude do assoreamento, fruto da ocupação irregular de terras na bacia do Paranoá, tanto no lado norte como no sul. Uma das minhas primeiras metas de governo será arrumar essa situação”, prometeu.

Almoço
Por volta do meio-dia, Toninho do PSol almoçou no restaurante comunitário de Ceilândia na companhia de militantes do partido. Após a refeição, o político caminhou pelas ruas do centro da cidade, onde aproveitou para cumprimentar a população e ouvir as principais demandas da comunidade. “O que mais ouvi foram queixas sobre a corrupção no GDF. As pessoas querem uma limpeza na política local”, afirmou. Além da ética na administração pública, Toninho prometeu atender demandas populares nas áreas da saúde, transporte público e emprego.

A agenda do candidato do PSol incluiu ainda visitas pontuais em casas de família, também em Ceilândia, com o objetivo de aprofundar o diálogo com a comunidade. De acordo com a coordenação da campanha, os próprios moradores convidaram Toninho para a visita, durante o corpo a corpo. À noite, o político marcaria presença em uma festa junina em Santa Maria. Hoje, Toninho deve pedir votos na Feira dos Importados.

O socialista Rodrigo Dantas (PSO) esteve, à tarde, em reunião com representantes do Movimento dos Sem-Teto na Estrutural, onde também conversou com membros da base de apoio sobre as estratégias para a campanha. A atividade foi fechada para a imprensa. Ricardo Machado também cancelou as atividades internas do partido, a exemplo dos outros candidatos do PCO, para ir à Esplanada prestar apoio aos índios que estavam acampados desde o início do ano no local e foram retirados ontem, durante uma operação policial.  Informações do Correio Braziliense.

 
Da redação  em  11/07/2010- 10:06:57
 
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JOAQUIM RORIZ- ENTREVISTA
"Ganho do PT e dos traidores no 1º turno"
 

Ana Dubeux e Carlos Marcelo. do Correio Braziliense

Pode-se dizer tudo de Joaquim Domingos Roriz, exceto que ele seja medroso. Sob intenso tiroteio do Ministério Público, de setores da Justiça e de adversários políticos que tentam afastá-lo da vida pública há pelo menos 15 anos, ele deposita total confiança nas chances de emplacar o quinto mandato no Governo do Distrito Federal. Mesmo diante da real possibilidade de a Justiça acolher os pedidos de impugnação e suspender o registro da candidatura, Roriz retira do passado a determinação para encarar o futuro. “Na minha primeira eleição aqui, o Supremo decidiu que eu seria candidato quando faltavam 32 dias para o eleitor ir às urnas. Eu conheço esse filme profundamente. Estou preparadíssimo”, afirma.

Com 50 anos de carreira política, o goiano de Luziânia desconhece o sabor da derrota em todas as eleições que disputou. Provoca o concorrente direto Agnelo Queiroz. “Ele acha que basta colocar um jaleco para resolver a questão da saúde.” E desafia aqueles que não acreditam na sua vitória. “Se a eleição fosse hoje, ganharia no primeiro turno”, avisa, confiante no eleitorado que o ajudou a permanecer no poder durante 14 anos.

Nesta entrevista ao Correio, Roriz orgulha-se de ser populista aos 73 anos, não se arrepende de ter distribuído lotes e inchado Brasília, desdenha de quem acredita que esteja seriamente doente: “Estou muito bem e posso disputar outras eleições”. Fala sobre os planos para governar o Distrito Federal e em “pensar grandes coisas”, como a cidade da saúde, um novo aeroporto, uma cidade de estacionamentos subterrâneos.

Roriz só troca o entusiasmo pela mágoa quando se refere a ex-colaboradores próximos, cotados até para sucedê-lo em outras épocas. Apesar de cristão, diz não perdoar os traidores. Julga ter sido enganado por Tadeu Filippelli e José Roberto Arruda. Garante que não pode errar mais. E chama Durval Barbosa — outro que se criou sob a sua sombra — de corajoso por denunciar o esquema que envergonha brasilienses, alvo de chacota em todo o país. As palavras de Roriz são duras. Considera Arruda um malfeitor e manda um recado aos recém-enlaçados Agnelo-Filippelli: “Aquele que me traiu vai trair outro.”

Por que governar Brasília pela quinta vez?

Sinto que sou da cidade, que sou brasiliense, que isso é a minha terra. Por aqui já cavalguei quando era garotinho. Meu pai soltava gado nas planícies daqui na época da seca, aqui era verde. Meu pai, os peões e eu vínhamos juntos. Aqui já dormi muitas noites em uma barraca com a palha de buriti e pau a pique. Eu conheço isso na intimidade há 60 anos. Então a gente cria uma intimidade com a região que nos deslumbra. Quando passo pela Esplanada e vejo aquela maravilhosa obra de Niemeyer, isso me traz uma alegria interior e um amor pela cidade redobrados a cada instante. Antes não havia nada, era um cerrado, uma campina coberta de buritis.

A renúncia no Senado não foi suficiente para encerrar a carreira política?
Vocês sabem as razões da minha renúncia. Por que renunciei ao Senado? Me preparo para a vida pública há 50 anos. Tudo está no meu Imposto de Renda e nas minhas origens. Acontece que tenho fazenda, tenho rebanho — e com toda humildade, é considerado um dos melhores do Brasil. Então peço a um amigo comum, um empresário, se ele podia trocar um cheque porque precisava pagar um negócio de um animal. Esse amigo, vocês sabem quem é (Nenê Constantino), me responde: vou levar o negócio para você. Em vez de ele me trazer o dinheiro e eu dar aquele cheque trocado… isso eu faço a vida inteira! Já fui vendedor de areia nesta cidade, já fui empresário. Isso é um negócio comum. Mas acontece que alguém, que tinha interesses outros, pegou uma gravação minha — é verdade a gravação, eu pedi a uma pessoa (Tarcísio Franklim, ex-presidente do BRB) para descontar o cheque e ele mandou dispor. Tirei o que precisava, assinei uma letra e mandei o restante para a pessoa que era dona do animal. Essa pessoa pega esses recursos dois ou três dias depois e deposita no banco, na conta dela no Banco do Brasil. Nós tiramos do BRB e depositamos o troco na conta dele no Banco do Brasil. Tenho todos os comprovantes. Quebraram meu sigilo bancário para ver se passei mesmo o dinheiro. Passei, está lá, na Universidade de Marília, de São Paulo. Comprei o animal do reitor. Mas saiu a notícia em todos os jornais. Então fiquei envergonhado. Você trabalhar a vida inteira na política e passar por esse vexame…

Ficou envergonhado com o que fez ou com a forma que a imprensa tratou?
Acho que pelo equívoco. Não culpo a imprensa, mas fiquei profundamente constrangido com as notícias. E o ambiente do Senado era muito ruim. Era o Renan Calheiros querendo negar que tinha filha fora da família, querendo negar mais isso e mais aquilo… O ambiente naquele momento era péssimo, muito desgastado. Aí eu falei: “Eu vou ficar aqui, quando não tenho nenhuma vocação pela tribuna? Eu vou-me embora!” Aproveitei a onda e fui embora. Até hoje sinto o conforto de não ter ficado lá.

Fugiu ou fez a coisa certa?

No momento certo, na hora certa. Não pensei que iria disputar mais uma eleição. Na medida em que renunciei, não tem como não ser candidato a governador.

Até em função da renúncia, há uma pressão muito grande sobre o senhor. Não teme a degola?
Na minha primeira eleição, o STF decidiu que eu seria candidato quando faltavam 32 dias para o eleitor ir às urnas. E naquela época as leis eram mais rigorosas, eu estava sub judice. Não pude aparecer em comício, não pude aparecer em televisão. Agora eu posso, estou na rua. Espero que a Justiça do meu país prevaleça. Mas não posso responder nada com relação à Justiça porque quem vai decidir são os ministros, os juízes. Tenho respeito por essas instituições, não posso dizer o que eu acho. Só posso dizer que sou candidato. Agora, se não deixarem, aí é outra questão. Esse filme eu conheço profundamente. Estou preparadíssimo.

Não tem nenhum receio das impugnações?
Nenhum receio. Há quantos anos eu conheço esse filme? Não tenho nenhuma preocupação com as ações dos meus adversários porque é o papel deles.

Qual a justificativa que o senhor dará para não vincular seu nome a essas questões da Ficha Limpa?

Já vai fazer quatro anos que eu renunciei. Não estava pensando em eleição. Como é que podem provar que eu tinha intenção de disputar a eleição? Eu ainda tinha sete anos e meio de mandato. Renunciei ao mandato, ao foro privilegiado, renunciei a tudo e voltei exatamente de onde eu saí. Meu Deus, eu vou ter medo? Vou me preocupar com isso? Primeiro: acredito profundamente na Justiça do meu país. Segundo: como é que podem tirar minha candidatura quando a Constituição é clara ao dizer que não pode retroagir para prejudicar? E fere também a gramática. É “os que renunciarem” e não “os que renunciaram”. O adversário está rasgando a gramática. Não sei se a Justiça pensa assim. Os adversários vivem rasgando a Constituição, o que posso fazer? Isso para mim é ditadura, é revolução. Não acredito que isso possa acontecer.

Seu perfil político se aproxima ao de um coronel. O senhor se considera uma pessoa mais atrasada, mais reacionária, mais conservadora?
O que poderia dizer? Agradeço a Deus por estar envelhecendo. Se não envelhecer, vou morrer, tenho de morrer novo. Mas todos vão envelhecer também, não só eu. Minha cabeça está muito mais atenta e minha saúde muito mais rigorosa. Eles sempre pensaram que sou atrasado e não sei por quê. A vida inteira ajudei a minha gente, entretanto sempre fui combatido, os próprios companheiros querendo me destruir. Procurei limpar quem está comigo. Hoje não tem ninguém envolvido em nenhum ato que nos desvalorize. Como sempre, vou apurar quem estiver tirando proveito se eu for governador. A pior coisa na vida pública é ter pessoa traidora com você.

A figura do traidor, que abandona e ainda sai falando mal, tem acontecido com frequência na sua vida pública. Isso ocorreu com o candidato a vice da outra chapa, Tadeu Filippelli, e em muitos momentos com Arruda. Por que isso acontece?
Para mim a ficha caiu há pouco tempo. Anteriormente eu os analisava pelo currículo. Brasília é uma cidade nova, onde a política é nova, os políticos também. A gente não pode indagar: quem era pai de fulano, quem era avô de fulano. É diferente de onde eu fui habituado. Quando ia nomear um secretário, sabia quem era o pai, quem era o avô. Aqui não tinha essa oportunidade. Peguei gente que, num primeiro momento, confiava. Agora vou buscar diferente. Traidor é a pior situação de um homem público. Aquele que me traiu vai trair outro. Isso está na sua personalidade, na sua formação. Agora não tenho direito de errar. Pode ter certeza de que vou buscar o melhor em termo de assessoria. Esse negócio de ser velho, para mim, não importa. Importa é que seja capaz, competente e moderno.

Esperava um golpe desses de pessoas tão próximas?
Jamais. Pelo contrário, lutava porque os que você citou, dentre outros, poderiam ser até meu sucessor.

Foi traído também pelo PMDB?
Fui também. Não sei de que maneira foi. Não sou eu que estou dizendo, mas a cidade comenta que foi negócio. E em política negócio não existe. Entrou com negócio e negociata, eu não entro. Não faço. Vou com meu amigo até a cova, mas não desço com ele na sepultura, não. Essa é a minha formação, essa é a minha filosofia de vida.

Como enxerga esse PMDB que se aliou com o PT?  Esse PMDB não é autêntico?
Eles vão ter que se explicar um dia. Eu fui do PMDB. Sou do PSD de Juscelino, sou do PMDB de Ulysses Guimarães, sou do PMDB de Tancredo Neves. Eu não diria que esse PMDB não é autêntico. Diria que ele mudou completamente.

É um PMDB mais oportunista?
Eu diria incompreensível. Em partido político, o que prevalece é a honradez e a lealdade. Negócios, não. Negócios a gente faz com empresas, com a iniciativa privada. Na política, não cabem negócios. Não sei o que está acontecendo, não posso garantir absolutamente nada. Isso terá a oportunidade de ser explicado. Não sei quando, mas terá que ser explicado.
 
Aconteceu alguma coisa nebulosa, escusa, misteriosa?

Misteriosa porque o problema não é me trair, é não comparecer. Pedi uma intervenção no partido ou uma dissolução. Não apareceu nenhum que ia decidir a questão. Quer dizer então que esse partido não me cabia. Procurei o menor partido e achei o menorzinho, chamado nanico (PSC) — e esse era nanico mesmo. Fui pra lá para recomeçar a vida. Hoje estou com as melhores alianças democráticas. Estou com o PSDB — eu apoio Serra para presidente, mas quero que ele venha à minha casa pedir voto. Sou Serra por convicção. Não quero ver um país socialista, quero ver um país democrático. Sou contra Cuba, sou contra a Venezuela, estou fazendo uma aliança para mudar o regime nacional.

Brasília também está precisando recomeçar? Por quê?
Porque os brasilienses não têm culpa pela irresponsabilidade. Hoje você viaja de carro com a placa de Brasília e corre o risco de ter o carro depredado. Nas praias brasileiras, tratam-nos com deboche. Temos que recuperar a autoestima. É a capital de um país emergente, que tem perspectiva de ser o maior do planeta. Quando nós temos 1,6 bilhão de habitantes passando fome no mundo, estamos no lugar que pode acabar com isso. O Centro-Oeste possui a maior reserva agricultável do planeta, está aqui a solução para quem passa fome no mundo. Será possível que o ser humano é pobre porque quis nascer pobre? Ele não pediu para nascer pobre. Não tem moradia, não tem dinheiro para comprar comida. Ele tem que arrumar um lugar, o que ele pode fazer? Aí vem um trator e passa por cima do barraquinho desse miserável. Para nós, que temos fé, está certo deixar o ser humano na chuva, no sol, na tempestade? Vou ajudar o pobre sempre.

Isso é populismo, é clientelismo. Ser populista não o envergonha?
Não me incomodo. Populismo para mim é uma honra. Eu nem gosto de falar a palavra pobre. Não existe pobre, existem pessoas que não tiveram oportunidade. Se populista fosse defeito, não teria sido governador por quatro vezes.

O Lula seria um populista?

Não o acho populista. Ele teria o mesmo comportamento. Meu governo implantou a cesta básica no país, meu governo implantou pão e leite, meu governo implantou moradia e ainda continua. Achei maravilhoso.

Arruda baseou a campanha dele na legalidade tentando fazer um contraponto com o seu governo. Não foi o que se viu. Mas essa questão da legalidade neste seu quinto governo será levada a ferro e a fogo ?
Minhas coisas não estavam ilegais. Legalidade não é filosofia, é obrigação.E eu vou fazer uma coisa rigorosamente legal. Agora não me venha sugerir para massacrar os humildes ainda mais. Isso eu não faço, não dou conta de fazer. Não me venha pedir para demitir funcionários humildes porque eu não dou conta. Não me venha pedir para demitir funcionários. Isso eu não faço. Jamais eu extinguiria o transporte alternativo. Estava ruim? Então como conserta? Por que vou tirar mil vans e mandar o empresário comprar mil ônibus? Se isso for justo… Não estou dizendo que elas funcionam direitinho. Mas o que valeu é a ideia, a filosofia, a vontade de dividir riquezas.

A maioria dos seus votos vem dos eleitores de baixa renda. Esse seu dircurso não será rechaçado pela população do Plano Piloto? O senhor não se incomoda com isso?
Incomodar, a gente se incomoda com tudo. Dentro da possibilidade, buscamos soluções. Estou aprendendo muito, não sou o dono da verdade. Só que a mesma atenção que dou para o humilde, o paupérrimo, eu dou para o rico. Estou em busca de mais informação, mais solução. Até para ter, se eleito, um comportamento mais moderno, mais evoluído.

Voltando à questão da Pandora, o senhor tinha conhecimento desses atos?
Eu tinha conhecimento. Nunca vi, mas era público e notório na cidade. Quantos partidos estavam comigo e depois avisaram que não podiam rejeitar a proposta do outro lado? Não foi um só não. Foram vários, mas não quero citar o nome deles.

Durval Barbosa trabalhou no seu governo.
Mas Arruda também trabalhou no meu governo, todos da Pandora trabalharam no meu governo. Eu não conhecia a personalidade e o comportamento de ninguém.

Arruda disse que jamais vai perdoá-lo porque acha
que o senhor está por trás dessa história da Pandora.

Não vi nada. Durval Barbosa nunca falou comigo. Nem sei onde o Durval morava. Sabia que ele era um presidente de empresa, nomeado por mim, e eu confiava nele. Eu só me lembro dele quando ele era delegado do Cruzeiro. Fui à delegacia durante campanha e ele era delegado. Recebeu-me, por sinal, muito bem. Posteriormente vieram os deputados eleitos e pediram para prestigiá-lo. Eu perguntei: “O que vocês querem?” A resposta: que nomeie ele. Falei então: pode convidá-lo. Do meu ponto de vista, ele um dia vai ser reconhecido como um homem corajoso. Consertou não só em Brasília, mas grande parte do país.

Durval é um homem corajoso?
Profundamente corajoso pelas atitudes dele. Você acha que ele não está correndo risco de vida? Claro que está. É o que eu penso dele. É claro que muita gente pode pensar diferente, mas sei respeitar o pensamento das pessoas.

Acredita na versão dos acusados de que aquilo se tratava de dinheiro de campanha?
Não estou dizendo nada disso. Na minha não foi. Na dos outros, eu não sei.

Mas a ex-deputada Eurides Brito chegou a dizer isso.
O que eu posso falar, gente?

Eu não tenho o que responder. Eurides Brito falou isso, a minha filha Jaqueline disse “você é uma cara de pau”. Então não sei quem está com razão ou sem razão. Dinheiro meu, não foi. Cabe à sociedade julgar e analisar.

Em função das denúncias, como vai ser o nível da campanha?
Estou preparado para dois níveis: forte ou frágil. Vou dançar igual à música. Se eles quiserem ir forte, eu serei forte .

O senhor vai para o pau?
Em qualquer circunstância.

Na última eleição que o senhor concorreu, muita gente votou no senhor e no Lula. Não é vermelho e azul?
Lula é uma coisa diferente. É um homem blindado. Nem coisa errada do filho pega nele. Nada pega nele.

Pode-se dizer o mesmo do senhor. Nada toca no Roriz.

Graças a Deus. Você pode olhar lá na minha porta. Tem uma imagem de Nossa Senhora.

O senhor se surpreendeu com a profusão de
acusados na Pandora? Era nome para todo canto…

Fiquei surpreso. Sabia que havia alguns excessos com os quais não concordava. Tanto que rompi com eles no primeiro momento. O mesmo aconteceu com minha filha, que era do PSDB. Sugeri à Jaqueline que saísse da base do governo. E ela saiu do governo e do PSDB. Estava completamente decepcionado com a atitude dele. Não vou revelar os partidos, mas citaria três que me disseram não poder ficar comigo porque eu não tinha condição financeira de cumprir as propostas.

O senhor não se arrepende de ter distribuído lote? Pelo contrário, acho que dei pouco lote. Para onde é que esse povo ia? Para as favelas? Matar? Mandar embora, quando o direito de ir e vir é constitucional? Fechar a cidade?
Mas reconhece que isso resultou nesse
cinturão de miséria que ajudou a inviabilizar
Brasília na saúde, na educação, na segurança?
Eu tenho consciência disso. Mas, como resolver? Todos não vieram em busca de melhoria de vida? Por que só aqui não? Não são brasileiros como nós? É preciso aumentar o quadrilátero do DF, ele ficou pequeno. Brasília foi construída para ter 500 mil habitantes; hoje tem quatro milhões considerando o Entorno. Quatro milhões! Oito vezes maior do que a previsão. E o DF, que era para ser de 15,8 mil quilômetros quadrados, foi reduzido para 4,5 mil, um terço de redução do território. 
 
Por isso é que o Entorno está superlotado, pressionando os hospitais, as escolas, a segurança, tudo. Pressiona porque não há mais espaço. O congestionamento daqui está estressando a população.

E como resolver isso tudo?

Ampliando o DF. Brasília tem que lutar dentro do Congresso, botar uma barraca no Congresso para mudar a Constituição, para ampliar o território. O problema das cidades-satélites, das cidades do Entorno é um problema nosso. É um excedente daqui que foi para lá, são brasileiros, é gente nossa. Aumentando-se o quadrilátero, o que é fundar mais uma cidade?

No passado o senhor costumava dizer que, a depender do candidato, nem precisaria sair de casa. Como vai ser agora?
É verdade. Em determinado momento eu achava que...Não diria fácil, porque na minha vida não achei nada fácil. Mas até hoje não conheço o sabor da derrota. Porém dizia isso porque entendia que era um desígnio de Deus ser governador numa cidade altamente politizada, com um povo de respeito e nível superior aos meus conhecimentos gramaticais ou intelectuais. Achei que já havia cumprido esse desígnio. Não tinha razão nenhuma de voltar a ser candidato. Mas quando vi a traição, quando vi radicalismo e estou vendo que a cidade precisa recuperar a autoestima, me propus a ser candidato novamente.

Vai vingar-se deles nas urnas? Roriz é incansável?
Sim. Se você me falar de negócio aqui, me dá sono. Se você me falar de política, fico a noite inteira.

Gosta mais de eleição ou de gado?
Um embaixador foi me visitar na fazenda. Botei o meu veterinário chefe para acompanhá-lo. Lá é um aglomerado de pequenas fazendas que forma um todo. Chamamos lá, na nossa origem, de retiros. Cada retiro tem uma qualidade de gado: o pardo suíço, o holandês, o gir, o nelore e o nessano. Ele ficou quase o dia inteiro vendo tudo. Chegou em casa à 1 hora para almoçar e perguntou ao meu veterinário qual gado eu gostava mais: se era do gado holandês, gado gir ou gado nelore. E meu veterinário erradamente respondeu: acho que ele gosta mais é de política.

Quando põe as filhas na política, está querendo fazer um sucessor dentro de casa?
Não. Aí vira “familiocracia”. O que digo para justificar a presença delas é muito simples. Na casa do meu pai o assunto era política. Só se falava política. Política tomando café, política almoçando, política jantando. Vivo política o tempo todo desde garoto. Fui eleito com 22 anos e nunca mais parei. Tentei impedi-las de seguir a política, mas não consegui. Não vou pedir votos para elas não. Elas terão que se fazer por si só.

Não acredita na transferência de voto para suas filhas?

As filhas, acho que sim, porque usam o meu nome. Não uso os delas nem estimulo. Mas elas, usando o meu, acho que conseguem transferir votos porque, com toda a humildade e não quero nem falar perto delas, elas defendem o mesmo que eu. Não é porque sou melhor, não sou o melhor. A única coisa que posso garantir é que eu tenho muita saúde, muito vigor e disposição.

Comenta-se na cidade que sua saúde não anda bem. O que tem de verdade nisso? Que cuidados o senhor toma?
Acordo rigorosamente às 6h, às vezes um pouquinho antes. Leio os jornais até as 8h e depois faço fisioterapia por uma hora. A fisioterapia para mim é absolutamente necessária porque tenho um problema de coluna, uma pequena contração que comprime o nervo ciático. Preciso fazer esse tratamento para não agravar. Se agravar, tenho que fazer cirurgia. Meu problema não é a cirurgia em si; é ficar de repouso 30 dias. Não aguentaria. Mas, em resumo, estou muito bem de saúde, graças a Deus.

Agnelo Queiroz diz estar pronto para
ganhar do senhor. Ele consegue?

Não sei. As pesquisas mostram o contrário. Eu não tenho outra informação a não ser a informação científica. Não posso avançar em nada. Deixa ele achar.

O senhor vê à sua frente um candidato vinte e tantos anos mais jovem. Não era tempo de se aposentar?
Não. Não tenho nenhum receio, nenhuma espécie de medo. Eu até espero que ele viva bastante.

No passado, o senhor foi acusado de grilagem e foi alvo de outras denúncias. Hoje seus adversários falam até em vaca de ouro, referindo-se ao valor da compra da vaca que provocou sua renúncia. Como reage às críticas mais contundentes?
Não reajo, eu penso assim: meu Deus, como é que falta tanta informação, quando há uma realidade bem diferente? O que eu posso fazer? Mostrar meu Imposto de Renda, mostrar minhas contas, mostrar tudo o que tenho? Podem vir ver. Querem ir à fazenda contar minhas vacas? Agora estão falando que não declarei o Imposto de Renda de forma correta. Estou em dia com tudo. É só ver.

O senhor já era rico antes da política ou a política lhe deu mais dinheiro, além de poder e status?
Acho que meu patrimônio diminuiu fazendo política. Diminuiu, mas não quero dizer quanto. Eu não tive nenhum interesse, nunca tive nenhum interesse em obter facilidades com a política. Interesse zero. E ai daquele que fizer proposta para ter vantagem de governo.

Qual o momento mais dramático da sua vida pública?

O que mais me preocupou ao longo da minha vida pública foi na minha primeira eleição no DF, quando todos os meus adversários estavam fazendo campanha na televisão, comício na rua e eu, sub judice, não podia sair. Isso me trazia uma angústia, um desespero imenso. As coisas só melhoraram nos últimos dias de campanha.

Se eleito, o que não fará no quinto mandato?
Foi um erro construir o metrô de superfície? Foi erro construir nove cidades? Samambaia e outras cidades não existiriam hoje. Foi um erro construir o Centro de Convenções? A Biblioteca Nacional? Foi erro erradicar as 64 favelas que havia na cidade? Foi erro construir o hospital de Santa Maria? Foi erro construir a Terceira Ponte? Acho que o meu pressuposto é de que precisava gerar emprego, desenvolver a cidade. Você nunca me viu ajudar rico, eu não ajudo rico. Não ajudo e não vou ajudar. Não vou prejudicá-los, mas ajudá-los jamais. Agora os humildes eu vou ajudar porque é missão para mim.

Seus críticos mais ferozes batem muito na questão do vocabulário, afirmam que o senhor tropeça na gramática de forma oportunista. Faz isso por querer?
Faço porque eu sou analfabeto mesmo (risos).

O PT mudou?
Mudou de cor, de companhias. Tem até um azul hoje no PT. Mudou completamente. Misturou tudo. Não dá para acreditar nisso, não é? PT desfigurado esse aqui.

Quando vê esse PT do lado de um partido que o senhor esteve durante tantos anos, imagina o quê?

Imagino que eles vão disputar quem ganha mais no futuro, por interesses pessoais.

Como se ganha uma eleição?
Olhando no olho do eleitor e falando o que você pensa, o que é verdade. Não é com traição nem com coisas subjetivas. A pessoa tem que acreditar no que você fala. Como é que me põe — você já falou o nome, mas eu não gostaria de falar — Tadeu misturado com Agnelo pedindo voto em Samambaia? Pedindo voto no Paranoá, será que eles conseguem encaminhar? Eu não sei. Podem até ter sucesso. Eu não entendo.

O senhor incluiu na chapa gente que lhe atacava. Refiro-me ao Fraga. O senhor esquece fácil?
Você tem que ter bom senso. Primeiro porque o Fraga não tem condenação por colegiado. Segundo: essa coisa de ter pertencido a determinada agremiação não quer dizer que esteja envolvido. Houve agressões das duas partes — eu também combati —, mas hoje percebo que escolhi bem. Fraga é corajoso, destemido e está disposto a ir à luta, ele é um candidato do meu agrado. Não era, mas hoje é. A mesma coisa é a Abadia. Não adianta achar que Abadia é isso, é aquilo, quando ela passou por todos os cargos com sucesso. Pena que ela não chegou ao segundo turno (em 2006, contra Arruda). Eu sinto uma relativa culpa.

Por ter sido ingrato com ela?

Porque o candidato a governador, esse que foi cassado, ia para os comícios, para as televisões e dizia que o candidato dele a senador era Roriz. Então conseguiu iludir, me inibir na campanha. Saí com a Abadia três vezes, quando ela fez 18 comícios. Podia ter ido a todos! Mas não tenho o poder divinatório, infelizmente. Fui ingênuo em acreditar no malfeitor, em acreditar na pessoa.

Se a Justiça confirma a impugnação contra o senhor, está preparado para colocar Maria de Lourdes ou Frejat no seu lugar? O que tem a dizer sobre isso?
Não tenho absolutamente nada a dizer. Se entrarem, será outra besteira que eles vão fazer porque deverei voltar mais forte, como vítima.

E quanto à denúncia a respeito de Maurílio Silva, que se apresenta como seu coordenador de campanha e negociou contratos em seu nome?
Ele nunca foi coordenador na minha campanha. Estive na casa dele em um almoço com vários evangélicos, mas nunca mais tive contato. A informação que eu tenho é que ele resolveria os problemas comigo, mas resolveria também com Agnelo, resolveria também com Magela. Está aqui uma degravação da fita (Roriz mostra o trecho no qual Maurílio Silva cita os outros candidatos).

A imprensa o persegue, é muito rigorosa com o senhor?
Rigorosíssima. Até hoje não me atrapalhou não, mas de agora para frente eu não sei.

Como bom cristão, vai perdoar os traidores?
Não. Perdoar como cristão sim, mas como companheiro eu não tenho interesse. A cidade não aceita. É a mesma coisa que eu querer fazer uma aliança com o PT. Nesta cidade, o povo não aceita, meus amigos não aceitam.

Na aliança PT-PMDB para o Senado, Cristovam
Buarque e Rodrigo Rollemberg são tidos
como imbatíveis para as duas vagas.

Estou muito animado para eleger Abadia e Fraga. A maioria da sociedade está dizendo que vai eleger os dois para mim. Cristovam, a despeito de ser um senador que tem demonstrado muita competência e muita visibilidade, ainda não viu o que o povão dessa maioria está pensando. Acho que para ter essa garantia de vitória, eles precisavam ir para a rua. Conhecer o povo.

O que o senhor fala para os críticos que dizem que Brasília precisaria se renovar e não deveria escolher um político que já teve quatro mandatos?
É um risco pensar assim. É a mesma coisa que você pular de cabeça numa piscina. Você não sabe qual é a distância que tem, você pode bater a cabeça. É muito melhor você ter segurança, não ter riscos. O meu governo não terá riscos. Não é botando uma roupa branca e indo para o hospital que se resolve o problema da saúde.

Se a eleição fosse hoje, o senhor ganharia no primeiro turno?
Sim, com base em informações científicas, que é a pesquisa. Mas a eleição não é hoje e eu não sei o que pode acontecer. Vou crescer. Estou muito confiante com as últimas informações de que crescemos das convenções para cá. Então eu faço um desafio: mande fazer uma pesquisa com um instituto local ou com um instituto de fora de Brasília. Se tiver um que seja correto e eu estiver abaixo, eu deixo de ser homem público, deixo de ser político. Vai dar para levar no primeiro turno, com certeza.

Não bastam quatro mandatos?

Não me sinto realizado. Ainda falta muita coisa. É muito pouco. Quatro mandatos é muito pouco para você fazer o que gostaria e ver o povo feliz. Até o dia que estiver vivo. É assim que eu penso. Se fosse pensar em descansar, eu já teria parado.
 
Da redação  em  11/07/2010- 09:25:38
 
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